Do UOL, em Brasília
Bruna Borges
O senador Fernando Collor de Melo (PTB-AL), ex-presidente da República, negou nesta segunda-feira (26) que tenha qualquer relação "pessoal" ou "política" com o doleiro Alberto Youssef, preso pela Polícia Federal durante a operação Lava Jato. Collor disse ser alvo de campanha "difamatória" da imprensa.
"Quanto ao Youssef, posso afirmar de modo categórico que não conheço e jamais mantive com ele qualquer relacionamento de ordem pessoal e política", declarou Collor.
Youssef foi preso pela PF durante a operação, suspeito de chefiar um esquema de lavagem de dinheiro que teria movimentado até R$ 10 bilhões.
Durante o discurso, Collor criticou a imprensa e afirmou ser vítima de uma campanha "difamatória" da mídia. Segundo ele, a imprensa não se "conforma" com a absolvição no STF (Supremo Tribunal Federal) das acusações que resultaram no impeachment em 1992. Collor foi inocentado pelo Supremo em abril das acusações de desvio de dinheiro durante o seu governo por falta de provas.
"Se trata de mais uma desmesurada tentativa de criminalização de quem não cometeu a aludida ilegalidade. Mais uma vez julgam de forma atabalhoada e, pior, querem condenar antecipadamente, aplicando de vez o temerário e chamado jornalismo declaratório", afirmou o senador.

Operação Lava Jato da PF
17.mar.2014 - Camaro apreendido pela Polícia Federal durante a operação Lava-Jato, que expediu mandados de prisão de 47 pessoas por lavagem de dinheiro em sete Estados. Numa operação envolvendo 400 policiais, foram expedidos mandados de prisão nos Estados do Paraná, Rio de Janeiro, São Paulo, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Mato Grosso e no Distrito Federal. Além das detenções, foram executados 81 mandados de busca e apreensão - Leia mais - Divulgação/Polícia Federal
O senador fez duras críticas à revista "Veja" em seu pronunciamento. Para ele, a publicação faz "vazamento seletivo" de informações e "camufla insinuações" para levantar suspeitas sobre o parlamentar.
Na semana passada, o juiz federal do Paraná Sérgio Moro ao ministro Teori Zavascki, do STF, que a Polícia Federal apreendeu no escritório de Youssef oito comprovantes de depósitos bancários que tiveram Collor como beneficiário. São oito comprovantes de depósitos para o senador, que somam R$ 50 mil.
No despacho enviado ao STF, o juiz, no entanto, declarou que não há indícios de que os pagamentos ao senador tenham relação com o esquema investigado pela operação. O magistrado diz ainda que desconhecia a suposta relação entre Collor e Youssef e que os comprovantes dos depósitos foram encontrados por acaso.
Collor defendeu, em discurso no plenário do Senado, que não há indícios nos inquéritos da Polícia Federal sobre um possível envolvimento no caso e citou o juiz federal.
Foi a primeira vez que Collor se pronunciou sobre as denúncias de que teria sido beneficiado com dinheiro pago pelo doleiro.

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