terça-feira, 27 de agosto de 2013

MUNDO: EUA e França estão prontos para intervenção militar na Síria

De OGLOBO.COM.BR
COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

Emissora NBC afirma que operação poderia ser iniciada na quinta-feira e duraria três dias
Presidente francês, François Hollande, diz que suas forças estão prontas para punir os responsáveis pelo ataque químico
Parlamento britânico vota nesta quinta-feira se o país pode participar da operação
O presidente Barack Obama considera realizar um ataque militar contra a Síria - BRENDAN SMIALOWSKI / AFP
WASHINGTON - França e os EUA estão prontos para realizar uma intervenção na Síria. A Casa Branca, no entanto, descartou qualquer esforço militar para derrubar o presidente sírio Bashar al-Assad. Mais cedo, o secretário de Defesa americano, Chuck Hagel, garantiu que os militares americanos já se prepararam para agir caso o presidente Barack Obama dê uma ordem de ataque à Síria.
- As opções que estamos considerando não são uma mudança de regime - disse o porta-voz da Casa Branca, Jay Carney. - Estamos avaliando como responder a uma clara violação de uma norma internacional que proíbe o uso de armas químicas.
Carney ressaltou que os Estados Unidos têm uma variedade de opções, não apenas militares. Ele reiterou que Obama ainda não tinha tomado uma decisão sobre a forma como os Estados Unidos vão responder ao que ele acredita que foi um ataque químico por parte do governo sírio contra civis.
- Quando o presidente tiver um anúncio para fazer, ele fará - afirmou.
O porta-voz disse ainda que os Estados Unidos esperam divulgar nos próximos dias uma versão pública de um relatório da Inteligência americana sobre o uso de substâncias químicos, no qual deverá ser apontado se o governo sírio foi ou não o responsável pelo ataque.
Em entrevista à emissora BBC, Hagel contou que as Forças Armadas já realizaram movimentos na região e vão obedecer imediatamente à decisão do chefe de Estado. A França também afirmou que está pronta para punir quem atacou inocentes com armas químicas na Síria. Segundo a emissora NBC, a operação poderia ser iniciada nesta quinta-feira contra alvos específicos e duraria três dias.
- Já realizamos movimentos no local para sermos capazes de cumprir qualquer decisão que o presidente tome - afirmou o secretário americano. - Estamos prontos para ir. Simplesmente assim.
Em pronunciamento transmitido pela TV, o presidente francês François Hollande, disse que seu país está preparado para punir os responsáveis pelo ataque químico nos subúrbios de Damasco e que irá aumentar seu apoio ao rebeldes sírios, pois há fortes indícios de que o governo de Bashar al-Assad tenha usado armas de destruição em massa.
- Estamos prontos para punir os que tomaram a decisão de atacar essas pessoas inocentes com gás - garantiu. - Tudo nos leva a crer que o regime realizou esse ato hediondo.
A mídia americana cita fontes indicando um ataque rápido, de “precisão cirúrgica”, para servir como punição pelo uso de armas químicas pelo país e como um elemento de dissuasão. Centros de comando, bunkers, campos de pouso e artilharia seriam o alvo, segundo a NBC. O “Washington Post”, em sua edição de hoje, descreveu uma estratégia semelhante, mas com dois dias de duração.
Fontes da agência Reuters afirmam que enviados do grupo Amigos da Síria - que inclui governos ocidentais - tiveram uma reunião na segunda-feira com membros da Coalizão Nacional Síria, em Istambul, e já alertaram sobre a possível operação.
- A oposição foi alertada claramente de que uma ação para deter o uso de armas químicas pelo regime de Assad pode acontecer nos próximos dias, mas que deve ainda se preparar para as negociações de paz em Genebra - afirmou um informante, que acrescentou que o enviado dos EUA para a questão, Robert Ford, participou do encontro.
Países se movimentam e Síria ouve tambores de guerra
Na quinta-feira, o Parlamento britânico votará se o país pode intervir militarmente no caso sírio. Os legisladores britânicos abreviaram o fim das férias em razão da crise na Síria e de apelos da oposição, que deseja explicações antes de qualquer ação militar.
A reunião parlamentar irá acontecer um dia depois de um encontro do Conselho de Segurança da ONU, marcado para quarta-feira e que discutirá o suposto uso de armas químicas pelo governo Assad. O ministro do Exterior sírio negou que o país tenha usado armas químicas e prometeu revidar qualquer ataque:
- Estamos ouvindo os tambores da guerra ano nosso redor - disse ministro sírio das Relações Exteriores, Walid Mualem.
O momento de um ataque americano desse tipo, que envolve mísseis ou, eventualmente, bombardeiros de longo alcance, com alvos militares não diretamente relacionados com o arsenal de armas químicas da Síria, depende de três fatores: a conclusão de um relatório para avaliar a culpabilidade do governo sírio no suposto ataque da semana passada; consulta permanente com os aliados e o Congresso, e determinação de uma justificativa nos termos do direito internacional.
- Nós estamos observando ativamente os vários ângulos legais para tomar uma decisão - disse um funcionário do governo americano, que falou sobre as deliberações presidenciais em condição de anonimato.
Navios de guerra com mísseis já estão de prontidão no Mar Mediterrâneo e caças já teriam sido enviados para a base militar americana na Chechênia. Segundo o jornal grego “Kathimerini”, militares americanos já teriam pedido para usar duas bases da Grécia. Atenas indica que irá permitir a instalação das Forças dos EUA, mas reforça que não se envolverá diretamente no conflito.
Ainda nesta terça-feira, o ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Guido Westerwelle, afirmou que, se confirmado o uso de armas químicas, a comunidade internacional devia atuar.
- A Alemanha está entre os que consideram que têm que haver consequências - reforçou o ministro, apoiando os aliados.
Enfrentando a reprovação de Moscou e de Pequim, potências ocidentais aparentam caminhar para a intervenção na Síria, em resposta ao suposto ataque químico das forças de Assad que teria matado até 1.300 pessoas nos subúrbios de Damasco. EUA e Rússia tinham um encontro na quarta-feira sobre a questão síria, mas a reunião foi cancelada. Nesta terça, o porta-voz do Ministério do Exterior russo, Alexander Lukashevich, fez um apelo para que a comunidade internacional mostre “prudência” sobre a crise e observe as leis internacionais.
“Tentativas de ignorar o Conselho de Segurança e mais uma vez criar desculpas infundadas para uma intervenção militar na região irão gerar um novo sofrimento na Síria e consequências catastróficas para outros países do Oriente Médio e Norte da África", disse Lukashevich, em um comunicado.
O secretário de Estado dos EUA, John Kerry, acusou na segunda-feira o governo sírio de usar armas químicas contra a sua população. Embora Kerry não tenha dito diretamente, ele afirmou que o regime sírio tinha as armas e os meios para usá-las, e que, ao bombardear as áreas atingidas, ocultou provas.
Segunda visita de inspetores da ONU na Síria é adiada
O ministro das Relações Exteriores sírio, Walid Moualem, disse nesta terça-feira que o segundo dia de trabalho da equipe de inspeção da ONU nos subúrbios de Damasco foi adiado para quarta-feira. De acordo com Moualem, o cancelamento aconteceu devido a divergências com os rebeldes sobre medidas adicionais de segurança.
O chanceler também rejeitou a acusação de Kerry, de que o governo de Assad estaria obstruindo o trabalho da equipe da ONU, e afirmou que o regime de Assad estaria preparado para se defender em caso de uma intervenção.
Os especialistas estão tentando determinar o que exatamente aconteceu no massacre do dia 21 de agosto. Eles só conseguiram o primeiro acesso ao local na segunda-feira, cinco dias após o ataque e depois do governo ter bombardeado intensamente a região.

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