Por MIRIAM LEITÃO - OGLOBO.COM.BR
O Copom se reúne esta semana para decidir a taxa de juros. A situação é complicada, porque desde o último encontro o quadro mudou, por conta de um fator novo, a disparada do dólar. O Banco Central teve que fazer um monte de operação e até anunciar a "ração diária de venda de dólar" ao mercado, através de derivativos. Essa ação de dar previsibilidade ao mercado cambial até o fim do ano funcionou, como vimos na sexta-feira. O dólar caiu um pouco, mas mesmo assim, está em outro patamar, ainda instável, e não está afastada a possibilidade de oscilações para cima e para baixo. O que o Fed, o BC dos EUA, decidir sobre a política monetária vai afetar todas as moedas no mundo.
A pergunta que fica para nós é a seguinte: essa alta do dólar será repassada aos preços? Há várias avaliações por aí. Acho que os empresários poderão repassar, mas não muito, porque a economia está fria. Eles terão de reduzir um pouco a margem. O problema é na Petrobras, que importa gasolina com prejuízo, o que pesa no balanço da empresa. E há expectativa de um aumento do combustível em algum momento. Uma alta da gasolina pode pesar bastante na inflação, que já está alta.
Enquanto isso, o que o BC pode fazer é manter a taxa de juros em alta. O mercado aposta na elevação da Selic em 0,5 ponto. Se a autoridade monetária não subir a taxa nesse momento, porque a economia está fria, acabaria estimulando o repasse do custo do dólar para o preço final dos produtos.
Portanto, apesar de a economia estar com baixo crescimento, o BC tem que continuar tentando reduzir a taxa de inflação.
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