Do blog do ALON
Por Alon Feuerwerker
Se a sucessão nacional tivesse sido liquidada na primeira rodada, o jogo estaria jogado. Só que não foi. E a vida impôs a três personagens da política nacional uma espécie de prova do líder neste segundo turno
A coluna não será sobre o Big Brother Brasil, apesar do título. Será sobre o duelo entre alguns políticos para saber quem possui garrafas para entregar.
Esta disputa eleitoral leva jeito de corrida de automóvel. Vai terminar onde começou.
Se a oposição conseguir produzir uma soma vetorial ótima de dois estados, Minas Gerais e São Paulo, tem chance razoável de levar. Se não, o troféu penderá para o PT.
O novo governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, está bem na foto. Elegeu-se em primeiro turno e ainda alavancou a eleição do senador mais votado do país, o também tucano Aloysio Nunes Ferreira.
Luiz Inácio Lula da Silva fez de tudo para levar a disputa ao segundo turno em São Paulo. Montou em torno do PT uma aliança ampla, para os padrões locais. Incentivou a candidatura do presidente da Fiesp, Paulo Skaf, pelo PSB e viu com bons olhos o pleito de Celso Russomano, do PP.
Skaf e Russomano ajudariam a dispersar uma base tradicionalmente antipetista, na polarizada política paulista. Com Dilma Rousseff eleita em primeiro turno, toda a força política do governo federal seria despejada no segundo na aldeia gaulesa do PSDB.
Como se sabe, deu errado.
Em Minas Gerais, a coisa andou um pouco mais sutil. A candidatura de Hélio Costa ao governo foi praticamente imposta pelo PMDB ao PT, como condição para o acordo nacional. É razoável supor que o pacto com os peemedebistas em torno de Dilma teria saído de qualquer jeito, mas o PT/governo topou pagar essa fatura. Não quis arriscar.
Ali o plano era derrotar politicamente já no primeiro turno o ex-governador Aécio Neves, candidato imbatível ao Senado e concorrente potencial em futuras sucessões presidenciais. A frente política para executar a missão era respeitável.
Além de Lula, tradicional campeão de votos em Minas, havia o vice-presidente, José Alencar, o próprio Costa e os ex-prefeitos petistas de Belo Horizonte, Patrus Ananias e Fernando Pimentel. Além de Dilma, novata mas sempre com o poder projetado da caneta a partir de 2011.
Como se sabe, deu mais errado ainda do que em São Paulo, onde pelo menos Marta Suplicy abocanhou uma cadeira de senadora. Em Minas o PSDB arrastou todas as fichas. Ali a invencível armada de Lula foi a pique, e sem estrondo. Os adversários elegeram o governador Antonio Anastasia em primeiro turno e os dois senadores, Aécio e Itamar Franco.
Se a sucessão nacional tivesse sido liquidada na primeira rodada, o jogo estaria jogado. Só que não foi. E a vida, pelas mãos de Marina Silva, impôs a três personagens da política nacional uma espécie de prova do líder neste segundo turno.
Nas urnas eletrônicas do próximo dia 31 estarão programados os nomes de José Serra e Dilma, com os respectivos vices. Mas a disputa mais feroz será entre outros jogadores.
Lula, com sua popularidade e seu apetite de poder, enfrentará um desafiante que pretendia ver liquidado, Alckmin, e outro que nunca conseguiu cooptar, Aécio.
É mesmo hora de ver quem tem garrafas para entregar.
Pensando bem, não deixa de ser um Big Brother.
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