segunda-feira, 1 de agosto de 2016

ECONOMIA: Dólar fecha em alta de 0,89%, a R$ 3,273

OGLOBO.COM.BR
POR JULIANA GARÇON

A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) registrou desvalorização de 1,07%, a 56.697,58 pontos.

 
- Scott Eells / Bloomberg

RIO - O dólar comercial fechou em alta de 0,89% nesta segunda-feira, a R$ 3,273, após encerrar a semana passada com desvalorização de 1,57%, a R$ 3,244. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) — que fechou em alta de 1,12% nesta sexta-feira, acumulando ganho de 11,22% em julho e 32,20% no ano — abriu e operou em alta durante a manhã, mas virou o sinal e encerrou o pregão com desvalorização de 1,07%, a 56.697,58 pontos.
A alta do dólar foi sustentada pelo ambiente de aversão a risco, com o mercado esperando a reunião do Banco da Inglaterra, que na quinta-feira pode anunciar um pacote de estímulos, em resposta ao aquecimento ainda suave da economia e aos possíveis efeitos do Brexit, Celson Plácido, estrategista-chefe da XP Investimentos. Também contribuiu o leilão realizado, nesta manhã, pelo Banco Central, de 10 mil contratos de swap cambial reverso, que equivalem a compra futura de US$ 500 milhões.
Um fator exótico também pode influenciar o câmbio nas economias emergentes neste mês, afirmam analistas estrangeiros: é o efeito das férias no Hemisfério Norte, que reduz o volume de negócios. O fenômeno seria agravado pela Olimpíada.
— Este efeito de agosto é uma dessas coisas estranhas que parecem acontecer todos os anos, e qualquer fator que esteja impulsionando o mercado é intensificado pelo baixo volume de negócios — disse Win Thin, estrategista-chefe de moedas do mercado emergente na Brown Brothers Harriman & Co. em Nova York.
O índice MSCI Emerging Markets Currency caiu uma média de 0,9% no mês de agosto durante a última década, vinculando-o ao pior mês junto com novembro, informa a Bloomberg News. No ano, até agora, o índice avançou 5,6%, primeiro avanço anual em quatro anos. Metade do ganho (3,2%) aconteceu após 27 de junho, quando os mercados começaram a se recuperar do Brexit.
Pesou no índice da Bovespa a desvalorização da Petrobras: 5,78%, a R$ 13,20, no papel ON (ordinário, com direito a voto), prejudicada pelo recuo das cotações do petróleo no mercado internacional. Na semana passada, as ações da petroleira fecharam a semana passada em alta, favorecidas pela venda de fatia de bloco no pré-sal à Statoil.
Vale encerrou em queda de 3,06%, a R$ 14,55 no papel PN (preferencial, com direito a voto), a R$ 14,55, apesar do avanço do minério de ferro, que favoreceu as siderúrgicas.
— Isso porque a Vale depende da demanda da China, em desaceleração — afirma Plácido.
PERSPECTIVAS INTERNAS
Já as siderúrgicas, cujo negócio está mais relacionado às perspectivas internas, com retomada de obras de infraestrutura, se valorizaram. Usiminas, que também é favorecida por uma injeção de capital, reajuste de seus preços e indícios de melhora do mercado automobilístico — seu principal comprador —, disparou e chegou a 10%. Mas, no fim do pregão, o ganho desacelerou a 2,40%. No ano, o papel acumula valorização de 146%.
Gerdau Metalúrgica saltou 7,35%, mas fechou co ganho de 2,84%, a R$ 2,80. A controladora, Gerdau, se valorizou em 2,06%, a R$ 7,91. A Braskem foi favorecida simultaneamente pela queda do petróleo, seu principal insumo, e alta do dólar: avançou 3,02%, a R$ 19,10.
— A perspectiva de retomada de projetos de rodovias, ferrovias, portos e aeroportos anima os investidores das siderúrgicas — diz Plácido, lembrando ainda que as companhias estavam muito desvalorizadas.
Hypermarcas perdeu 2,07%, a R$ 26,88, atingida pela recomendação, feita pela Superintendência-Geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), de impugnação da venda do negócio de preservativos da companhia para a Reckitt Benckiser. A operação ainda precisa ser julgada em definitivo pelos conselheiros do Cade. A transação, envolvendo a Nances Holdings, subsidiária da Hypermarcas, e a RB, foi anunciada em janeiro deste ano e está avaliada em R$ 675 milhões.
A proposta da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) de criação de uma “poupança” nas novas regras de operação do Sistema Cantareira para tentar evitar futuras crises hídricas no manancial não foi bem digerida pelos investidores. O papel caiu 3,18%, a R$ 29,80.
Embraer, que anunciou prejuízos e acordo para encerrar um processo nos EUA, manteve a tendência de queda e recuou 3,84%, a R$ 14,26. Natura registrou recuo de 5,67%, a R$ 31,41, com investidores embolsando os ganhos dos últimos pregões — a companhia acumulou alta de 30,5% no mês. A empresa acumulou ganho de 30,5% em julho.
No exterior, os mercados iniciam a semana de maneira distinta, com bolsas asiáticas fechando em alta, ainda em virtude do PIB dos Estados Unidos, mais fraco que o esperado, o que desestimula o fluxo de recursos para o país. O índice Nikkei fechou hoje em alta de 0,40%, ainda impulsionado também por papéis do setor financeiro, que comemorou a decisão do Banco do Japão (BoJ), na sexta-feira, de não cortar ainda mais sua taxa de depósitos, atualmente em -0,1%. Em Hong Kong, o índice Hang Seng valorizou 1,09%. Na China, o índice Shangai Composite fechou em queda de 0,87%, em meio a preocupações com uma nova leva de IPOs.
No Brasil, o mercado observa o detalhamento da reforma da Previdência. O noticiário dá conta de que os trabalhadores com até 50 anos terão que se aposentar com uma idade mínima de 65 anos para homens e 62 para mulheres.Trabalhadores acima de 50 anos devem ter que passar por uma regra de transição, a serem definidas.
Em outra frente, o projeto de lei que propõe a securitização da dívida ativa da União pode ser aprovada até setembro ou outubro deste ano e ampliar, significativamente, o mercado de crédito de baixa qualidade no Brasil (grandes bancos vendem, regularmente, suas carteiras de crédito inadimplente, mas o setor ainda é pequeno no país). A idéia inicial é colocar no mercado apenas os créditos parcelados, com maior liquidez e que já estão em programas de refinanciamento, explicam analistas. O ministro interino do Planejamento, Dyogo Oliveira, já disse que do R$ 1 trilhão de dívida ativa da União, R$ 60 bilhões são “inquestionáveis” e seriam passíveis de venda.
A expectativa é de evolução na agenda de reformas, pois, após duas semana de recesso, os parlamentares voltam a Brasília e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, deve realizar uma reunião com líderes para fechar a pauta de votação de projetos. A definição da taxa de votação do impeachment de Dilma Rousseff, pelo presidente do Senado, Renan Calheiros, e o presidente do STF, Ricardo Lewandowski, com início em 29 de agosto e término previsto para 2 de setembro, é vista com bons olhos.
Além disso, a pesquisa Focus, realizada pelo Banco Central junto a economistas do mercado financeiro, manteve a previsão para a inflação deste ano no mesmo patamar da semana passada, em 7,21%, e reduziu a perspectiva para 2017 a 5,20%. Mas os especialistas pioraram a expectativa da taxa básica de juros neste ano: a projeção da Selic passou de 13,25% ao ano para 13,50%, aproximando o índice do atual patamar (14,25% ao ano). A elevação seguiu a divulgação, na terça-feira passada, da ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que indicou que não deve haver corte de juros neste momento, apesar da recessão. Para 2017, a projeção da Selic foi mantida pela quinta semana seguida em 11% ao ano.
A agenda de indicadores da semana inclui os números da indústria: os produção, contabilizados pelo IBGE e anunciados nesta terça-feira; produção e venda de veículos, divulgados pela Anfavea na quinta-feira; e os dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI) às 15h.

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