FOLHA.COM
DÉBORA ÁLVARES
LAIS ALEGRETTI
VALDO CRUZ
DE BRASÍLIA
O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Ricardo Lewandowski, afirmou na manhã desta terça-feira (30) que a votação do impeachment de Dilma Rousseff deve ocorrer somente na quarta (31). Isso porque ele pretende separar a fase de hoje, quando ocorrem os discursos dos senadores, da última etapa do julgamento, que é a votação em si.
Encerrado o depoimento da presidente afastada, que esteve ao longo de toda a segunda-feira (29) respondendo perguntas dos senadores, a sessão será retomada nesta manhã com o debate entre acusação e defesa, que terão uma hora e meia cada para se manifestar, além de mais uma hora para réplica e tréplica.
Em seguida, começa a fase dos discursos dos senadores, que só deve ocorrer a partir do meio da tarde. Até 10h, 61 deles estavam inscritos —cada um deles tem dez minutos para falar na tribuna. Com isso, a expectativa é de que as falas sigam até a madrugada.
Pedro Ladeira/Folhapress

O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Ricardo Lewandowksi
A intenção de Lewandowski é encerrar a fase de discursos, interromper a sessão e, então, retomar os trabalhos para votar. Segundo o ministro, a votação demanda um rito específico e ele quer dar um espaço entre as etapas. Ele disse, ao abrir a sessão desta terça, que pretende retomá-la para o julgamento final entre 10h e 11h de quarta.
A decisão é mais uma ameaça para tentar fazer com que os parlamentares diminuam o tempo de discurso. No PMDB, por exemplo, a ideia é concentrar todas as falas no líder, Eunício Oliveira (CE), que deve discursar em nome do partido. Ao longo do dia, outras siglas podem fazer acordo semelhante, ou decidir reduzir, na informalidade, o tempo das respectivas falas.
Deixar a votação para quarta atrapalha os planos do presidente interino, Michel Temer, que viaja neste mesmo dia para a China, onde participará de reunião do G-20. O Palácio do Planalto já demonstrou preocupação com essa informação.
Confirmado, como se espera, o impeachment de Dilma, o peemedebista ainda precisa tomar posse em sessão do Congresso Nacional, prevista para ocorrer logo em seguida.
A viagem para a China, com parada na Europa, dura 33 horas. Em 2 de setembro, assim que chegar, Temer se encontra com o presidente chinês, Xi Jinping. A reunião do G-20 está marcada para os dias 4 e 5 de setembro.
Temer pretende retornar ao Brasil para participar da abertura da Paraolimpíada em 7 de setembro.
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