Do UOL, em São Paulo

A crise na Síria - Mulher israelense carrega máscaras de gás distribuídas pelo Serviço Postal em Jerusalém nesta segunda-feira (26). Com o aumento de uma possível ameaça pela Síria, a procura pelo equipamento de proteção em caso de ataques químicos aumentouMenahem Kahana/AFP
Autoridades dos Estados Unidos começaram a se manifestar com maior alarde sobre o suposto uso de armas químicas pelo governo da Síria.
O secretário de Estado norte-americano, John Kerry, afirmou nesta segunda-feira (26), em telefonema para o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, ter "muitas poucas dúvidas" sobre o uso de armas químicas em ataque na Síria na última quarta-feira (21). A informação é da agência de notícias Ansa.
Fontes diplomáticas ouvidas pela Ansa disseram que Kerry afirmou que "se o regime sírio quisesse demonstrar ao mundo que não usou armas químicas durante o incidente, teria parado seu bombardeio na região e oferecido o acesso imediato da ONU cinco dias atrás".
Já para o secretário da Defesa norte-americano, Chuck Hagel, os Estados Unidos estão cada vez mais convencidos de que o regime sírio está por trás do ataque com armas químicas e estão considerando uma ação militar.
"Há fortes indícios na direção do uso de armas químicas pelo regime sírio. O governo está considerando suas opções de resposta e consultando nossos aliados internacionais", afirmou Hagel.
Potências falam em ação militar
Outros países que integram o Conselho de Segurança da ONU e possuem grande poderio militar subiram o tom das falas sobre represálias ao suposto uso de armas químicas pelo governo do presidente sírio Bashar Assad.
O ministro britânico das Relações Exteriores, William Hauge, afirmou nesta segunda que é possível que uma resposta contra a Síria aconteça sem a aprovação completa do Conselho de Segurança da ONU.
Já o primeiro-ministro francês, Jean-Marc Ayrault, declarou que a "comunidade internacional não pode deixar passar este crime contra a humanidade".
Uma fonte da Otan (aliança militar ocidental) afirmou que a organização mantém a situação na Síria sob "atenção constante" e considerou que, se for confirmado o uso de armas químicas, se trataria de um fato "completamente inaceitável" e uma clara violação das leis internacionais.
Segundo a fonte, a Otan considera, por esses motivos, "importante que a equipe da ONU tenha acesso à região para investigar essas horríveis informações".
A Otan não comentou as informações sobre uma possível intervenção militar na Síria, já cogitada por Estados Unidos, o Reino Unido e França - países que lideraram uma operação militar multinacional na Líbia em 2011, quando o ditador Muammar Gaddafi foi derrubado.
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Rússia diz não haver provas de ataque químico
A Rússia é a única voz dissonante entre as potências militares que se manifestaram nesta segunda-feira sobre o caso sírio.
O chefe da diplomacia russa, Sergue Lavrov, declarou que os ocidentais são incapazes de fornecer provas que sustentem as alegações sobre o ataque químico supostamente realizado pelo regime sírio.
"Eles não podem fornecer provas, mas dizem que a 'linha vermelha' foi cruzada e que não podemos mais esperar", declarou Lavrov durante uma coletiva de imprensa.
"Recorrer à violência sem a aprovação do Conselho de Segurança da ONU é uma grave violação do direito internacional", disse o ministro aos jornalistas, acrescentando que o ocidente se dirige para "um caminho muito perigoso".
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