terça-feira, 13 de setembro de 2016

CORRUPÇÃO: Em nova fase da Acrônimo, Polícia Federal mira sobrinho de Pimentel

FOLHA.COM
GABRIEL MASCARENHAS
BELA MEGALE
DE BRASÍLIA

Ed Ferreira - 29.mai.2015/Folhapress 
Equipes da PF durante Operação Acrônimo apreendem documentos em empresa, em 2015

A Polícia Federal deflagrou na manhã desta terça-feira mais uma fase da Operação Acrônimo. Estão sendo cumpridos seis mandados judiciais, sendo quatro de busca e apreensão e duas de conduções coercitivas em São Paulo, no Distrito Federal e no Paraná.
Um dos alvos da condução coercitiva é Felipe do Amaral, sobrinho do governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel (PT), ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior entre 2011 e 2014.
A Folha apurou que ele é suspeito de ter recebido propina da montadora Caoa, em troca de intervenções feitas por Pimentel no Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior em favor da empresa.
A sede nacional da rede de restaurantes Madero, em Curitiba, também foi alvos de buscas. A investigação aponta que o dinheiro teria sido usado por Amaral para abrir no interior de São Paulo uma hamburgueria gourmet –que pertence à rede– do qual seu tio é sócio oculto.
A ação foi autorizada pelo ministro do STJ (Superior Tribunal de Justiça) Herman Benjamin, relator da Acrônimo no tribunal.
Em junho, a revista Época publicou a informação de que Felipe Amaral havia sido citado na delação de Benedito Oliveira, o Bené, apontado como operador de Pimentel e que firmou acordo de delação premiada.
Bené disse, segundo a revista, que Amaral recebeu o aporte financeiro para montar uma hamburgueria gourmet por solicitação de Pimentel. O dinheiro, segundo o delator, veio de uma propina de R$ 20 milhões paga pela Caoa, que teria negociado isenção fiscal com Pimentel na época em que ele foi ministro.
O empresário Sebastião Dutra, dono da gráfica Color Print, teria, segundo investigadores, omitido notas fiscais falsas para uma das empresa envolvida na construção do restaurante. A gráfica também foi uma das fornecedoras para a campanha de Pimentel ao governo de Minas em 2014.
ACRÔNIMO
A Operação Acrônimo foi deflagrada em 2015 e apura irregularidades no financiamento e na prestação de contas da campanha de Fernando Pimentel, que foi indiciado pela PF, ao governo de Minas Gerais sob suspeita de corrupção passiva, tráfico de influência, organização criminosa e lavagem de dinheiro.
Em outras frentes, investiga suspeitas de favorecimento a empresas com empréstimos do BNDES, subordinado ao Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, pasta que foi comandada pelo governador.
OUTRO LADO
O advogado de Pimentel, Eugênio Pacelli afirmou que seu cliente não tem qualquer ligação que ultrapasse o limite do parentesco ou o campo da licitude com o Felipe.
"O presidente do Senado (Renan Calheiros) disse recentemente que o Congresso estava se transformando num hospício, e o Brasil está se transformando num grande hospital, onde todo mundo quer fazer uma grande operação. Esse fato relacionado a Felipe é um verdadeiro café requentado porque já era de conhecimento da Polícia", afirmou Pacelli.
A Folha não conseguiu localizar a defesa de Felipe do Amaral.
Procurada pela reportagem, a Caoa informou por meio da assessoria de imprensa que aguarda um posicionamento do seu departamento Jurídico para se pronunciar sobre a operação deflagrada nesta manhã.

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