OGLOBO.COM.BR
POR O GLOBO
Oposição e oficialismo protestarão em Caracas enquanto Constituinte é instalada

Militares colocaram cercas de metais no entorno do Parlamento no dia de instalação de Constituinte - Reprodução Twitter
CARACAS — A Guarda Nacional Bolivariana (GNB) fechou os acessos ao Parlamento venezuelano deste a madrugada desta sexta-feira, para a instalação da Assembleia Nacional Constituinte convocada pelo presidente Nicolás Maduro. Os militares colocaram cercas de metais no local e proíbem a passagem de veículos. Maduro instalará nesta sexta-feira sua a Constituinte, apesar das dúvidas sobre a transparência da eleição, a ampla rejeição internacional e os incessantes protestos opositores.
Para esta sexta-feira, está previsto que duas mobilizações cheguem à sede do Parlamento, uma dos apoiadores do governo e outra da oposição. Os manifestantes contra Maduro planejam manifestar sua rejeição à Constituinte que consideram fraudulenta. A votação que elegeu os membros que reescreverão a Constitução venezuelana está sendo investigada pela Procuradoria após denúncias de manipulação. A Smartmatic, empresa que deu suporte tecnológico à votação, provocou uma reviravolta ao denunciar nesta semana que o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) aumento o número de eleitores.
Segundo o CNE, oito milhões de pessoas participaram da votação, um milhão a mais do que calcula a Smartmatic. A oposição assegura ter conseguido 7,6 milhões de votos contra a Constituinte em um plebiscito simbólico no dia 16 de julho. A denúncia golpeou ainda mais a legitimidade da iniciativa, questionada desde o início porque Maduro a convocou sem consultar os venezuelanos em um referendo .
Dotados de poderes ilimitados por tempo indefinido, os mais de 500 membros da Constituinte ficarão no salão elíptico do Palácio Legislativo, local onde fica o Parlamento, de maioria opositora. A oposição prepara grandes protestos com o objetivo de impedir a posse do órgão de suprapoder.
Com medidas de maior controle, a nova Constituição, segundo Maduro, resgatará a colapsada economia do país petroleiro, que asfixia os venezuelanos com escassez de alimentos e remédios e uma inflação brutal. O presidente afirma ainda que a Constituinte trará a paz a um país convulsionado por protestos opositores que já deixaram cerca de 125 mortos desde que começaram há quatro meses, pedindo sua saída do poder.
REJEIÇÃO INTERNACIONAL
Os Estados Unidos, a União Europeia e uma dezena de países não reconhecem a Constituinte por considerá-la uma ameaça à democracia. O Congresso do Peru pediu a saída do embaixador venezuelano em Lima, em repúdio à Constituinte. Já o Vaticano pediu às forças de segurança da Venezuela que evitem o uso excessivo e desproporcional da força, em um comunicado divulgado nesta sexta-feira, horas antes da instalação da polêmica Assembleia Constituinte do presidente Nicolás Maduro.
Enquanto isso, o Panamá outorgou asilo político a dois magistrados nomeados a uma Suprema Corte paralela pelo Parlamento venezuelano, que é controlado pela oposição. O governo Maduro não reconhece o tribunal formado no mês passado. Em nota, a chancelaria panamenha disse que respondeu positivamente aos pedidos de asilo político de Gustavo Sosa Izaguirre e Manuel Antonio Espinoza Melet. Outros juízes estão sob proteção da embaixada chilena em Caracas.
Por sua vez, o presidente da França, Emmanuel Macron, se ofereceu para mediar as conversas políticas na Venezuela, enquanto critica com dureza a violência que toma o país. Em comunicado, condenou a detenção de Leopoldo López e Antonio Ledezma, afirmando que a França "apoiará qualquer mediação que permita a retomada de um diálogo confiável, sincero e sério e o fim da espiral de violência".

Parceiros e a Constituinte
Países com os quais Venezuela tem relações comerciais reagiram de diferentes maneiras
Apoia a Constituinte
Condenou a Constituinte
Não se manifestou
Em cima do muro
Fonte: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
Um dia após a eleição, o governo americano impôs sanções financeiras e jurídicas a Maduro, a quem chamou de ditador, e na semana passada, 13 altos funcionários venezuelanos ligados ao presidente também foram sancionados, incluindo a presidente do CNE. A crise venezuelana será tratada pelos chanceleres do Mercosul no sábado. A Organização dos Estados Americanos (OEA) também convocou uma reunião para debater sobre a Venezuela.
Desde que Maduro convocou a Constituinte no dia 1º de maio, a oposição rejeitou participar da iniciativa ao considerá-la uma fraude pela qual Maduro buscava evitar as eleições e perpetuar-se no poder. Cerca de 80% dos venezuelanos rechaçam o governo Maduro e 72% não apoiam a Constituinte, segundo a Datanálisis. Porém, o presidente contou com o apoio dos poderes judicial, eleitoral e militar para levar a cabo seu projeto.
ÚLTIMAS DE MUNDO
Iraque: Cidade destruída pelo Estado Islâmico guarda lembranças de Agatha Christie
Assembleia Constituinte de Maduro toma posse na sede do Legislativo
El Chapo pede anulação de processo e acusa 'condições desumanas' nos EUA
Juízes de Supremo paralelo fogem da perseguição na Venezuela
Vaticano pede que uso excessivo da força seja evitado na Venezuela
Venezuela restaura regime domiciliar para líder opositor preso
Comentários:
Postar um comentário