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POR GUSTAVO SCHMITT
Ex-diretor da Petrobras tenta fechar delação e quer ser ouvido em processo no qual é réu

O ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque chega na sede da Justiça Federal, em Curitiba, para prestar depoimento - Geraldo Bubniak / Agência O Globo
SÃO PAULO - A defesa do ex-diretor de serviços da Petrobras Renato Duque protocolou nesta segunda-feira um pedido ao juiz Sergio Moro para que possa “colaborar com a Justiça” e ser ouvido novamente no processo em que é acusado de receber propina do cartel de empreiteiras que atuava na estatal.
Duque atuou na diretoria de serviços da Petrobras entre 2003 e 2012. A indicação dele ao cargo é atribuída ao PT. Em sua delação, Duque deve falar sobre a propina recebida pelo PT em contratos da Sete Brasil, empresa criada para a construção de sondas de exploração de petróleo da estatal. No documento, porém, o advogado do ex-diretor, Antônio Figueiredo Basto, disse que Duque quer colaborar com as investigações da Lava-Jato “independente de formalização de acordo de colaboração”.
“O ora Peticionante deseja ser reinterrogado, pois deseja colaborar espontaneamente com a Justiça. Ao final o requerente manifesta seu interesse de continuar colaborando com todas as investigações das quais tenha conhecimento de fatos relevantes sobre a Petrobrás”, escreveu o defensor do ex-diretor.
Nas primeiras vezes em que ficou diante de Moro, Duque pediu para ficar calado. Porém, agora está em tratativas com a Lava-Jato para fechar acordo de delação premiada. Ele rompeu o silêncio, no início do mês passado, ao ser ouvido no caso do apartamento tríplex do Guarujá, a que a Lava-Jato atribui ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que, por sua vez, nega as acusações.

Cópia de foto apresentada por Renato Duque, ex-diretor da Petrobras, à Lava-Jato - Reprodução
Na ocasião, Duque disse que Lula tinha conhecimento do esquema de propinas na Petrobras e que comandava tudo. Afirmou ainda que Lula teria dito a ele, num encontro em Congonhas, em julho de 2014, que não poderia ter contas no exterior e que se tivesse algo, deveria destruir.
Duque já foi condenado por Moro em diversas ações na Lava-Jato que no total somam 57 anos de cadeia.
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