domingo, 7 de fevereiro de 2010

MUNDO: Ex-presidente argentino Néstor Kirchner é submetido a cirurgia de emergência

De O GLOBO
Janaína Figueiredo, correspondente do Globo
Agências internacionais
BUENOS AIRES - O ex-presidente da Argentina Néstor Kirchner (2003-2007) foi operado neste domingo de urgência por uma "patologia em sua carótida direita", segundo informou o médico Marcelo Ballesteros, subdiretor da Unidade Médica Presidencial do país. A operação já foi concluída, mas ainda não há informações sobre o pós operatório do ex-presidente.
Kirchner, que tem 59 anos, foi internado na clínica Los Arcos, localizada no bairro portenho de Palermo, onde foi realizada a operação. Segundo rumores que circularam em Buenos Aires, mas que não foram confirmados pelos médicos da Casa Rosada, o ex-presidente teria sofrido, também, um acidente vascular cerebral (AVC).
De acordo com informações divulgadas pelos meios de comunicação locais, Kirchner começou a sentir-se mal na manhã de domingo, quando sentiu uma dormência nas pernas. O ex-presidente e sua esposa, a presidente Cristina Kirchner, convocaram o médico pessoal de Kirchner, e poucas horas depois foi decidida sua internação. O casal presidencial estava na residência oficial de Olivos quando Kirchner teve os primeiros sintomas da doença.
A cirurgia foi realizada pelo médico argentino Víctor Caramuti. Pouco antes de iniciada a operação, o cardeal Jorge Bergoglio enviou um sacerdote à clínica onde estava internado Kirchner para conceder-lhe a unção dos enfermos.
A notícia sobre a operação de Kirchner, considerado o dirigente político mais importante do país, teve imediata repercussão nacional e internacional. Em momentos em que o casal presidencial enfrenta graves acusações por parte da oposição, entre elas a de ter violado a lei de Ética Pública por ter comprado US$ 2 milhões em outubro de 2008, em meio à crise financeira internacional, a saúde do ex-presidente voltou a preocupar os argentinos. Em abril de 2004, menos de um ano após ter assumido a Presidência do país, o ex-presidente sofreu uma grave lesão estomacal e ficou uma semana internado no hospital estatal de Rio Gallegos, capital da província de Santa Cruz, sua terra natal. Anos depois, a presidente admitiu, em entrevista à jornalista Olga Wornat, autora de uma biografia sobre Cristina, que na época temeu pela vida de Kirchner.
O ex-presidente entregou o poder em dezembro de 2007, quando a Presidência foi assumida por sua esposa, vencedora das eleições realizadas em outubro daquele ano. Apesar de ter concluído seu mandato, Kirchner continuou sendo apontado por analistas locais como o homem mais poderoso do país. Muitas decisões adotadas por Cristina foram, segundo dirigentes da oposição e analistas independentes, planejadas e ordenadas por Kirchner. O ex-presidente teria grande influência em ministérios de peso, como Economia e Relações Exteriores, entre outros.
Em junho do ano passado, Kirchner, que antes de desembarcar na Casa Rosada governou durante 11 anos a província de Santa Cruz, foi eleito deputado federal pela província de Buenos Aires. Apesar do apoio da Casa Rosada e de prefeitos da província argentina, Kirchner ficou em segundo lugar, sendo derrotado pelo empresário Francisco De Narváez, um dos líderes do peronismo dissidente. O revés eleitoral não era esperado pelo ex-presidente, que, após renunciar ao comando do Partido Justicialista (PJ), tentou minimizar uma eleição considerada crucial pelo governo K durante a campanha. Em dezembro passado, Kirchner assumiu sua vaga na Câmara e atualmente é o principal líder do governo no Congresso.
Neste domingo, os principais jornais da Argentina, Clarin, La Nación e Perfil, publicam amplas reportagens sobre os investimentos do ex-presidente e de pessoas próximas a ele e à esposa naquela região. A imprensa local recorda que o ex-presidente Carlos Menem (1989-1999) foi operado da carótida em 1993, e que em 2001 o então presidente Fernando de la Rúa passou por cirurgia semelhante.

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