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POR EDUARDO BARRETTO
Ex-ministros terão dez dias para responder ao colegiado

Os ex-ministros Fernando Bezerra Coelho, Guido Mantega, Paulo Bernardo, Alfredo Nascimento e Edison Lobão - Montagem sobre fotos da Agência O Globo
BRASÍLIA - A Comissão de Ética da Presidência (CEP) abriu processos contra cinco ex-ministros petistas citados na lista de Fachin. Fernando Bezerra Coelho (ex-ministro da Integração Nacional), Paulo Bernardo (ex-ministro do Planejamento), Guido Mantega (ex-ministro da Fazenda, Planejamento e ex-presidente do BNDES), Edison Lobão (ex-ministro de Minas e Energia), Alfredo Nascimento (ex-ministro dos Transportes) terão dez dias para responder ao colegiado. Dois ex-diretores do Trensurb também delatados por ex-executivos da Odebrecht por supostas irregularidades em linha de trem no Rio Grande do Sul serão julgados: Marco Arildo e Humberto Kasper. Eles foram citados no mesmo inquérito de Eliseu Padilha (Casa Civil).
Um inquérito da lista de Fachin cita que Paulo Bernardo, entre o fim de 2008 e o início de 2009, à época ministro do Planejamento de Lula, teria pedido 1% do valor do contrato de R$ 323,9 milhões da construção de uma linha ferroviária em Porto Alegre. Isso foi citado nas colaborações premiadas dos ex-executivos da Odebrecht Benedicto Barbosa e Valter Luis. Bernardo é investigado por corrupção ativa, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.
Já Mantega foi implicado no ano de 2012, quando era ministro da Fazenda de Dilma. Segundo delações dos ex-executivos Marcelo Odebrecht, Paul Elie e Paulo Ricardo Baqueiro, Mantega teria participado de um pagamento de R$ 27 milhões da construtora ao PT. R$ 5 milhões iriam para os então deputados federais Cândido Vaccarezza e Carlos Zarattini.
O dinheiro viria da Odebrecht Realizações Imobiliárias, em troca por atuação pela aprovação de compra de torre comercial e de shopping center em São Paulo pelo fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil, a Previ. O ex-chefe da Fazenda também é investigado por corrupção ativa, passiva e lavagem de dinheiro.
Os pedidos de investigação da Lava-Jato com base em 78 colaborações premiadas de ex-executivos da Odebrecht foram divulgados no mês passado pelo relator da operação no Supremo Tribunal Federal, ministro Edson Fachin. São 98 investigados, incluindo oito ministros, 24 senadores e 39 deputados. Três dos oito ministros de Temer envolvidos já são investigados pelo colegiado: Moreira Franco (Secretaria Geral), Eliseu Padilha (Casa Civil) e Gilberto Kassab (Ciência e Tecnologia), por terem sido denunciados relativos a períodos em que eram ministros de governos passados. Eles já apresentaram defesas, mas o colegiado pediu mais esclarecimentos, que deverão ser respondidos em dez dias.
Envolvidos na delação da JBS, como revelou o GLOBO na última quarta-feira, o presidente Michel Temer e o ex-assessor da Presidência e atual deputado federal Rocha Loures não terão processos abertos pela CEP. O presidente não é abrangido pelo código de conduta da alta administração federal. Já Rocha Loures, quando recebeu dinheiro de Joesley Batista, em março, já tinha saído do Palácio do Planalto ao Congresso. Rocha Loures era suplente de Osmar Serraglio, atual ministro da Justiça.
NEGADO AFASTAMENTO
O colegiado negou, por unanimidade, pedido do deputado Carlos Marun (PMDB-MS) para afastar o presidente da CEP, Mauro Menezes. Na última quarta-feira, o correligionário de Temer entrou com representação argumentando que Menezes era "simpatizante do petismo" e parcial.
No documento, o deputado alegava que o presidente da comissão tem "ligações umbilicais" com o PT, e que teria na ex-presidente Dilma Rousseff uma "madrinha política". Menezes negou todas as acusações, que considerou "irresponsáveis".
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