OGLOBO.COM.BR
POR ANDRÉ DE SOUZA E CAROLINA BRÍGIDO
STF realizou sessão como se nada estivesse acontecendo do lado de fora

Ministro Marco Aurélio - Agência O Globo
BRASÍLIA – O ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), disse na tarde desta quarta-feira que está “preocupado” com os protestos que tomaram conta de Brasília. Ele interrompeu o julgamento para dizer que esperava não ser verdadeira a notícia de que o Executivo baixou um decreto autorizando a presença de militares nas ruas para garantir a ordem.
— Voto um pouco preocupado com o contexto. Eu espero que a notícia não seja verdadeira. O chefe do Poder Executivo teria editado um decreto autorizando o uso das Forças Armadas no Distrito Federal no período de 24 a 31 de maio — disse o ministro.
Nenhum outro integrante do tribunal comentou a fala do colega. Embora fosse possível ouvir do plenário do tribunal o barulho de bombas e de helicópteros sobrevoando a Esplanada dos Ministérios, os ministros realizaram uma sessão de julgamentos como se nada estivesse acontecendo do lado de fora. A pauta era tributária. No momento da declaração de Marco Aurélio, o plenário discutia regras para a cobrança da Cofins.
Alguns manifestantes chegaram perto de uma cerca de metal instalada ao redor do STF para proteger o prédio STF dos protestos. Aos gritos, o grupo exigiu a anulação do impeachment de Dilma Rousseff. Logo os seguranças do tribunal agiram para retirar as pessoas das proximidades. A presidente do tribunal, ministra Cármen Lúcia, não quis comentar os protestos desta quarta-feira.
O presidente Michel Temer acionou nesta quarta-feira a Garantia da Lei e da Ordem (GLO) para que as Forças Armadas façam a segurança da Esplanada dos Ministérios, após protesto que deixou prédios de várias pastas depredados.
O decreto de Temer foi publicado em edição extra do Diário Oficial da União e estabelece que as tropas federais atuarão na capital por uma semana, até o dia 31. A área específica de atuação, no Distrito Federal, será delimitada pela Defesa.
A GLO é invocada, segundo a Defesa, quando há "esgotamento das forças tradicionais de segurança pública, em graves situações de perturbação da ordem". O dispositivo constitucional, que é de atribuição exclusiva do presidente da República, prevê que os militares podem, provisoriamente, atuar com poder de polícia.
ÚLTIMAS DE BRASIL
PSOL apresenta projeto contra decreto de Temer que autoriza Forças Armadas
Em dia de protesto, deputados brigam e sessão da Câmara é suspensa
Militares assumem segurança da Esplanada dos Ministérios
Manifestantes depredam ministérios e colocam fogo no prédio da Agricultura
Em meio a protesto, governo manda esvaziar ministérios
Comentários:
Postar um comentário