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POR O GLOBO / COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS
Documentos já foram catalogados e digitalizados. Vítimas acusam Igreja Católica de cumplicidade com regime militar

Papa Francisco durante a cerimônia que santificou quatro padres, dois mártires e uma freira - Andrew Medichini / AP
CIDADE DO VATICANO — O Vaticano e a Igreja Católica da Argentina afirmaram ter terminado de catalogar seus arquivos sobre a ditadura no país e irão disponibilizá-los às vítimas que acusam a igreja de cumplicidade com o regime militar.
Uma declaração conjunta publicada nesta terça-feira explicou que o processo de catalogação e digitalização tinha sido concluído, e os procedimentos para o acesso das vítimas seriam o próximo passo.
O comunicado diz ainda que a decisão de abrir os arquivos do Vaticano, de sua embaixada em Buenos Aires e da conferência dos bispos argentinos foi feita “a serviço da verdade, da justiça e da paz”.
O Papa Francisco se comprometeu a abrir os arquivos após ser pressionado por parentes de desaparecidos, especialmente pelas Mães da Praça de Maio. Ele era o jesuíta superior na Argentina durante a ditadura de 1976-1983.
Francisco começou a analisar o pedido de várias ONGs argentinas em 2013 e, em 2015, o Vaticano começou a trabalhar no processo prévio à abertura dos arquivos, que poderia demorar cerca de um ano.
Nos últimos anos, a condenação de padres como Christian Von Wernich, detido na Prisão de Marcos Paz junto com outros ex-repressores, confirmou a cumplicidade de setores da Igreja com os militares.
Em 2014, o Papa permitiu a divulgação de cartas escritas pelo bispo de La Rioja, Enrique Angelelli, assassinado durante a ditadura. Os documentos foram cruciais para condenar os assassinos.
As ONGs locais esperam que outros documentos do Vaticano e, também, da Igreja argentina, possam ajudar em dezenas de processos judiciais que continuam avançando em tribunais de todo o país.
BUSCA DE NETOS DESAPARECIDOS
Em 2013, pela primeira vez, a Igreja local comprometeu-se a ajudar as Avós da Praça de Maio na busca de seus netos desaparecidos.
A mudança de atitude das autoridades eclesiásticas locais foi consequência de um pedido que as avós argentina fizeram ao Papa, pouco depois de sua entronização.
As avós pretendem, especialmente, ter acesso aos arquivos do Movimento Familiar Cristão, que teria estado vinculado à entrega de bebês a famílias de civis e militares. A ONG também pediu os registros de batizado realizados entre 1976 e 1983 em capelas nas quais supõe que poderiam ter sido entregues alguns dos netos.
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