De O GLOBO on line
BRUXELAS, KIEV, TEERÃ e WASHINGTON - Líder das negociações para a aprovação na Organização das Nações Unidas (ONU) de novas sanções contra o Irã, o governo dos Estados Unidos classificou como "um passo positivo" o acordo assinado em Teerã para trocar urânio iraniano por combustível nuclear produzido no exterior, mas considerou que a medida é insuficiente para eliminar as preocupações sobre o programa nuclear da República Islâmica. França, Reino Unido e Rússia - que junto com EUA e China formam o grupo dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU - também mostraram ceticismo em relação aos resultados do acordo, mediado por Brasil e Turquia.
"O Irã precisa dar os passos necessários para assegurar à comunidade internacional que seu programa nuclear tem objetivos exclusivamente pacíficos", disse, em comunicado, Robert Gibbs, porta-voz da Casa Branca, acrescentando que a continuação do enriquecimento de urânio no Irã viola resoluções da ONU e que o país deve cumprir suas obrigações internacionais ou enfrentar as consequências, incluindo sanções. "Os Estados Unidos e a comunidade internacional continuam tendo sérias preocupações".
Gibbs reconheceu os esforços feitos por Turquia e Brasil, mas afirmou ainda que o acordo precisa ser submetido à Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) antes de ser considerado pela comunidade internacional. Para o presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, o acordo pode não satisfazer completamente a comunidade internacional, já que autoridades iranianas deram sinais de que o país pretende continuar enriquecendo urânio a 20% dentro de seu território. Medvedev disse que pretendia conversar ainda nesta segunda-feira com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que comemorou o resultado das negociações em Teerã, afirmando que a "diplomacia saiu vencedora".
- Uma questão é: o Irã vai enriquecer urânio? Pelo que eu entendi de autoridades daquele Estado, este trabalho continuará. Nesse caso, é claro, aquelas preocupações que a comunidade internacional tinha antes podem permanecer - disse o presidente russo, em visita a Kiev, acrescentando que será necessário consultar o Irã e os países envolvidos nas negociações sobre seu programa nuclear. - Depois disso, nós precisamos decidir o que fazer. Essas propostas são suficientes ou algo mais é necessário? Então eu acho que uma pequena pausa sobre esse problema não fará mal.
Antes da divulgação das declarações da Casa Branca, o embaixador da Turquia em Washington, Namik Tan, disse acreditar que o acordo atendia a todas as demandas dos EUA.
- Nós entregamos o que eles estavam pedindo - disse Tan. - Se nós não conseguirmos obter uma reação positiva, será uma frustração. Para chancelaria do Reino Unido, esforços por sanções devem continuar
Para o ministério de Relações Exteriores do Reino Unido, os esforços por novas sanções contra a República Islâmica devem ser levados adiante até que o país possa garantir ao mundo que seu programa nuclear é pacífico.
"O Irã tem uma obrigação de garantir à comunidade internacional que suas intenções são pacíficas", disse em comunicado Alistair Burt, representante do Ministério de Relações Exteriores britânico.
Já o porta-voz da chancelaria francesa, Bernard Valero, afirmou que a troca de combustível nuclear poderia favorecer a confiança internacional em relação ao Irã, mas já se mostrou cético quanto às consequências do acordo.
"Não vamos nos enganar, a solução para a questão (do combustível), se acontecer, não fará nada para resolver o problema imposto pelo programa nuclear iraniano", disse, em comunicado.
Para a Comissão Europeia, o acordo pode ser um passo na direção certa, mas os detalhes ainda precisam ser analisados. Um porta-voz do órgão executivo da União Europeia disse que a alta representante do bloco para assuntos internacionais, Catherine Ashton, está pronta para se reunir com autoridades iranianas para encontrar uma solução "completa" para o impasse envolvendo as atividades de enriquecimento de urânio do Irã.
- Temos de esperar pelos detalhes completos do acordo - disse um porta-voz. - Esse acordo, embora seja um passo positivo na direção correta, não lida completamente com todas as questões envolvendo o programa nuclear do Irã.
Em uma resposta cautelosa, a Alemanha também pediu mais detalhes sobre o acordo antes de fazer uma avaliação.
"Antes de mais nada, precisamos saber exatamente o que foi acordado", disse um porta-voz do governo alemão em uma entrevista coletiva, acrescentando que, para a Alemanha, é importante que o Irã atenda as exigências estabelecidas pela Organização das Nações Unidas (ONU).
A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), ligada à ONU, ainda anão havia divulgado qualquer comentário oficial sobre o assunto. Segundo diplomatas em Viena, a AIEA parece não ter sido informada sobre os termos do acordo.
"O Irã precisa dar os passos necessários para assegurar à comunidade internacional que seu programa nuclear tem objetivos exclusivamente pacíficos", disse, em comunicado, Robert Gibbs, porta-voz da Casa Branca, acrescentando que a continuação do enriquecimento de urânio no Irã viola resoluções da ONU e que o país deve cumprir suas obrigações internacionais ou enfrentar as consequências, incluindo sanções. "Os Estados Unidos e a comunidade internacional continuam tendo sérias preocupações".
Gibbs reconheceu os esforços feitos por Turquia e Brasil, mas afirmou ainda que o acordo precisa ser submetido à Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) antes de ser considerado pela comunidade internacional. Para o presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, o acordo pode não satisfazer completamente a comunidade internacional, já que autoridades iranianas deram sinais de que o país pretende continuar enriquecendo urânio a 20% dentro de seu território. Medvedev disse que pretendia conversar ainda nesta segunda-feira com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que comemorou o resultado das negociações em Teerã, afirmando que a "diplomacia saiu vencedora".
- Uma questão é: o Irã vai enriquecer urânio? Pelo que eu entendi de autoridades daquele Estado, este trabalho continuará. Nesse caso, é claro, aquelas preocupações que a comunidade internacional tinha antes podem permanecer - disse o presidente russo, em visita a Kiev, acrescentando que será necessário consultar o Irã e os países envolvidos nas negociações sobre seu programa nuclear. - Depois disso, nós precisamos decidir o que fazer. Essas propostas são suficientes ou algo mais é necessário? Então eu acho que uma pequena pausa sobre esse problema não fará mal.
Antes da divulgação das declarações da Casa Branca, o embaixador da Turquia em Washington, Namik Tan, disse acreditar que o acordo atendia a todas as demandas dos EUA.
- Nós entregamos o que eles estavam pedindo - disse Tan. - Se nós não conseguirmos obter uma reação positiva, será uma frustração. Para chancelaria do Reino Unido, esforços por sanções devem continuar
Para o ministério de Relações Exteriores do Reino Unido, os esforços por novas sanções contra a República Islâmica devem ser levados adiante até que o país possa garantir ao mundo que seu programa nuclear é pacífico.
"O Irã tem uma obrigação de garantir à comunidade internacional que suas intenções são pacíficas", disse em comunicado Alistair Burt, representante do Ministério de Relações Exteriores britânico.
Já o porta-voz da chancelaria francesa, Bernard Valero, afirmou que a troca de combustível nuclear poderia favorecer a confiança internacional em relação ao Irã, mas já se mostrou cético quanto às consequências do acordo.
"Não vamos nos enganar, a solução para a questão (do combustível), se acontecer, não fará nada para resolver o problema imposto pelo programa nuclear iraniano", disse, em comunicado.
Para a Comissão Europeia, o acordo pode ser um passo na direção certa, mas os detalhes ainda precisam ser analisados. Um porta-voz do órgão executivo da União Europeia disse que a alta representante do bloco para assuntos internacionais, Catherine Ashton, está pronta para se reunir com autoridades iranianas para encontrar uma solução "completa" para o impasse envolvendo as atividades de enriquecimento de urânio do Irã.
- Temos de esperar pelos detalhes completos do acordo - disse um porta-voz. - Esse acordo, embora seja um passo positivo na direção correta, não lida completamente com todas as questões envolvendo o programa nuclear do Irã.
Em uma resposta cautelosa, a Alemanha também pediu mais detalhes sobre o acordo antes de fazer uma avaliação.
"Antes de mais nada, precisamos saber exatamente o que foi acordado", disse um porta-voz do governo alemão em uma entrevista coletiva, acrescentando que, para a Alemanha, é importante que o Irã atenda as exigências estabelecidas pela Organização das Nações Unidas (ONU).
A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), ligada à ONU, ainda anão havia divulgado qualquer comentário oficial sobre o assunto. Segundo diplomatas em Viena, a AIEA parece não ter sido informada sobre os termos do acordo.
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