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POR CLEIDE CARVALHO
Pedido foi feito pela Polícia Federal e aceito pelo magistrado

BSB - Brasília - Brasil - 14/10/2015 - PA - O presidente da Petrobras, Aldemir Bendine, durante depoimento na CPI da Petrobrás na Câmara.Foto : Givaldo Barbosa/Agência O Globo - Givaldo Barbosa / Givaldo Barbosa Agência O Globo
SÃO PAULO - O juiz Sergio Moro autorizou a transferência de Aldemir Bendine, ex-presidente do Banco do Brasil e da Petrobras, para o Complexo Médico Penal de Curitiba. Bendine foi preso no último dia 27 e levado para a sede da Polícia Federal em Curitiba, onde está seu principal delator, o empresário Marcelo Odebrecht. O pedido de transferência foi feito pelo delegado Igor de Paula, da Polícia Federal, na manhã desta sexta-feira.
O delegado afirmou que há espaço na sede da Polícia Federal, mas que na mesma carceragem estão custodiados vários presos da Lava-Jato, mantidos ali por razões de segurança ou por serem delatores e ainda estarem sendo ouvidos. E observou que entre eles está "um colaborador que contribuiu efetivamente para as investigações" sobre Bendine.
A Polícia Federal colocou Bendine sozinho numa cela, na ala oposta à de Marcelo Odebrecht. Mas teve de separar também de Bendine os irmãos André Gustavo Vieira e Antonio Carlos Junior, presos na mesma operação. Com isso, a movimentação dos presos na carceragem, sem que o constrangimento de encontros, ficou dificultada. " (...) trata-se de estrutura pequena e com espaço reduzido para a movimentação de presos. Por outro lado, a necessidade de manter a separação de presos na situação acima mencionada têm limitado demasiadamente as alternativas de adequação segura dos presos", explicou o delegado na petição.
Bendine foi preso na 42ª Fase da Lava-Jato, batizada de operação "Cobra", na quinta-feira da semana passada. Foi a primeira operação realizada com base exclusivamente nas delações da Odebrecht. Marcelo Odebrecht e um dos executivos da empresa, Fernando Reis, disseram ter sido achacados por André Gustavo, que agiu como intermediário de Bendine.
O empresário afirmou que Bendine e André Gustavo pediram propina de R$ 17 milhões devido á rolagem de uma dívida da empresa. O empréstimo foi alongado no período em que Bendine era presidente do Banco do Brasil e a propina não foi paga. Quando ele assumiu a Petrobras, os achaques teriam aumentado e a Odebrecht decidiu pagar parte da propina com receio de que, com Bendine no novo cargo, fosse alvo de retaliações.
A Odebrecht afirmou ter pagado R$ 3 milhões em espécie. O dinheiro foi entregue em três parcelas de R$ 1 milhão num apartamento em São Paulo, alugado em nome de Antonio Carlos. O motorista que retirou os pacotes disse que prestava serviços para os irmãos Vieira. Morador de Cotia, na Grande São Paulo, ele teve por diversas vezes estadia paga em hoteis de São Paulo, onde, para os investigadores, se hospedava provavelmente para retirar propina. Além de Bendine, André Augusto teria operado propina para quatro senadores do PMDB.
André Gustavo e Antonio Carlos também foram presos na 42ª Fase da Lava Jato, a Operação Cobra. No entanto, o delegado Igor de Paula afirma que André Gustavo e Antonio Carlos ainda estão sendo ouvidos para esclarecer o material apreendido na operação e, por isso, devem permanecer nas celas da PF por mais alguns dias até a conclusão dos trabalhos.
Os procuradores descobriram que André Gustavo pagou em dinheiro pela hospedagem da família de Bendine num hotel de luxo em Nova York, entre 2015 e 2016, onde passaram as festas de fim de ano. A agência de viagens usada por Bendine fica em Recife e a filha dele ligou 12 vezes para o local para combinar a viagem. Bendine diz que usou a agência de pernambuco porque não encontrava vagas em hoteis de Nova York e que ressarciu o pagamento feito por André Gustavo. A defesa do ex-presidente da Petrobras disse que está à procura dos comprovantes para entregar à Justiça.
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