domingo, 8 de novembro de 2009

ARTIGO: Em agradecimento ao defunto

Do BAHIA NOTÍCIAS
Samuel Celestino, Jornalista

Meio irônico e sarcástico, Fernando Henrique Cardoso fez o que mais gosta, no meio da semana que passou: palestra temperada com política. Falou sobre o “Brasil pós-crise: uma agenda para a próxima década”, na fundação que leva o seu nome, em São Paulo.
Esqueceu das críticas que costuma fazer a Lula pelos discursos disparatados que o presidente pronuncia (que, aliás, segundo Caetano Veloso, em entrevista, considerou-o “analfabeto, cafona e meio grosseiro, ao contrário de Marina Silva”). FHC tratou da política estabelecendo Dilma como ponto de análise.
O ex-presidente chegou a fazer (mera concessão) alguns elogios a Lula, ao dizer que ele pode transferir, sim, votos para Dilma Rousseff, que ocupou o lugar de Marisa Letícia nas viagens do presidente, mas se comporta como um jarro, sem que isso signifique que enfeite o ambiente.
Ela chama atenção e fica como paisagem nas viagens que Luís Inácio faz Brasil afora.
FHC discorda dos que imaginam que já não se transfere votos. Talvez nem tanto como antigamente, mas ainda ocorre. Lembra que Dilma não tinha nada e, agora, aparece com 16% a 17% nas pesquisas, transferidos por Lula,embora já tenha marcado índice maior. Ela está “apoitada” – como se reportam os pescadores na Baía de Todos os Santos, numa referência a ancorar o barco. A ministra lançou sua “poita” que “garrou” seu barco, mas não acertou no “pesqueiro”. Daí não conseguiu, até aqui, fisgar nada.
Mas ainda é cedo. Lula acha que o cardume (de votos) ainda está por vir.
Bem, ele tem feito de tudo.
No momento, trabalha para sensibilizar os defuntos. Vem aí, em ano eleitoral, com o “bolsa-funeral”, para se somar ao bolsa-família. É certo que conseguirá nada do defunto de “cova rasa”, como cantou o poeta-diplomata João Cabral de Melo Neto em “Morte e Vida Severina”. Lula está a pensar na família do morto que, naturalmente, tem título de eleitor para agradecer nas urnas os sete palmos de terra, latifúndio concedido por ele ao indigitado que se foi. Ou ao“desgraçado” que deixou a família na miséria, como costumava dizer meu falecido tio Mimia, eterno candidato (sempre derrotado) a prefeito de Itabuna, dono de uma funerária.
Na palestra, FHC fugiu da polêmica, abandonando o “subperonismo” usado para rotular o estilo Lula. Lembrou que o candidato da oposição (Serra) tem 40% das intenções de votos. Dilma tem apenas 16%, mas,na sua ironia, foi generoso ao dizer que o presidente transfere votos porque tem 65% a 70%. O ex-presidente não conseguiu segurar a generosidade por muito tempo. Sapecou: “Como não transfere? Já transferiu 16%.
Ela não tinha nada, tinha zero.
Ele transferiu (os 16%) e pode transferir mais”. Para o ex-presidente, a campanha de 2010 deve levar o eleitor ao futuro, e não ao passado. A oposição, aconselhou ele, deve criar horizonte e “não discutir números”.
Nesse aspecto de “levar o leitor ao futuro”, FHC toca um pouco na Bahia porque, por ora, neste início de campanha, observam-se muitas estocadas eleitorais, tipo “olhar pelo retrovisor”, “herança maldita” e citações desse naipe.
FHC, creio, está certo. O que passou, passou, o que interessa ao eleitor, ao brasileiro, é mesmo o futuro e não mergulhar no passado.
Disse ele: “Na política, você tem que criar um horizonte.
Despertar confiança não é discutir número. Isso depende do personagem. Depende do desempenho. Mesmo com os dados que dei, que são verdadeiros, isso não assegura a vitória. Porque vai depender do desempenho. Mas o contrário também é verdadeiro.
Você ter o apoio de alguém que tem muito voto não assegura a vitória. Depende do desempenho e da capacidade. Isso não é transferência de voto, é identidade de percepção da pessoa. Este é igual àquele. Aí você pode ter. E é raro ter transferência”.
Observem que, nesse último trecho aspeado, FHC usa o seu lastro intelectual mas, não consegue ser didático explicando corretamente o que quer dizer. Ficou muito confuso.
Numa interpretação (minha) talvez seja o arremate do sarcasmo contido quando diz que Dilma tinha zero e que agora tem 16% – transferência de Lula – mas entende que não é a transferência pura e simples “que é raro”, e sim a identidade de percepção da pessoa. Enfim, FHC reconhece Lula, mas ainda não o faz em relação à Dilma Rousseff. De resto, tomando como base esse trecho por mim citado, seguramente, com mais empenho FHC faria palestra melhor.
“Ferro na boneca”
O Tribunal de Contas do Estado, TCE, saiu dos trilhos e perdeu a elegância. Imaginem que é um colegiado constituído de apenas sete conselheiros.
Desses, dois sentiram-se mal com a discussão gerada por França Teixeira que, quando radialista, chamava o falecido senador ACM de “o Pelé branco das construções públicas”.O centro médico do TCE foi acionado.
Tudo em razão da carta enviada pelo governador Jaques Wagner ao Tribunal, comentando a posição do conselheiro Pedro Lino. Um fato normalíssimo sob qualquer ótica e natural num sistema democrático, como lembrou o governador.
Enfim, o TCE descalçou as suas sapatilhas altas, e enfiou o pé na lama, adotando palavras impróprias para menores de 18 anos. Mas usando sempre o tratamento “Vossa excelência”. Beleza Pura. E toca o bonde.

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