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POR MARINA BRANDÃO / ANA PAULA RIBEIRO
Na máxima a moeda americana chegou a R$ 3,412; estrangeiros saem de ativos de maior risco

- Akos Stiller / Bloomberg
RIO e SÃO PAULO - A indefinição no cenário político serviu para piorar o humor do mercados locais nessa segunda-feira. A moeda americana sobe 0,97%, cotada a R$ 3,401, a maior cotação desde maio do ano passado. Na máxima, já chegou a R$ 3,412. A divisa sobe em meio a saída de estrangeiros, que buscam proteção em ativos mais seguros. A Bolsa, por sua vez, perde o patamar dos 84 mil pontos e recua a 1,37% aos 83.660 pontos.
Julio Hegedus Netto, economista-chefe da Lopes & Filho Consultoria, avalia que a falta de definição para as eleições ganhou força hoje. Segundo ele, apesar da prisão do ex-presidente Luiz Inacio Lula da Silva, os investidores ainda não veem qual seria o candidato de centro mais competitivo e com chances de vencer em outubro.
— É uma piora devido ao mercado interno. Há uma indefinição muito grande no cenário político e isso estressa o mercado. Além disso, há a sessão no Supremo Tribunal Federal (STF), que também está no radar — disse, sobre a sessão que deve avaliar um pedido de liminar contra o cumprimento de pena do ex-presidente, após decisão em segunda instância.
O dólar aqui sobe mesmo com a moeda perdendo força no exterior. O "dollar index" recua 0,24%. Contra os emergentes, pesa o fato dos Estados Unidos terem anunciado medidas contra a Rússia, além da guerra comecial entre Estados Unidos e China.
— O principal impacto do dólar vem do cenário externo. Embora as bolsas americanas estejam operando em terreno positivo, há uma clara busca por segurança, principalmente depois de o presidente Trump anunciar sanções à Rússia. A queda do rublo acaba contaminando a cesta de moedas emergentes, que caem de maneira geral — avalia Cleber Alessie, operador de câmbio da corretora H. Commcor.
O rublo russo registrou sua maior queda diária em mais de dois anos nesta segunda-feira, e ações das maiores companhias russas também recuaram em uma reação preocupada de investidores à nova rodada de sanções americanas contra empresários e autoridades da Rússia, anunciadas na sexta-feira.
Na sexta-feira, os EUA anunciaram sanções contra 14 instituições e 24 indivíduos — sete empresários e 17 autoridades do governo russo — sob alegação de participarem de “atividades malignas” da Rússia para subverter democracias ocidentais. Com foco em oligarcas ligados ao presidente Vladimir Putin, Washington culpou de conivência com o “sistema corrupto” figuras diretamente envolvidas com o chefe do Kremlin.
Todas as ações tradicionalmente mais negociadas operam em queda. As preferenciais (PNs, sem direito a voto) da Petrobras recuam 2,11%, cotadas a R$ 20,83, e as ordinárias 1,90%, a R$ 23,13. Recuo também entre os bancos, que possuem o maior peso na composição do Ibovespa. As PNs do Itaú Unibanco e do Bradesco caem, respectivamente, 1,85% e 2,97%.
As ações da Eletrobras também continuam em queda após mudança no Ministério de Minas e Energia, com a ida de Moreira Franco para a pasta. As preferenciais caem 5,84% e as ordinárias registram desvalorização de 7,73%. Com as mudanças no ministério, investidores veem maior dificuldade em aprovar a privatização da estatal neste ano.
Já o destaque da alta é a Marfrig, que dispara 18%, a R$ 7,34, após aquisição da americana National Beef Packing Company, nos Estados Unidos. Na máxima, as ações da empresa chegaram a subir 20,10% – maior alta desde agosto 2007 e nível mais elevado desde maio de 2017.
Além da preocupação em torno das eleições presidenciais de outubro, o câmbio é pressionado pela exterior, cuja direção permanece indefinida. Com câmbio sob pressão, o Banco Central (BC) inicia rolagem de swaps de maio e sinaliza renovação integral dos contratos.
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