quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

ECONOMIA: Cameron promete referendo sobre saída do Reino Unido da UE

De OGLOBO.COM.BR
COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

Países europeus criticam duramente a decisão do premier britânico
Referendo só poderá ser realizado se David Cameron for reeleito
David Cameron anuncia a promessa de referendo sobre a UE nesta quarta-feira - Matt Dunham / AP
LONDRES - A promessa de David Cameron de realizar um referendo sobre a saída do Reino Unido na União Europeia (UE) gerou uma onda de críticas de outros membros do bloco, incluindo França e Alemanha. Enquanto a chanceler alemã, Angela Merkel, foi mais contida, defendendo uma negociação justa com os britânicos, o chanceler francês, Laurent Fabius, disse que estenderia um tapete vermelho caso o Reino Unido queira deixar o grupo.
- Se o Reino Unido quiser sair da União Europeia, nós vamos estender o tapete vermelho para vocês - disse, em tom de ironia, Laurent Fabius, citando uma conversa que teve com um empresário britânico.
Em declaração mais cuidadosa, a chanceler alemã, Angela Merkel, afirmou que gostaria pessoalmente que o Reino Unido continuasse no grupo, mas que a necessidade de outros países nas negociações também tem que ser respeitada.
- A Alemanha e eu, pessoalmente, queremos que o Reino Unido seja uma parte importante e membro ativo da União Europeia. Nós estamos preparados para dialogar sobre os desejos dos britânicos, mas temos que ter sempre em mente que outros países também têm suas necessidades. Temos que atingir um compromisso justo. Nós vamos negociar intensamente com o Reino Unido sobre suas ideias individuais, mas isso deve durar meses - disse.
A promessa de David Cameron consiste em realizar uma consulta pública, até o fim de 2017, sobre a permanência do país na UE, caso seja reeleito em 2015. O governo britânico já estava negociando uma profunda mudança nas relações do país com o bloco, que inclui a devolução de diversas políticas, que atualmente pertencem à UE, ao Parlamento britânico. Se o Reino Unido deixar o grupo, será uma “viagem sem volta”, afirma Cameron.
- Será um referendo de dentro ou fora - afirmou o premier, em um discurso no distrito financeiro de Londres. - Chegou a hora dos britânicos falarem. É a hora de selar a questão europeia na política britânica. Se deixarmos a União Europeia, será uma viagem de ida, sem possibilidade de retorno - alertou.
Após o anúncio de Cameron, o líder da oposição trabalhista, Ed Miliband, acusou o premier de estar levando o país até um “precipício econômico” e de estar construindo o caminho para a saída da UE. Até o vice-primeiro-ministro britânico e liberal democrata, Nick Clegg, criticou a decisão do colega de coalizão. Segundo ele, o referendo “criará incerteza e terá um efeito negativo sobre o crescimento e a criação de empregos” no país.
De acordo com o jornal “El Mundo”, um grupo de 25 conservadores, entre eles Michael Ray Dibdin Heseltine - um dos responsáveis pela queda de Margaret Thatcher - escreveram uma carta ao premier pedindo “uma visão mais positiva do Reino Unido na Europa” e que a ênfase de seu discurso não seja a consulta popular para sair da UE. Por outro lado, conservadores radicais, como o ministro da Defesa britânico, Liam Fox, elogiaram a decisão de Cameron. Fox disse, em coletiva, que “escutou, por fim, palavras que estava esperando há muito tempo”.
No anúncio, Cameron aproveitou para fazer duras críticas ao bloco, que erra gravemente em sua “falta de competitividade e transparência” e “desconexão com os cidadãos”, em suas palavras. Ele também alertou que, se atual crise continuar, o continente pode perder dois terços de sua produtividade em duas décadas.
- Se seguir a tendência atual, a UE vai perder dois terços de sua produtividade em duas décadas. Mais do mesmo não vai solucionar problemas. O inimigo real da UE é a rejeição em aceitar uma nova maneira de ver as coisas. Precisamos de uma maior competitividade, mais flexibilidade e uma maior capacidade de adaptação.
Em parte de seu discurso, Cameron se aproximou tanto dos chamados “eurocéticos” que foi comparado ao pronunciamento de Margaret Thatcher em Bruges (1988). Definindo o Reino Unido como uma ilha, ele disse que seu país entrou na UE com uma “mentalidade mais prática do que emocional”.
- Temos o caráter de uma ilha: independentes, diretos e apaixonados na hora de defender a nossa soberania. Entramos na União Europeia com uma mentalidade mais prática do que emocional.
Para amenizar suas declarações, Cameron lembrou da importância que a integração de países europeus tem desempenhado em prol da paz e da estabilidade no continente, depois de duas guerras mundiais no século XX. No entanto, ele rapidamente acrescentou que o objetivo da UE atualmente "é alcançar a paz, mas para assegurar a prosperidade", exortando o bloco a aceitar as mudanças que irão ser propostas pelo Reino Unido.
As reformas incluiriam negociações com os sócios da União Europeia para aumentar a autonomia dos Estados, em especial em questões políticas, e consolidar o mercado comum. O líder conservador também definiu princípios para organizar as mudanças, entre eles a competitividade, pois "o coração da UE tem que ser, como é agora, o mercado único", e a flexibilidade, porque a "UE deve agir com rapidez e flexibilidade de uma rede de Estado, e não com o pesado bloco rígido ".
Cameron acrescentou que gostaria que seu país continuasse a integrar UE, mas, segundo o diário “El País”, sua proposta é uma aposta em que está em jogo o futuro e estabilidade da Europa inteira, considerando que o Reino Unido é um dos países menos afetados pela crise da dívida que assola o continente.

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