segunda-feira, 15 de agosto de 2016

MUNDO: Comunidade muçulmana culpa Trump por assassinato de imã em Nova York

OGLOBO.COM.BR
POR O GLOBO / COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

Líderes advertem contra aumento de atos islamofóbicos nos Estados Unidos

Membros da comunidade muçulmana exibem retrato falado de suspeito pela morte de imã em Nova York - Craig Ruttle / AP

NOVA YORK — O assassinato de um imã e de seu assistente em plena luz do dia no popular distrito de Queens, em Nova York, no sábado, provocou reação imediata da comunidade muçulmana, que classificou o crime como um ato islamofóbico. Enquanto a polícia ainda caça o suspeito e tenta desvendar as suas motivações, as acusações respingaram no candidato republicano à Casa Branca Donald Trump, criticado por alimentar o clima de islamofobia nos Estados Unidos.
Em meio a uma onda de hostilidade contra muçulmanos em todo o país, o duplo homicídio perturbou muitos moradores na vizinhança, na fronteira entre o Brooklyn e o Queens, descrita como um hub crescente de famílias muçulmanas de Bangladesh.
Centenas de pessoas, em sua maioria muçulmanos, se reuniram na cena do crime aos gritos de “queremos justiça” e exibindo retratos do imã Maulama Akonjee, de 55 anos, pai de sete filhos. Outro grupo de moradores do bairro, líderes religiosos e muçulmanos concentraram-se diante de uma mesquita para compartilhar suas inquietudes em relação ao clima de hostilidade no país.
— É um crime motivado pelo ódio aos muçulmanos, são islamofóbicos os que causam este tipo de problema. Somos amantes da paz — afirmou Kobir Chowdhury, que dirige a mesquita de Masjid al-Aman, no Brooklyn, perto do lugar do crime.
RETÓRICA ANTI-ISLÃ ELEVA TENSÕES
Um frequentador da mesquita disse estar com medo. Outro culpou diretamente Trump pelo assassinato. Alvo de fortes críticas por propostas polêmicas contra imigrantes e por discursos anti-Islã, o magnata quer proibir a entrada de muçulmanos no país caso seja eleito presidente.
— Os Estados Unidos não são assim. Culpamos Donald Trump por isso. Trump e seu drama criaram a islamofobia — disse Khairul Islam, de 33 anos.
Sem citar o nome do candidato republicano, Zead Ramadan, presidente do Conselho de Relações Americano-Islâmicas em Nova York, relacionou o assassinato ao discurso político atual. Ramadan advertiu que a retórica anti-muçulmana e o aumento da islamofobia elevaram as tensões.
— Este é um crime contra a Humanidade — lamentou ele.
De acordo com o jornal “The New York Times”, citando uma análise do FBI, foram registrados uma média de 12,6 supostos crimes de ódio antimuçulmanos por mês nos últimos anos. O balanço, segundo o diário, parece ter alcançado o pico no último ano.
Embora a comunidade muçulmana não pareça ter dúvidas de que o caso do imã se enquadra em crime de ódio, os investigadores ainda não apontaram nenhum motivo para o assassinato. O gabinete do prefeito de Nova York afirmou que a polícia estava investigando o crime “sob todos os ângulos”.
— Não há nada na investigação preliminar que determine que foram atacados devido às suas crenças religiosas — declarou o inspetor Henry Sautner, do Departamento de Polícia de Nova York.
O imã Akonjee, originalmente de Bangladesh, e seu assistente Thara Uddin, de 64 anos, foram baleados na parte de trás da cabeça no sábado, pouco depois de participarem das orações da tarde na mesquita de al-Furqan Jame Masjid, no bairro de Ozone Park. Os dois usavam vestimentas tradicionais que permitiam que fossem identificados como muçulmanos. Akonjee levava mil dólares no momento do ataque, que não foram roubados.
Depois de atirar, o suspeito fugiu da cena do crime, segundo a polícia, que obteve a informação de testemunhas e de câmeras de segurança. Um retrato falado do criminoso mostra um homem com barba, óculos finos e cabelo curto.
Testemunhas o descreveram como um homem latino-americano alto, que estava usando camisa azul escura e calça. Falando sob a condição de anonimato, uma fonte policial disse que o crime parece ter sido planejado.
— Não há dúvida de que ele tinha os dois como alvo — explicou o funcionário. — Mas é difícil dizer o porquê.
HOMEM CALMO E PIEDOSO
Misba Abdin, de 47 anos, que frequenta a mesquita e é líder de uma organização sem fins lucrativos para moradores de Bangladesh no bairro, descreveu o imã como um homem calmo e piedoso, que “só ia para a mesquita e para casa".
As vítimas foram levadas ao Jamaica Hospital, situado nas imediações, onde foi constatado o óbito do imã. Uddin morreu em consequência dos ferimentos.”

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