segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

CASO PETROBRÁS: Delegado e dois executivos são as primeiras testemunhas ouvidas pela Justiça no caso Petrobras

OGLOBO.COM.BR
POR CLEIDE CARVALHO E ANDRESSA MALTACA, ESPECIAL PARA O GLOBO

Márcio Anselmo, um dos coordenadores da Lava-Jato, além de Augusto Mendonça Neto e Julio Camargo prestarão depoimento a partir das 14h em Curitiba
​SÃO PAULO e CURITIBA. A 13ª Vara da Justiça Federal de Curitiba começa a ouvir nesta segunda-feira três das 13 testemunhas de acusação arroladas pelo Ministério Público Federal em seis ações relativas ao escândalo Petrobras. Irão depor nesta segunda-feira, a partir das 14h: o delegado da Polícia Federal Márcio Adriano Anselmo, um dos coordenadores da Operação Lava Jato; e os executivos Augusto Ribeiro de Mendonça Neto e Julio Gerin de Almeida Camargo, ligados à Toyo Setal. A empresa, controlada pela japonesa Toyo Engineering, tem contratos de cerca de R$ 4 bilhões com a estatal. As testemunhas serão ouvidas pelo juiz federal Sérgio Moro.
Julio Camargo foi o primeiro dos executivos das grandes empresas a assinar um acordo de delação premiada e deve revelar detalhes sobre como funcionava o esquema de divisão de obras da Petrobras entre as empreiteiras. O nome de dele havia sido citado pelo ex-diretor de Abastecimento da estatal, Paulo Roberto Costa, em um documento apreendido pela Polícia Federal na casa dele. No papel, Costa enumerou o nome de executivos de fornecedores da Petrobras e a disposição de cada um para contribuir para uma campanha política.
Augusto Ribeiro de Mendonça Neto também fez acordo de delação premiada. Mendonça Neto faz parte do conselho de administração da EBR (Estaleiros do Brasil), empresa instalada no Rio Grande do Sul e controlada pela Toyo. Ele é vice-presidente do Sinaval, sindicato das empresas que fazem navios e plataformas para extração de petróleo.
Uma empresa dele, a Tipuana Participações, depositou R$ 7,3 milhões em contas controladas pelo doleiro Alberto Youssef, segundo laudos da Polícia Federal. Como as empresas de Youssef nunca tiveram atividade, os procuradores acreditam que as transferências eram repasse de propina. O empreiteiro Augusto Ribeiro Mendonça Neto era representante de várias empresas desde a década de 90, entre elas a Setal Engenharia, depois transformada em Toyo Setal.
Em depoimento no ano passado, já na delação premiada, ele disse ter feito o pagamento de parte da propina cobrada por ex-diretores da Petrobras na forma de doação oficial para campanhas eleitorais do Partido dos Trabalhadores (PT). Na época ele declarou que “aproximadamente R$ 4 milhões” foram pagos em doações ao PT entre os anos de 2008 e 2011.
O doleiro Alberto Youssef confirmou essa hipótese nos depoimentos que prestou após fazer o acordo de delação.
Os dois executivos deverão depor em pelo menos cinco das audiências programadas para até o final da semana que vem em Curitiba. Segundo as investigações, ao todo Mendonça Neto e Julio Camargo admitiram participação no pagamento de pelo menos R$ 152 milhões de propinas vinculadas a contratos com a Petrobras.
Apenas três dessas treze testemunhas não têm envolvimento direto com as obras da Petrobras que tiveram dinheiro desviado e com o esquema montado pelo doleiro Alberto Youssef para escamotear e lavar dinheiro de propina. Essas três testemunhas trabalham na investigação: o delegado Anselmo e dois funcionários da Petrobras que coordenaram as Comissões Internas de Apuração das obras da refinaria Abreu e Lima e do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj) - Gerson Luiz Gonçalves (Abreu e Lima) e Pedro Aramis de Lima Arruda (Comperj).
As audiências referem-se a seis ações judiciais em andamento, que tiveram origem na sétima fase da Operação Lava-Jato, que prendeu dirigentes de empreiteiras envolvidas. Em cinco dessas ações os réus são da iniciativa privada, basicamente de grandes empreiteiras. A sexta ação tem como principais réus o diretor da área internacional da Petrobras, Nestor Cerveró, e o lobista Fernando Soares, o Fernando Baiano, apontado como operador do PMDB.
Além de Augusto Mendonça Neto e Júlio Gerin Camargo, o ex-diretor da área de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa e o doleiro Alberto Youssef também realizaram acordos de delação premiada com a Justiça.
Os demais depoentes arrolados pelo MPF são Venina Fonseca, ex-funcionária da Petrobras que foi responsabilizada por irregularidades pela Comissão Interna de Apuração das obras da Refinaria Abreu e Lima; Leonardo Meirelles, que fez remessas para o exterior usando a empresa Labogen; Meire Poza, que trabalhou como contadora para Youssef e Carlos Alberto Pereira da Costa, que assinava como sócio de empresas de fachada usadas pelo doleiro. Marcelino. Guedes Ferreira Mosqueira Gomes foi presidente da Refinaria de Abreu e Lima. Mauro Grecco, funcionário do departamento jurídico da Camargo Côrrea, declinou de ser testemunha pelo vínculo empregatício com a construtora.
Venina é uma espécie de testemunha-chave, pois afirmou que todos os diretores da Petrobras sabiam do esquema de desvio de dinheiro da empresa e guardava arquivos em seus computadores de mais de 10 anos na Petrobras. Segundo seus advogados, todos foram entregues ao Ministério Público Federal. O primeiro depoimento dela à Justiça Federal do Paraná estaria marcado para quinta-feira, dia 5. Mas a Justiça Federal confirma o primeiro depoimento somente na sexta-feira.
Abaixo, os principais depoimentos, ainda sujeitos a confirmação
02/02: Processo Camargo Correa
Marcio Adriano Anselmo
Augusto Mendonça Filho
Julio Gerin de Almeida Camargo
03/02: Processo Engevix
João Procópio Junqueira Pacheco de Almeida Prado
Augusto Ribeiro
Julio Gerin Almeida Camargo
Meire Poza
Leonardo Meirelles
04/02: Processo OAS
Marcio Adriano Anselmo
Augusto Mendonça Neto
Julio Gerin Almeida Camargo
Meire Poza
Leonardo Meirelles
05/02: Processo OAS
Pedro Aramis de LIma Arruda
Gerson Luiz Gonçalves
Marcelino Guedes Ferreira Mosqueira Gomes
Venina Velosa da Fonseca
06/02: Processo Camargo Correa
Mauro Greco, funcionário da Camargo Correa
Gerson Luiz Gonçalves
Marcelino Guedes Ferreira Mosqueira Gomes
Venina Velosa da Fonseca
09/02: Processo Galvão Engenharia
Marcio Adriano Anselmo
Augusto Ribeiro de Mendonça Neto
Julio de Almeirda Camargo
Leonardo Meirelles
Meire Poza
10/02: Processo Galvão Engenharia
Pedro Aramis de Lima Arruda
Gerson Luiz Gonçalves
Marcelino Guedes Mosqueira Gomes (presidente Refinaria Abreu e Lima)
Venina Velosa da Fonseca
11/02: Processo Mendes Junior
Augusto Mendonça Neto
Julio Gerin Almeida Camargo
Meire Poza
Leonardo Meirelles
12/02: Processo Mendes Junior
Pedro Aramis de Lima Arruda
Gerson Luiz Gonçalves
Marcelino Guedes Ferreira Mosqueira Gomes
Venina Velosa da Fonseca
Victorio Semionato (video)
Alexandre Câmara Nascimento (vídeo)
13/02: Processo Cerveró/ Baiano
Paulo Roberto Costa
Carlos Alberto Pereira da Costa

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