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POR ANA PAULA RIBEIRO
Líder do governo disse que votação da reforma tinha sido adiada pára fevereiro de 2018. Dólar recua a R$ 3,317.

- Xaume Olleros / Bloomberg
SÃO PAULO - O anúncio feito pelo líder do governo no Senado, Romero Jucá, de que a reforma da Previdência vai para votação apenas em fevereiro de 2018 terminou de azedar o humor dos investidores nesta quarta-feira. O Ibovespa, principal índice de ações do mercado local, fechou em queda de 1,22%, aos 72.914 pontos. Já o dólar comercial recuou 0,36% ante o real, a R$ 3,317.
Próximo ao horário de encerramento, o líder do governo o Senado, Romero Jucá (PMDB), afirmou que a votação das mudanças nas regras de aposentadoria ficará para fevereiro. O índice, que já operava em queda desde o início da tarde, recuou ainda mais. Na avaliação de Luiz Roberto Monteiro, operador da Renascença Corretora, o vencimento de opções sobre o índice de ações (em que os investidores ganham ou perdem de acordo com uma aposta pré-determinada) já estava levando a um movimento de venda, mas que foi acentuado após essa declaração.
— O foco principal tem sido a Previdência. O Ibovespa já estava caindo com o vencimento de opções sobre o índice. Depois do adiamento para fevereiro da Previdência, a queda ganhou força e o índice foi para as mínimas do dia — disse.
Mais tarde, o Palácio do Planalto desmentiu o senador e disse que o presidente Temer só decidiria sobre a data da votação nesta quinta-feira.
Pela manhã, o Ibovespa chegou a operar em alta repercutindo a notícia de que o julgamento em segunda instância do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi marcado para janeiro, o que pode deixá-lo fora da disputa pela Presidência no ano que vem, o que agrada boa parte do mercado, que defende um candidato que tenha propostas que beneficiem as reformas econômicas.
— O dia foi de volatilidade alta. Ontem os mercados já reagiram forte, nos últimos minutos, ao noticiário sobre o ex-presidente. Hoje o pregão começou sob esse impacto, mas aos poucos foi perdendo a consistência. Internamente, a reforma da Previdência ainda faz preço nos ativos — afirmou Álvaro Bandeira, economista-chefe do homebroker Modalmais.
O lado externo também não ajudou. No início da tarde, saiu a notícia do acordo para votação da reforma tributária americana na próxima semana. No entanto, o imposto para empresas, de até 21%, ficou um pouco acima do esperado, o que levou a queda dos índices americanos - mas que depois fecharam em alta. Já no final da tarde, o Federal Reserve (Fed, o bc americano) elevou o juro em 0,25 ponto percentual, como esperado, para a faixa de 1,25% a 1,50%. Em entrevista coletiva, a presidente do Fed, Janet Yellen, afirmou que a reforma tributária irá estimular a economia, mas afirmou ser cedo para prever os impactos. Para o ano que vem, a sinalização é de mais três cortes.
Entre os papéis mais negociados, os preferenciais (PNs, sem direito a voto) da Petrobras recuaram 2%, cotados a R$ 15,18, e os ordinários (ONs, com direito a voto), registraram desvalorização de 1,54%, a R$ 15,94. No caso da Vale, a queda foi menos intensa, de apenas 0,19%.
Os bancos, que possuem o maior peso na composição do Ibovespa, também perderam força. As preferenciais do Itaú Unibanco e do Bradesco caíram, respectivamente, 2,22% e 1,69%. No caso do Banco do Brasil, o tombo foi de 2,39%.
DÓLAR SEGUE EXTERIOR E RECUA
O “dollar index”, que mede o comportamento da divisa americana frente a uma cesta de dez moedas, recuava 0,69% próximo ao horário de encerramento dos negócios o Brasil. O recuo é mais intenso na comparação com as moedas de países produtores de commodities. Internamente, favoreceu os negócios no câmbio a entrada de recursos no país devido a abertura de capital (IPO, na sigla em ingês) da BR Distribuidora e do julgamento, em 24 de janeiro, do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na segunda instância, o que pode deixá-lo fora da disputa pela Presidência em 2018. Na primeira instância, Lula foi condenado a nove ano e seis meses de prisão no caso do triplex no Guarujá.
— Além de acompanhar o cenário externo, a notícia do julgamento do ex-presidente Lula fortaleceu o real ante o dólar. Na parte da tarde, a moeda americana atingiu suas mínimas do dia reagindo à decisão da executiva do PSDB de fechar questão a favor da reforma da Previdência. Mas perto do fechamento, Jucá informou que o governo acertou deixar para fevereiro a votação da reforma e isso diminuiu as perdas do dólar — avaliou Guilherme França Esquelbek, analista da Correparti Corretora de Câmbio.
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