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POR EDUARDO BARRETTO / LETICIA FERNANDES
Segundo deputados, ministro, acusado de tráfico de influência por ex-colega, teria se emocionado ao citar o pai durante o encontro

O líder do governo na Câmara, André Moura (PSC-SE) - Michel Filho / Agência O Globo
BRASÍLIA — Os líderes da base aliada na Câmara decidiram esquecer o "episódio de Salvador" e manifestaram apoio ao ministro da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima. Os líderes contaram que Geddel, que está no centro de uma polêmica envolvendo tráfico de influência para a liberação de uma obra na Bahia que o beneficiaria pessoalmente, emocionou-se muito e chegou a chorar ao receber a solidariedade dos deputados que estiveram na reunião desta manhã, no Palácio do Planalto. Após o encontro, os deputados pretendem voltar ao palácio para reencontrar Geddel e entregá-lo um documento de agravo.
— Estamos fazendo uma tempestade num assunto tão pequeno. O ministro Geddel tratou de maneira informal e ele colocou isso de maneira muito clara. Não foi oficial, não foi em nome do governo — defendeu o líder do governo na Câmara, André Moura (PSC-SE).
Geddel se emocionou ao citar o pai, o ex-deputado Afrísio Vieira Lima, morto em janeiro deste ano. Os parlamentares afirmaram que todos os presentes, "sem exceção", minimizaram a denúncia feita pelo ex-ministro Marcelo Calero e deram apoio à permanência de Geddel à frente da pasta. Geddel repetiu hoje o que fez quando foi depor na CPI do Orçamento, em 1994. Na ocasião, também chorou e acabou inocentado.
Paulinho da Força (SD-SP) repetiu que o governo tem assuntos "mais importantes", e Jovair Arantes (PTB-GO) disse que não pode haver "piti" sobre o caso. Os líderes pretendem voltar ao Planalto à tarde para entregar documento de agravo a Geddel.
Geddel Vieira Lima foi acusado pelo ex-ministro da Cultura, Marcelo Calero, de pressioná-lo a liberar uma licença para um empreendimento em Salvador no qual Geddel tem um apartamento. A suposta liberação seria por meio do Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Cultural), subordinado à Cultura.
Calero saiu do governo na última sexta-feira citando divergências com Geddel como justificativa para a demissão. Nesta segunda-feira, o presidente Michel Temer garantiu publicamente que Geddel fica no cargo, pouco antes de a Comissão de Ética Pública da Presidência abrir um processo para investigar a conduta do ministro.
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