Na penumbra
Raiava, ao longe, em fogo a lua nova,
Lembras-te?... apenas reluzia a medo,
Na escuridão crepuscular da alcova
O diamante que ardia-te no dedo...
Nesse ambiente tépido, enervante,
Os meus desejos quentes, irritados,
Circulavam-te a carne palpitante,
Como um bando de lobos esfaimados...
Como que estava sobre nós suspensa
A pomba da volúpia; a treva densa
Do teu olhar tinha tamanho brilho!
E os teus seios que as roupas comprimiam,
Tanto sob elas, túmidos, batiam,
Que estalavam-te o flácido espartilho!
Raimundo da Mota Azevedo Correia nasceu a bordo de um navio em águas maranhenses em 1839 e faleceu em Paris em 1913. Foi um dos mais notáveis poetas parnasianos. Formava a "Tríade Parnasina" ao lado de Olavo Bilac e Alberto Oliveira. Foi advogado de bela carreira e tinha uma poesia inclinada aos sentimentos profundos e, muitas vezes, no sombrio. Um dos grandes poetas brasileiros. Leia mais sobre Raimundo Correia.
Do blog do NOBLAT
Raiava, ao longe, em fogo a lua nova,
Lembras-te?... apenas reluzia a medo,
Na escuridão crepuscular da alcova
O diamante que ardia-te no dedo...
Nesse ambiente tépido, enervante,
Os meus desejos quentes, irritados,
Circulavam-te a carne palpitante,
Como um bando de lobos esfaimados...
Como que estava sobre nós suspensa
A pomba da volúpia; a treva densa
Do teu olhar tinha tamanho brilho!
E os teus seios que as roupas comprimiam,
Tanto sob elas, túmidos, batiam,
Que estalavam-te o flácido espartilho!
Raimundo da Mota Azevedo Correia nasceu a bordo de um navio em águas maranhenses em 1839 e faleceu em Paris em 1913. Foi um dos mais notáveis poetas parnasianos. Formava a "Tríade Parnasina" ao lado de Olavo Bilac e Alberto Oliveira. Foi advogado de bela carreira e tinha uma poesia inclinada aos sentimentos profundos e, muitas vezes, no sombrio. Um dos grandes poetas brasileiros. Leia mais sobre Raimundo Correia.
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