segunda-feira, 13 de abril de 2015

NEGÓCIOS: S&P coloca rating da Vale e de outras mineradoras em observação negativa

ESTADAO.COM.BR
DANIELLE CHAVES - AGÊNCIA ESTADO

Agência de classificação de risco pode rebaixar nota das empresas por causa de forte desequilíbrio entre oferta e demanda no mercado

Terminal da Ilha Guaíba da Vale, em Mangaratiba, no Rio de Janeiro
SÃO PAULO - A agência de classificação de risco Standard & Poor's colocou os ratings de oito mineradoras globais em observação com implicações negativas, entre eles o da Vale, que foi mantido inalterado em BBB+. Em relatório, a S&P afirmou que "o grave desequilíbrio entre oferta e demanda no mercado de minério de ferro pode prosseguir nos próximos dois anos".
As outras mineradoras que tiveram o rating colocado em observação negativa foram Anglo American (BBB), BHP Billiton (A+), CAP (BB+), Eurasian Resources Group (B-), Exxaro Resources (zaA-), Fortescue Metals Group (BB+) e Rio Tinto (A-).
A S&P explicou que colocou os ratings em observação com implicações negativas em seguida à decisão de reduzir as projeções para o preço do minério de ferro para US$ 45 por tonelada no restante deste ano, para US$ 50 por tonelada em 2016 e para US$ 55 por tonelada em 2017. As estimativas anteriores eram de US$ 65 por tonelada, US$ 65 por tonelada e US$ 70 por tonelada, respectivamente.
Segundo a S&P, o desequilíbrio entre oferta e demanda de minério de ferro deve prosseguir nos próximos dois anos em razão dos seguintes fatores: a contínua e considerável expansão da oferta de minério de ferro transportado pelo mar das maiores mineradoras, o ritmo menor que o esperado do deslocamento de produtoras de alto custo e o crescimento mais lento da demanda da China.
A S&P observa que o declínio dos preços do minério de ferro foi agravado pela redução dos custos de insumos energéticos, como diesel, e pelo enfraquecimento das moedas de países produtores da commodity, como o real brasileiro (com queda de cerca de 35% ante o dólar nos últimos 12 meses) e o dólar australiano (queda de mais de 20%). "Ao mesmo tempo, a combinação de custos de energia mais baixos e moedas mais fracas está sustentando produtoras marginais, prolongando, assim, o excesso de oferta e a fraqueza dos preços do minério."
"Na nossa visão, os preços mais baixos do minério de ferro podem não apenas enfraquecer os fluxos de caixa e a alavancagem financeira das produtoras, mas também afetar a resiliência de longo prazo dos perfis de risco de negócios de algumas companhias, tendo em vista a esperada volatilidade dos lucros em razão da oscilação dos preços da commodity", acrescentou a agência.
A S&P explica no relatório que a observação com implicações negativas sinaliza a probabilidade de algumas ações de rating negativas depois da conclusão da análise, o que deverá ocorrer nas próximas duas a três semanas. A agência espera que haja rebaixamentos de até uma nota, mas não exclui a possibilidade de afirmações de ratings ou, "excepcionalmente", um rebaixamento de duas notas.
"As ações de rating dependerão dos fatores específicos de cada companhia, incluindo a posição do custo, a exposição a minério de ferro e a capacidade de tomar medidas em termos de reduzir os gastos de capital, gerar fluxo de caixa livre positivo e preservar liquidez no prolongado declínio atual", afirmou a S&P.

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