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COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS
Ainda não está claro quantos sequestrados e militantes permanecem em shopping de Nairóbi
Ministro afirma que operação está perto do fim

Forças Armadas do Quênia cercam o shopping Westgate, em Nairobi - SIMON MAINA / AFP
NAIRÓBI - A maioria das pessoas retidas no shopping em Nairóbi foi libertada e dois sequestradores foram mortos pelas forças armadas quenianas, informou o ministro do Interior Joseph Ole Lenku nesta segunda-feira, no terceiro dia de um ataque que deixou 69 mortos e mais de 170 feridos. Mais cedo, um intenso tiroteio acompanhado por ao menos duas explosões foram ouvidos de dentro do shopping Westgate, onde militantes islâmicos ligados à al-Qaeda mantêm reféns desde sábado. Ainda não está claro quantos reféns e militantes permanecem no local, mas o ministro garantiu que a operação está perto do fim.
- O ataque está chegando ao fim. Temos total controle da situação. Não há motivo para alarde - disse Ole Lenku. Nós controlamos todos os andares. Cercamos o edifício por completo.
Segundo o inspetor de polícia David Kimaiyo, as forças quenianas retiraram mais reféns durante a noite do shopping. Kimaiyo não fez menção a seu comentário no Twitter sobre negociar com os sequestradores. Várias pessoas surgiram nos últimos dois dias após terem conseguido se esconder dos homens armados.
Imagens de TV mostraram tropas camufladas trocando de posicionamento, enquanto veículos com soldados também entravam em movimentação. Jornalistas foram reposicionados e deixaram de ter uma vista livre do shopping, mas conseguiam enxergar o perímetro do local, de acordo com uma testemunha.
- Nós causamos a explosão, estamos tentando entrar pelo telhado - disse uma autoridade de segurança, que pediu para não ser identificada. Não houve comentário oficial.
Já o governo afirmou que a fumaça que se ergue do shopping foi provocada pelos militantes, que estariam queimando colchões. Os terroristas do grupo al-Shabab, que reivindicaram o sequestro, afirmaram na madrugada desta segunda-feira em sua conta no Twitter que seus militantes estavam prontos para morrer.
O ataque foi o maior ocorrido no Quênia desde o cometido pela al-Qaeda contra a embaixada americana em Nairóbi, em 1998, quando mais de 200 pessoas morreram. Agora, o al-Shabab - baseado na vizinha Somália e ligado à al-Qaeda - confirma sua capacidade de causar danos mesmo com as perdas sofridas desde 2011, quando tropas do Quênia, e depois da União Africana, passaram a expulsar extremistas de várias regiões somalis.
Juízes dispensam vice-presidente de julgamento
Juízes do Tribunal Penal Internacional dispensaram por uma semana o vice-presidente do Quênia William Ruto do julgamento de crimes contra a humanidade para que ele possa voltar ao país para ajudar a lidar com a crise de reféns em um shopping em Nairóbi.
Em audiência organizada às pressas nesta segunda-feira, o juiz presidente Chile Eboe-Osujo disse que William Ruto poderia sair em um voo de manhã para o Quênia.
Ruoto está sendo julgado em Haia, acusado de crimes contra humanidade por supostamente orquestrar a violência no rescaldo das eleições presidenciais do Quênia, em 2007. Ele se declarou inocente.
Eboe-Osujo expressou “sinceras condolências às vítimas e suas famílias e amigos e a todo o Quênia neste momento mais difícil”.
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