segunda-feira, 17 de outubro de 2016

POLÍTICA: Sob ameaça de deixar PT, descontentes fazem ultimato ao partido

FOLHA.COM
CATIA SEABRA, DE SÃO PAULO

Reunidos nesta segunda-feira (17), cerca de 40 parlamentares petistas, em sua maioria deputados federais, decidiram divulgar um manifesto em que cobrarão a antecipação das eleições internas do partido. Autointitulando-se "Muda PT", o grupo exigirá a realização de um encontro partidário no mês de dezembro para convocação de um congresso da sigla.
Do contrário, planejam uma debandada coletiva do PT, com a possível fundação de um novo partido. A hipótese foi discutida numa reunião que consumiu toda a manhã e invadiu a tarde.
Por enquanto, o grupo se dedica à criação de uma frente ampla, que nasceria da fusão do PT com outros partidos.
A nova frente seria uma última tentativa para que permaneçam no PT. Na reunião, no entanto, esses parlamentares avaliaram que não existem muitos partidos interessados em uma fusão com a sigla.
Frustrada essa coalizão partidária, só restaria a alternativa de abandonar o partido.
Anfitrião do almoço, o deputado federal Décio Lima (SC) explica que uma fusão seria mais prática do que a criação de uma nova legenda. Ele defende a composição da frente. Sua opinião, porém, não é majoritária no grupo.
Emissários do movimento deverão conversar com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda esta semana. Os parlamentares convocaram uma nova reunião para o dia 3 de dezembro.
Segundo participantes do encontro, esse seria um prazo fixado pelos descontentes antes de dar início à criação da nova sigla.
Após o encontro, Décio Lima disse que tem conversado informalmente com integrantes de outros partidos, como o PDT, PC do B, PT do B e até PMDB. Mas a discussão é embrionária.
"Quando falo em frente ampla, falo em uma organização tática vinculada ao processo eleitoral de 2018", disse o anfitrião, explicando que caberá a seus integrantes "espírito de grandeza" para escolher seu melhor candidato em 2018.
Participante do encontro, o ex-ministro Pepe Vargas (RS) nega, porém, que seja um ultimato: "não tem esse caráter", disse. "A gente discute cada coisa a seu tempo."
Além de Pepe Vargas, a reunião incluiu nomes como o da ex-ministra Maria do Rosário (RS), o vice-presidente do PT Paulo Teixeira e Moema Gramacho (BA).
Integrantes desse movimento enfrentam dificuldades para encontrar um destino fora do PT, já que uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) impede que partidos recém-criados tenham direito a fundo partidário e tempo de TV antes das eleições de 2018. Daí, a ideia de fusão com siglas já existentes.
A partir de agora, os petistas procurarão oficialmente potenciais coligados, como o PT do B.
"Temos até 2018 para decidir. O importante é criar uma nova esquerda, sem corporativismo", defende o deputado Silvio Costa (PT do B-PE), que acompanha os movimentos do grupo petista.

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