segunda-feira, 6 de junho de 2016

POLÍTICA: Após denúncias, Temer decide manter Henrique Alves, Osório e Fátima Pelaes

OGLOBO.COM.BR
POR SIMONE IGLESIAS

Ministro do Turismo, da AGU e Fátima Pelaes (Secretaria de Mulheres) permanecem no cargo

O Ministro do Turismo, Henrique Eduardo Alves, e o presidente interino, Michel Temer - Jorge William / Agência O Globo / 16-4-2015

BRASÍLIA - Em reunião na manhã desta segunda-feira, o presidente interino Michel Temer decidiu manter nos cargos três peemedebistas envolvidos em denúncia e desgastes nos últimos dias: Eduardo Alves (Turismo), Fábio Osório, da Advocacia-Geral da União (AGU) e Fátima Pelaes (Secretaria de Mulheres).
Citado em matéria do jornal “Folha de S.Paulo” como receptor de recursos desviados do esquema da Petrobras, o ministro Henrique Eduardo Alves (Turismo) permanecerá no comando da pasta. Na avaliação do presidente, as informações publicadas são "antigas". Henrique Alves já responde a inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF) por eventual envolvimento na Operação Lava-Jato. Terá que sair do governo se o inquérito apontar que tem culpa.
Fátima Pelaes: nomeada para a Secretaria de Políticas para a Mulher - Agência Câmara

Quanto ao advogado-Geral da União, Fábio Medina Osório, o presidente interino ficou incomodado com sua atuação nos últimos dias, mas resolveu conversar com o auxiliar e definir um "acordo de procedimento". Temer ficou contrariado por conta de o advogado não ter atuado para impedir a volta do presidente da EBC, escolhido pela presidente afastada Dilma Rouseff. O ministro do STF Dias Toffoli concedeu liminar a Ricardo Melo, determinando sua volta ao posto de presidente da EBC porque não teria sido feita a defesa do governo Temer na nomeação do jornalista Laerte Rímoli para o mesmo posto.
Fábio Medina Osório deverá assumir Advocacia-Geral da União em eventual governo Temer - Ailton Freitas 02-05-2016 / Agência O Globo

Outro problema no horizonte do governo era a nomeação de Fátima Pelaes para a Secretaria de Mulheres. Ela foi escolhida por Temer na semana passada, mas está sendo investigada por desvio de recursos de emendas parlamentares no âmbito da “Operação Voucher”. O presidente interino vai mantê-la no cargo, porque análise feita pela Abin (Agência Brasileira de Inteligência) e concluída na manhã desta segunda-feira apontou que ela não tem problemas legais que a impeçam de atuar na pasta.
Nesta segunda-feira, em mais um editorial dedicado à crise política no Brasil, o jornal americano "The New York Times" levantou dúvidas sobre o compromisso do presidente interino no combate à corrupção. No artigo intitulado "Medalha de ouro do Brasil para corrupção", a publicação sugere que Temer se posicione contra a imunidade de ministros e parlamentares, que tem viabilizado o que chamou de "cultura institucionalizada da corrupção e impunidade".

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