Do blog do NOBLAT
De O Globo
Com a vivência de fundador do PT, líder máximo e histórico do partido, o presidente Lula resumiu o que significa um congresso da legenda, na entrevista concedida na semana passada ao jornal “O Estado de S.Paulo”: “(...) É que nem uma feira de produtos idelógicos. As pessoas compram o que querem e vendem o que querem.”
Em seguida, no final do 4ºCongresso da legenda, organizado para sagrar a précandidatura de Dilma Rousseff à sucessão do chefe, Lula e a ministra deram uma demonstração do que o lulismo não escolhe nas gôndolas petistas.
Antes, o partido havia aprovado um conjunto de diretrizes esquerdizantes a serem levadas à pré-candidata a título de propostas de políticas de governo. Mas Lula e Dilma deixaram claro que não compram todos os “produtos ideológicos” oferecidos pelo partido.
O criador e sua criatura registraram a necessidade de o próximo governo preservar a estabilidade econômica, a ser destruída caso o ideário petista seja colocado em prática.
Ao contrário da memória petista, a lulista não é curta. O presidente sabe que, se não cumprisse os compromissos assumidos em 2002 por meio da Carta ao Povo Brasileiro, não governaria. Como o PSTU não governaria, segundo o próprio Lula, se, no poder, tentasse aplicar suas pregações.
Dilma terá de incorporar o espírito daquele documento, mais ainda por causa das sandices petistas, assumidas no documento do partido. Basta um pouco de sensatez para se entender que várias propostas do PT são inviáveis por serem inconstitucionais, como o controle dos meios de comunicação e a relativização da propriedade privada. Mas a pré-candidata acena para o esquerdismo com a tese do “ Estado forte” —, já assumida na prática no segundo mandato de Lula, sob a influência da própria Dilma.
Outro equívoco, pois, como ficou demonstrado em reportagens do GLOBO, o tal “Estado forte” é apenas um Estado balofo, carregado e servidores, alguns deles, os ligados à cúpula do governo, muito bem remunerados.
Dilma quis fazer ironia, no congresso petista, ao defender o “reaparelhamento” do Estado. Não precisava, ele já está mesmo aparelhado, e no mau sentido mesmo.
Indicador desta distorção é o aumento de 18 mil para 22 mil no número dos cargos de confiança, preenchidos sem necessidade de concurso público.
Pesquisas confirmam a maciça participação de sindicalistas neste contingente de servidores, a grande maioria filiada ao PT. Aprofundado este modelo, a sociedade, já soterrada sob pesada carga tributária, será obrigada a sustentar esta máquina, ainda mais inchada e ineficiente na prestação de serviços à população.
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