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POR O GLOBO / COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS
Para porta-voz do Kremlin, caso não merece ser confirmado ou negado, classificando-o de 'nonsense'

Montagem de fotos mostra o chanceler russo, Sergei Lavrov, e o presidente americano, Donald Trump - Reuters Staff / REUTERS
WASHINGTON — O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, defendeu nesta terça-feira o direito de compartilhar informações secretas, um dia após a imprensa americana revelar que o republicano teria passado às autoridades russas conteúdos altamente confidenciais sobre ameaças do Estado Islâmico (EI). O tema preocupa aliados e deverá ser o pano de fundo da primeira viagem ao exterior de Trump como presidente, que começa nesta sexta-feira.
"Como presidente eu quis compartilhar com a Rússia (em uma reunião aberta planejada na Casa Branca), o que eu tenho o direito absoluto de fazer, fatos relativos a terrorismo e a segurança de voos. Razões humanitárias, e além disso eu quero que a Rússia aumente sua luta contra o Estado Islâmico e o terrorismo", escreveu Trump no Twitter.
O porta-voz do Kremlin, Dimitri Peskov, afirmou, por sua vez, que o caso não merece ser confirmado ou negado, classificando-o de "nonsense".
— Para nós, isso não é uma questão, é nonsense — disse Peskov. — Não é uma questão que merece ser confirmada ou negada.
Durante meses, aliados dos Estados Unidos se perguntavam com inquietação se podiam dividir com Trump segredos de segurança nacional mais sensíveis. Agora, a poucos dias de sua estreia na cena internacional, o presidente americano abriu novas brechas para mais desconfiança.
— Isso é o que preocupa os europeus — afirmou uma autoridade ocidental à agência Associated Press (AP).
Após visitas importantes à Arábia Saudita, Israel e Vaticano, Trump vai se reunir com alguns dos mais fortes parceiros europeus de Washington em uma cúpula da Otan em Bruxelas e em uma reunião do G7, na Sicília. Alguns dos líderes com quem o presidente se reunirá procedem de países com os quais os Estados Unidos têm acordos para compartilhar informações de Inteligência.

Trump e Lavrov se cumprimentam em encontro no Salão Oval - AFP
SEM AUTORIZAÇÃO
De acordo com o “Washington Post”, a informação fornecida por Trump ao chanceler russo, Sergei Lavrov, e ao embaixador russo, Sergei Kisliak, foi comunicada por um aliado dos Estados Unidos, que não havia dado autorização a Washington para compartilhá-la com Moscou. O jornal afirma que Trump “começou a descrever detalhes de uma ameaça terrorista do Estado Islâmico relacionada ao uso de computadores portáteis em aviões”.
“Trump revelou mais informação ao embaixador russo do que a que compartilhamos com nossos próprios aliados”, confidenciou ao jornal um funcionário de alto escalão do governo americano, que pediu para não ser identificado.
Segundo a mesma fonte, esse informação tem um dos graus de classificação secreta mais elevados usados pelas agências de Inteligência americanas. Durante a reunião na Casa Branca, Trump teria se gabado de ter acesso a dados muito precisos sobre a ameaça do EI.
— Tenho excelente informação. Tenho gente que me dá todos os dias excelente informação — bradou o magnata, segundo a fonte.
O “Washington Post” acrescenta que decidiu não publicar mais detalhes sobre o suposto plano terrorista, atendendo a um pedido expresso de funcionários da cúpula do governo americano.
Em um comunicado emitido pela Casa Branca na segunda-feira, o novo conselheiro de Segurança Nacional, HR McMaster, que participou da reunião com as autoridades russas, expressou que, “em nenhum momento se discutiu sobre fontes, ou métodos de Inteligência, e não foram reveladas operações militares que já não fossem de conhecimento público”. Na nota, McMaster relata que “o presidente e o ministro das Relações Exteriores repassaram as ameaças provenientes de organizações terroristas que incluem ameaças à aviação”.
— A história que foi publicada hoje à noite é falsa (...). Eu estava no local. Isso não aconteceu — declarou à imprensa o general H.R. McMaster, sem responder, de forma clara, se o presidente havia divulgado informação sigilosa.
Na quarta-feira passada, Trump recebeu o chanceler e o embaixador russo no Salão Oval da Casa Branca. Moscou divulgou apenas algumas fotos do encontro, que transcorreu a portas fechadas.
— Se for verdade, é, evidentemente, preocupante — declarou o senador republicano John McCain à rede CNN, lacônico, preferindo ter mais informações antes de comentar o caso.
O “Washington Post” lembra, porém, que o presidente americano dispõe de uma ampla margem de manobra para divulgar documentos secretos, sendo, portanto, pouco provável que tenha violado a lei.
— Não há como saber o que disse, mas a proteção de segredos da nossa nação é crucial — afirmou Doug Andres, porta-voz do presidente da Câmara de Representantes, o republicano Paul Ryan.
A reunião na Casa Branca aconteceu um dia depois de o presidente demitir, de forma inesperada, o então diretor do FBI, James Comey, cuja equipe investigava a possibilidade de conluio entre a campanha de Trump e os russos.
Trump mantém uma relação tensa com as agências de Inteligência dos EUA. Ele questionou a competência de seus agentes, a conclusão da agência de que a Rússia interferiu nas eleições do ano passado para ajudá-lo a vencer e acusou os funcionários de vazar informações sobre ele e seus colaboradores.
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