segunda-feira, 4 de julho de 2016

LAVA-JATO: Corrupção na Petrobrás, no Planejamento e no Dnit são 'ramos de uma mesma árvore', diz procurador

ESTADAO.COM.BR
POR FAUSTO MACEDO, RICARDO BRANDT E JULIA AFFONSO

Deltan Dallagnol afirma que a Operação Abismo - 31ª fase da Lava Jato - e duas operações da última semana, Saqueador e Custo Brasil, sobre propinas em obras da empreiteira da Delta e nos contratos de empréstimos consignados dos servidores, têm conexão e personagens comuns

A 31ª fase da Operação Lava Jato, deflagrada nesta segunda-feira, 4, que aponta nova frente de propinas na Petrobrás, revela a conexão entre três esquemas de corrupção alvos do Ministério Público Federal, Polícia Federal e Receita Federal nos últimos 10 dias. A Operação Abismo une os desvios na estatal petrolífera com os descobertos no Ministério do Planejamento, alvo da Operação Custo Brasil, e nos contratos da construtura Delta, em especial no Departamento Nacional de Infraestrutura (Dnit), alvo da Operação Saqueador.
“Três operações da última semana, Saqueador, Custo Brasil e a de hoje, são ramos de uma mesma árvore”, afirma o procurador da República Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa da Lava Jato, em Curitiba. “Juntas formam um ícone da recente articulação da Justiça que começa a cercar em diversas frentes de investigação mega-esquemas criminosos de desvio de dinheiro público que se interconectam.”
A Operação Abismo, que cumpre cinco mandados de prisão nesta segunda, aponta que o ex-vereador do PT, em Americana, Alexandre Romano, o Chambinho, intermediou propinas sobre obras do Centro de Pesquisa da Petrobrás (Cenpes) para o ex-tesoureiro do PT Paulo Ferreira, que “teria recebido os valores na condição de agente do Partido dos Trabalhadores”. Segundo a Procuradoria da República, o esquema envolveu diversas empresas que pagaram mais de R$ 39 milhões em vantagens indevidas para participantes do certame licitatório, para Diretoria de Serviços e PT.
Segundo os investigadores, Alexandre Romano confessou que usou suas empresas, a Oliveira Romano Sociedade de Advogados, a Link Consultoria Empresarial e a Avant Investimentos e Participação Ltda., para receber mais de R$ 1 milhão das construtoras integrantes do Consórcio Novo Cenpes – que construiu o Centro de Pesquisas e Desenvolvimento Leopoldo Américo Miguez de Mello, no Rio.
Um dos principais alvos dessa fase é o ex-tesoureiro do PT Paulo Ferreira. O juiz federal Sérgio Moro, a pedido do Ministério Público Federal, determinou a prisão de Ferreira – que já está custodiado preventivamente na Operação Custo Brasil. Outros nomes, como o do lobista Adir Assad, preso na semana passada na Operação Saqueador, junto com o dono da Delta, Fernando Cavedish, também são alvos da Operação Abismo.
“É expressão disso (da conexão entre os casos) o fato de que há alvos em comum entre Lava Jato e as demais, como Adir Assad, no caso da Saqueador, e Paulo Ferreira, na Custo Brasil. É preciso uma atuação interinstitucional firme contra a corrupção se desejamos que os demais ramos dessa mesma árvore possam produzir frutos como a Lava Jato”, afirmou Dallagnol.
A 31.ª fase da Lava Jato, deflagrada nesta segunda-feira, 4, cumpre medidas cautelares pedidas pelo Ministério Público Federal ‘com a finalidade de obter provas adicionais de crimes de organização criminosa, cartel, fraudes licitatórias, corrupção e lavagem de dinheiro oriundo de contratos da Petrobrás, em especial do contrato celebrado pelo Consórcio Novo Cenpes’. Foram expedidos 22 mandados de busca e apreensão, 1 mandado de prisão preventiva, 4 mandados de prisão temporária e 7 mandados de condução coercitiva.

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