sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

ECONOMIA: Tombini: câmbio flexível é a ‘primeira linha de defesa’ da economia brasileira

OGLOBO.COM.BR
POR FLÁVIA BARBOSA (ENVIADA ESPECIAL)

Presidente do Banco Central participou de seminário do FMI no Chile
SANTIAGO - O presidente do Banco Central do Brasil, Alexandre Tombini, afirmou em seminário sobre perspectivas de crescimento da América Latina que a ocorrência de volatilidade nos mercados com as mudanças das condições financeiras globais em 2015 é inevitável e que a primeira linha de defesa do Brasil para superá-la é o câmbio flexível. Isso indica que, mesmo com a persistência da inflação alta, o governo brasileiro não buscará segurar a cotação do dólar frente ao real no próximo ano.
Segundo Tombini, a livre flutuação do câmbio absorve a mudança dos preços dos ativos na carona da normalização da política monetária expansionista dos EUA e ajuda no ajuste das contas externas, mantendo a sustentabilidade do balanço de pagamentos. O câmbio flexível deve ser complementado com medidas prudenciais, o emprego de amortecedores de choques (por exemplo, reservas internacionais) e sólidas políticas monetária e, sobretudo, destacou, fiscal.
Um arcabouço macroeconômico robusto — como aperto dos juros para combater a inflação e arrumação das contas públicas — “será importante para permitir que as mudanças na taxa de câmbio sejam mais permanentes e atenuar as novas condições financeiras”, afirmou Tombini:
— Medidas macroprudenciais são políticas cíclicas que complementam todas as políticas macro, como monetária e fiscal, que acho que é a mais importante. E, no caso do Brasil, o câmbio flexível, que é a primeira linha de defesa para mudanças de condições financeiras globais e deve ser, neste momento, assegurada a confiança de que não teremos descasamento na economia ao lidar com um dólar mais forte, como tem sido o caso.
O compromisso com o câmbio flutuante não impede, porém, que sejam oferecidos ao setor privado e aos investidores de forma geral linhas para aquisição de dólar e mecanismos de proteção à oscilação da moeda americana, para atenuar perdas e evitar desequilíbrios como a explosão do endividamento.
O presidente do BC defendeu que o Brasil ofereceu este tipo de hedge em 2013, quando houve forte turbulência em antecipação ao fim do programa de estímulos monetários americanos, e foi bem-sucedido. Desde maio daquele ano, o real acumula depreciação de 20%, segundo o Banco Central.
Tombini destacou ainda que, para prevenir descasamentos na economia provocados por depreciação do real, o BC tem monitorado com lupa a exposição do setor privado não-financeiro brasileiro em moeda estrangeira. Se houver fuga de capitais em 2015, e subida acentuada do dólar, o endividamento das empresas pode dar um salto. O FMI tem alertado que, embora a situação não seja crítica, Brasil e outros países latinos devem estar atentos a este indicador.
— Agora, a questão é ter as medidas microprudenciais para evitar não só problemas e volatilidades no mercado de câmbio, mas na economia como um todo. Temos, por exemplo, prestado bastante atenção ao setor não-financeiro privado brasileiro, temos discutido isso em fóruns globais. Temos nos preparado para mudanças na condições financeiras, para manter estabilidade em novo cenário — assegurou Tombini.
Mesmo com toda a preparação, “o risco de contagio está sempre lá”, disse o presidente do BC brasileiro. Neste caso, é fundamental o fortalecimento dos mecanismos multilaterais de liquidez. Ele lembrou que, embora amplamente antecipado, o processo de normalização da política monetária americana é inédito e não se sabe o que acontecerá após o mundo ter sido irrigado com US$ 7 trilhões e ter vivido com juros zero na maior economia do planeta por seis anos.
O cenário base de Tombini é que a transição será feita de forma ordenada, sem turbulências severas. O presidente do BC acredita que o fato de a zona do euro e o Japão estarem em caminho oposto, ou seja, expandindo ainda mais a política monetária, pode suavizar o aperto dos EUA – que o economista-chefe do FMI, Olivier Blanchard, acredita que começará em junho.
— O papel do Fundo é ajudar seus membros a reduzir o custo de ajuste e mitigar o risco de contágio. O Fundo está bem posicionado, mas temos que melhorar a qualidade das fontes de recurso, e aí entra a importância de finalizar o processo de reforma do FMI iniciado em 2010. Há também iniciativas regionais, bilaterais, nós (Brasil) temos (por exemplo, a reserva de contingência do Brics), que são complementos às redes de segurança globais.
*A repórter viajou a convite do FMI










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