De OGLOBO.COM.BR
ANA PAULA RIBEIRO
Vale e Petrobras ajudaram a dar sustentação ao índice. Dólar fecha cotado a R$ 2,2160
SÃO PAULO - As ações da Petrobras e das empresas de siderurgia e mineração ajudaram a sustentar o avanço do Ibovespa nesta segunda-feira. O principal índice da Bolsa brasileira fechou em alta de 1,79%, aos 54.052 pontos. Na sexta-feira, havia recuado 0,60%.
A situação no exterior ajudou a Bolsa brasileira neste pregão, em especial a China. Mesmo com a expectativa de parte do mercado de que o país asiático não alcance um crescimento do PIB de 7,5% em 2014, ficando mais próximo de 7%, a China poderá alcançar o posto de maior economia do mundo ainda neste ano, ultrapassando os Estados Unidos, segundo projeção da agência de classificação de risco Moody’s. Também se especula sobre medidas para estimular a atividade chinesa. Uma economia aquecida no país asiático tende a beneficiar miradoras e siderúrgicas.
— As expectativas em relação à China repercutiram de maneira positiva nas mineradoras nesta segunda-feira — diz Thiago Souza, analista da XP Investimentos.
As ordinárias da Vale fecharam em alta de 4,72%, cotadas a R$ 30,60, e as preferenciais avançaram 4,18%, para R$ 27,61. Já a CSN avançou 3,20%, cotada a R$ 9,33.
A falta de perspectiva sobre uma alta nos juros nas principais economias – o Fed, o banco central americano, só deve iniciar o seu processo de elevação no segundo semestre de 2015 – foi outro fator positivo, uma vez que atrai investidores estrangeiros que estão em busca de locais onde há a possibilidade de ganhos maiores.
Um operador de uma corretora de valores afirmou que mesmo com a realização de lucros em determinados momentos, quando a venda de ações é maior e os preços caem, a tendência é de alta devido aos investidores estrangeiros. Esse operador lembra que o Ibovespa passou a subir com maior intensidade após a abertura dos negócios no mercado americano, às 10h30 (horário de Brasília).
Peso das estatais
Uma das razões para a alta foi a Petrobras, que divulgou balanço na sexta-feira após o fechamento de mercado. Mas, mais do que o resultado em si, as especulações em torno de novas pesquisas eleitorais elevam as negociações com o papel da estatal. Os investidores têm aprovado a queda das intenções de voto da presidente Dilma Rousseff por acreditarem que uma mudança nos rumos da política econômica pode favorecer a estatal, que tem praticado preços defasados no mercado interno para não pressionar a inflação.
— As pesquisas eleitorais ainda serão preponderantes para balizar os negócios na Bolsa, em especial se não houver mudanças de rumo no mercado internacional — avalia Eduardo Velho, economista-chefe da INVX Global Partners.
As ações preferenciais da estatal (sem direito a voto) fecharam cotadas a R$ 18, alta de 1,86%. Já as ordinárias, com direito a voto, subiram 2,52%, a R$ 17,08.
— Nesse cenário pré-eleitoral, as estatais são as que mais sofrem. São elas que vão amplificar, subindo ou caindo de forma mais intensa, o comportamento da Bolsa — considera Fernando Araújo, gestor da FCL Capital, incluindo, além de Petrobras, Eletrobras e Banco do Brasil na lista das estatais que oscilam de forma mais intensa com os rumores sobre a disputa eleitoral.
A Suzano foi a maior alta no Ibovespa, com avanço de 7,46%, refletindo o balanço do primeiro trimestre. O lucro de R$ 201 milhões entre janeiro e março foi quase 5 vezes superior ao registrado em igual período de 2013. Outro desempenho expressivo foi a Gol, com alta de 5,54%. Já as construtoras lideraram as perdas. A PDG recuou 2,97% e a Gafisa, 3,36%. Das 71 ações que fazem parte do índice, 11 fecharam em queda nesta segunda-feira.
O pregão de hoje também serviu para repercutir a pesquisa Focus, divulgada pelo Banco Central. O levantamento reduziu de 6,5% para 6,39% a expectativa para a inflação medida pelo IPCA em 2014. Já a projeção para o crescimento do PIB passou de 1,63% para 1,69%.
Dólar em alta
O dólar comercial operou instável na parte da manhã, mas depois se consolidou em terreno positivo. No entanto, próximo ao final dos negócios, o movimento de alta perdeu força e a moeda americana fechou praticamente estável em relação ao real, com leve alta de 0,04%, cotada a R$ 2,2140 na compra e a R$ 2,2160 na venda. A máxima foi de R$ 2,2210 e a mínima de R$ 2,2100.
Apesar da leve alta, a tendência no curto prazo para a moeda é de baixa, uma vez que segue o ingresso de divisas estrangeiras no Brasil, principalmente em relação às captações de recursos no exterior por parte de empresas brasileiras. Na sexta-feira, a Fibria levantou US$ 600 milhões com a emissão de títulos de dívida.
Bruno Lavieri, especialista de câmbio da Tendências Consultoria, considera que o atual patamar da moeda estrangeira está próximo ao que o Banco Central enxergaria como ideal. Se a cotação começar a subir muito, em especial por conta das notícias sobre a disputa eleitoral, a autoridade monetária deve voltar a agir, ofertando moeda estrangeira para trazer a cotação para em torno de R$ 2,25.
— O BC tem como dar incentivos para manter o real um pouco mais valorizado em relação ao dólar e fará isso por conta da inflação — diz Lavieri.
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