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POR GUSTAVO SCHMITT / CLEIDE CARVALHO
Para MPF, empreiteiras repassaram R$ 990 mil ao ex-presidente ao custear reformas

Lula aprece no sítio em Atibaia ao lado de Léo Pinheiro, ex-presidente da OAS - Reprodução
SÃO PAULO - O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi denunciado pelo Ministério Público Federal por corrupção e lavagem relacionadas ao sítio de Atibaia. Segundo os procuradores, os valores usados nas obras do sítio foram pagos de forma oculta pelas empreiteiras Odebrecht, OAS e Schahin. O MPF afirma que cerca de R$ 840 mil foram lavados com reformas, construção de anexo e benfeitorias no sítio, como a compra de móveis para a cozinha, para adequá-lo à família Lula.
Outros R$ 150 mil são atribuídos a propinas decorrentes de contratos do Grupo Schahin, com reformas conduzidas por intermédio do pecuarista José Carlos Bumlai, amigo do ex-presidente. Bumlai foi condenado na Lava-Jato por ter emprestado seu nome para um empréstimo do Banco Schahin ao PT. O valor foi quitado fraudulentamente, depois que o Grupo Schahin fehou contrato de fornecimento de sondas para Petrobras.
Além de Lula, Léo Pinheiro, ex-presidente da OAS, foi denunciado por corrupção ativa e lavagem de dinheiro. O empresário Marcelo Odebrecht e Agenor Medeiros, executivo da OAS, foram denunciados por corrupção ativa.
Bumlai, Rogério Aurélio Pimentel (integrante da segurança de Lula), Emílio Alves Odebrecht, Alexandrino de Salles Ramos de Alencar, Carlos Armando Guedes Paschoal, Emyr Diniz Costa Júnior, Roberto Teixeira, Fernando Bittar e Paulo Roberto Valente Gordilho foram acusados da prática do crime de lavagem de dinheiro.
O sítio está em nome de Fernando Bittar e Jonas Leite Suassuna Filho, que não foi denunciado pelo Ministério Público Federal.
Os valores gastos com reformas no sítio foram atribuídos a pelo menos quatro contratos firmados pela Petrobras com a Odebrecht, no valor de R$ 128,1 milhões; e três com a OAS, de R$ 27 milhões. De acordo com a denúncia, Lula foi o responsável por estruturar, orientar e comandar pagamento de propina a partidos, políticos e funcionários públicos, ao nomear os diretores da Petrobras.
"Esses valores foram repassados a partidos e políticos que davam sustentação ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva, especialmente o Partido dos Trabalhadores (PT), o Partido Progressista (PP) e o Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), bem como aos agentes públicos da Petrobras envolvidos no esquema e aos responsáveis pela distribuição das vantagens ilícitas, em operações de lavagem de dinheiro que tinham como objetivo dissimular a origem criminosa do dinheiro", segundo nota do MPF.
O MPF afirmou que a denúncia "reafirma o compromisso do Ministério Público Federal com o cumprimento de suas atribuições constitucionais e legais, independentemente de qualquer consideração político-partidária", assim como o combate à corrupção.
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