Do POLÍTICA LIVRE
Por Raul Monteiro
Convém ao secretário estadual de Comunicação, Robinson Almeida, dar imediatamente publicidade ao texto aprovado pelo governo, segundo ele, com a participação de setores da sociedade civil e da mídia, criando o Conselho de Comunicação do Estado. Só assim será possível interromper a justificável onda criada contra o governo Jaques Wagner, na esteira das suspeitas levantadas pela movimentação registrada no governo Lula em torno da proposta de um sistema de “monitoramento” ou controle de veículos de comunicação que começa a ser também implementado por alguns Estados do país. Pelo visto – e a delicadeza do assunto o justifica – as declarações de Almeida esclarecendo que o Conselho restringirá seu papel à definição de políticas públicas para a área de comunicação – algo que sugere também certo nível de subjetividade – não foram suficientes para aplacar a desconfiança na Bahia de políticos, da própria mídia e, naturalmente, de jornalistas que defendem a liberdade de imprensa como princípio, não importam os questionamentos que se possam fazer sobre seus limites, contradições e injustiças. Daí porque, ao invés de permanecer se justificando ou assistindo à série de renovados ataques à proposta, que partem de todos os lados onde a preocupação com o controle da comunicação parece genuína, o secretário poderia abrir um debate sobre o conteúdo do texto que propõe a criação do Conselho, convidando todos os interessados para um esclarecimento geral e uma discussão profunda sobre seus preceitos. Além de permitir a pacificação da questão, a iniciativa tiraria o governo baiano da mira de especulações negativas sobre seu suposto plano de enquadramento da mídia que, com frequência, tem recebido, inclusive, o repúdio do próprio governador Jaques Wagner, o que não deixa de ser um alento a se comemorar, ainda que insuficiente, entretanto, para dissipar o temor que a questão naturalmente provoca na sociedade baiana.
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