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POR O GLOBO / COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS
Governo deverá levar até oito mil pessoas a centros de acolhimento

Imigrantes são vistos dentro do campo de Calais durante desmantelamento do local, no Norte da França - PHILIPPE HUGUEN / AFP
CALAIS — A França começou na manhã desta segunda-feira a demolir a “Selva” de Calais, um gigante campo de refugiados que se tornou símbolo da crise migratória que atinge a Europa. Ao todo, entre seis mil e oito mil pessoas que vivem em condições subumanas no campo serão levadas de ônibus a 300 centro de acolhida em todo o território francês. Nas primeiras horas do dia, mais de 700 imigrantes deixaram o local a bordo de 17 ônibus, segundo o Ministério do Interior.
Centenas de migrantes do Sudão e da Eritreia, em sua maioria homens, faziam fila com seus pertences diante do hangar onde funciona a base de operações.
— Qualquer lugar da França é melhor que Calais — disse o sudanês Bashir, de 25 anos, o primeiro da fila.
Os primeiros ônibus partiram menos de uma hora depois que os trabalhadores de imigração começaram a operação, e as autoridades previram que cerca de 2.500 pessoas deixariam o campo no primeiro dia.
A expectativa do governo francês é que a operação esteja concluída em cerca de uma semana. Dada a dimensão do campo, o governo mobilizou 1.250 policiais para a remoção dos migrantes e diz ter providenciado acomodação para 7.500 pessoas.
— Espero que isso funcione. Eu estou sozinho e eu só tenho que estudar — disse Amadou Diallo, da Guiné. — Não importa onde eu irei, eu realmente não me importo.
O desmanche do campo foi anunciado em setembro. A Selva, um enorme aglomerado de barracos, começou a surgir há um ano e meio, ocupado majoritariamente por imigrantes vindos do Afeganistão, do Sudão e da Eritreia e que pretendiam chegar ao Reino Unido.
Desde domingo, as autoridades vêm distribuindo folhetos em vários idiomas para explicar a operação e convencer os mais reticentes. Nos últimos dias, muitos migrantes abandonaram o campo por conta própria, buscando um forma de atravessar o Canal da Mancha e chegar ao Reino Unido.

Migrantes carregando seus pertences deixam o campo de Calais, no Norte da FrançaFoto: Thibault Camus / AP

Migrantes aguardam em fila para se registrarem Foto: Emilio Morenatti / AP

Nas primeiras horas do dia, 700 migrantes foram levados a um dos cerca de 300 centros de acolhida na FrançaFoto: Thibault Camus / AP
A solução apresentada pelo governo francês está longe de ser uma unanimidade. Partidos de oposição, especialmente na direita, destacaram o risco de se criarem “miniCalais” em todo o país. Além da logística, a retirada dos migrantes também é delicada em termos de segurança. Na noite de domingo, houve conflitos, e a polícia teve de usar bombar de gás lacrimogêneo.

Campo de refugiados de Calais
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