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POR ANTÔNIO WERNECK
Ameaçado por milícia, delator citou vereador e ex-PM preso em depoimento na DH

Vereadora Marielle Franco - Reprodução
RIO - A Secretaria de Segurança determinou que o comando da Polícia Civil passe a dar proteção imediata à testemunha que, em depoimentos à Divisão de Homicídios, implicou o vereador Marcello Siciliano (PHS) e o Orlando Oliveira de Araújo - preso acusado de chefiar uma milícia - na morte de Marielle. A informação foi confirmada pela reportagem do GLOBO, com fontes do comando das polícias. A testemunha afirmou estar jurado de morte, já que o ex-PM acredita que sua prisão é resultado de uma denúncia feita por ele.
Nesta terça-feira, O GLOBO revelou que o delator, que trabalhou para um dos mais violentos grupos paramilitares do Rio, procurou a polícia para contar, em troca de proteção, que o vereador e o ex-PM queriam a morte da vereadora, executada no dia 14 de março, no Estácio. O motorista dela, Anderson Gomes, também foi assassinado na ação. Procurado pelo GLOBO, Siciliano disse que não conhece Orlando e afirmou que se trata de "notícia totalmente mentirosa".
Em três depoimentos à Divisão de Homicídios (DH) da Polícia Civil, a testemunha deu informações sobre datas, horários e até locais de reuniões entre o vereador e o miliciano, que hoje cumpre pena em Bangu 9. Também deu detalhes de como, segundo ele, a execução foi planejada. As conversas entre os dois teriam começado em junho do ano passado.
Até agora, o delator prestou dois depoimentos nas dependências do Círculo Militar, na Urca, e um, na sede da DH, na Barra da Tijuca. O GLOBO teve acesso ao teor do relato da testemunha, que primeiramente procurou a Superintendência da Polícia Federal, na Praça Mauá, onde passou a ser acompanhada pelos delegados federais Hélio Khristian Cunha de Almeida, Lorenzo Martins Pompilio da Hora e Felício Laterça, que, após tomarem conhecimento da gravidade dos fatos, procuraram o chefe de Polícia Civil, delegado Rivaldo Barbosa.
Nesta quinta-feira, quando a execução completa 57 dias, será realizada a reprodução simulada do crime. Durante a simulação, serão usadas armas e munições de verdade. Os investigadores vão reproduzir o percurso feito por Marielle, desde a chegada dela à Casa das Pretas, na Lapa, até o local onde foi morta. A reconstituição será realizada por peritos criminais, sob a coordenação de delegados. Durante a reprodução, até a habilidade do atirador será apurada, com o objetivo de identificar seu nível de experiência.
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