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JAMIL CHADE - CORRESPONDENTE DE O ESTADO DE S.PAULO
Bernardo Schiller Freiburghaus foi citado por ex-diretores da Petrobrás como o operador que facilitava a abertura de contas na Suíça para o recebimento da propina
GENEBRA - Bernardo Schiller Freiburghaus, citado por ex-diretores da Petrobrás como o operador que facilitava a abertura de contas na Suíça por anos para o recebimento da propina, vive em um dos endereços de maior prestígio de Genebra, perto dos bancos J. Safra, HSBC, Citibank ou Credit Suisse e às margens do Rio Ródano.
Segundo a imobiliária Grange, que se ocupa do apartamento do operador, o endereço está avaliado em 3,5 milhões de francos, cerca de R$ 10,6 milhões.
Ele foi citado pelo ex-diretor da estatal Paulo Roberto Costa e pelo ex-gerente Paulo Barusco, nas delações da Operação Lava Jato, como o homem recomendado para abrir contas na Suíça. Ele foi convocado pela Polícia Federal para prestar esclarecimentos no dia 5, mas não foi encontrado.
Prédio onde Bernardo Schiller Freiburghaus mora, na Suíça
O endereço em Genebra aparece em carta assinada por sua advogada, Fernanda Silva Telles, endereçada à Polícia Federal do Paraná. No documento, Freiburghaus se apresenta como "suíço", "economista" e "residente e domiciliado" no país europeu.
A defesa dele informou à PF o atual endereço da Diagonal Investimentos, empresa de Freiburghaus no Rio na qual ele foi procurado sem sucesso. "Embora esteja funcionando de forma precária, tendo em vista a expressiva diminuição de seus clientes, a empresa está regulamente constituída no endereço acima declinado", disse a advogada.
Segundo Fernanda, no dia 13, "após tomar conhecimento de que foi procurado para prestar esclarecimentos", o cliente informou que poderá ser notificado no atual endereço suíço.
Na terça, o Estado foi ao local em Genebra. Uma caixa de correio tem o nome B. Freiburghaus e outra, a inscrição Sr. e Sra. Freiburghaus. A porta foi aberta por uma mulher que, em português fluente, não disfarçou o nervosismo após a identificação do repórter. "Aqui não tem nenhum Bernardo", disse. Quando a reportagem explicou que o endereço estava na carta da advogada, a pessoa respondeu: "Vá perguntar a ela". Ao ser perguntada se Freiburghaus estava, disse: "Não". E bateu a porta.
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