segunda-feira, 15 de agosto de 2016

ECONOMIA: Focus: analistas elevam previsão de inflação a 7,31%

OGLOBO.COM.BR
POR ANDREA FREITAS

Relatório também aumenta projeção da taxa de juros para 13,75%

- Paulo Fridman / Bloomberg News

RIO - Os analistas do mercado financeiro consultados pelo Banco Central elevaram a previsão para a inflação deste ano de 7,20% para 7,31%. A piora acontece após a divulgação do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que acelerou na passagem de junho para julho de 0,35% para 0,52%. Para o ano que vem, a projeção para o índice de preços oficial do país foi mantida em 5,14%.
Se o IPCA de fato fechar 2016 em 7,31% será a segunda vez seguida que ficará acima do teto da meta estabelecida pelo governo. O objetivo do BC é que a taxa este ano fique em 4,5%, podendo variar dois pontos para cima ou para baixo. Em 2015, a inflação ficou em 10,67%.
Já para o ano que vem, a projeção dos analistas é de uma inflação abaixo do limite máximo estipulado pelo BC. O relatório Focus divulgado nesta segunda-feira manteve a projeção da semana passada de 5,14%. Em 2017, a meta de inflação também é 4,5%, mas a variação tolerada é menor, de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.
Puxado por alimentos, o IPCA de julho, ficou em 0,52%, acima da mediana das expectativas coletadas pela Bloomberg, de 0,45%. Nos doze meses encerrados em julho, a inflação ficou em 8,74%, desacelerando frente aos 8,84% registrados até junho. Já nos sete primeiros meses do ano acumula alta de 4,96% e já ultrapassa o centro da meta do BC.
Com a elevação da expectativa de inflação, o relatório Focus mostrou também uma piora na previsão para a taxa básica de juros. Em vez dos 13,50% ao ano, previstos na semana passada, a projeção é de que a Selic chegue ao fim do ano em 13,75%. Desde julho do ano passado, a taxa está em 14,25% ao ano. Para 2017, a Selic foi mantida em 11% ao ano pela sétima semana seguida.
Na sexta-feira, o presidente do BC, Ilan Goldfajn, afirmou que ainda existem riscos que podem ameaçar a recuperação do crescimento global e o excesso de liquidez nos mercados globais. Para ele, o cenário inspira cautela, e a autoridade monetária poderá atuar no mercado de câmbio se necessário, mas sempre com parcimônia.
E na ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) o BC indicou que não há espaço para corte na taxa básica de juros no curto prazo. No documento, estimou um inflação em torno de 6,75% neste ano.
Já a previsão para o desempenho da economia melhorou levemente pela terceira semana seguida. Em vez de recuo de 3,23%, a expectativa é que o tombo deste ano seja de 3,20%. Para o ano que vem, os analistas mantiveram a previsão de expansão de 1,10% pela quarta semana consecutiva.
A cotação esperada para o dólar no fim deste ano e do próximo foi mantida inalterada. A moeda americana deve encerrar 2016 em R$ 3,30 — há duas semanas os analistas mantêm este valor. Para o fim de 2107, o relatório indica há quatro semanas que a divisa deve valer R$ 3,50.

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