quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

NEGÓCIOS: OAS busca investidor antes de entrar com pedido de recuperação judicial

FOLHA.COM
RENATA AGOSTINI, DE SÃO PAULO

Endividada, a empreiteira OAS tenta levantar até R$ 500 milhões com investidores antes de entrar com pedido de recuperação judicial. O processo, por meio do qual a empresa pode suspender pagamentos enquanto elabora um plano de reestruturação, é visto hoje como a única saída para salvá-la, apurou a Folha com quatro executivos envolvidos nas negociações.
O dinheiro é visto como necessário para a empresa manter as obras em andamento enquanto concretiza a venda de ativos do grupo, como sua fatia na Invepar.
O controlador da empreiteira, César Mata Pires, resiste ao plano de recuperação judicial, mas não há candidatos no momento a assumir as dívidas do grupo, que superam R$ 7 bilhões.
Para os executivos que participam da reestruturação, a dúvida agora é quantas companhias do grupo terão de entrar na recuperação além da construtora – a OAS é dona de estádios, empresas de saneamento, projetos imobiliários e de infraestrutura.
Editoria de Arte/Folhapress 
A consultoria Mcksinsey foi contratada para auxiliar a G5 Evercore, que faz a assessoria financeira, e o escritório Mattos Filho na análise. Os credores internacionais, donos de cerca de metade da dívida, estão impacientes. Até agora, a estratégia de resgate não foi apresentada.
A situação da OAS deteriorou-se desde que, como consequência da Lava Jato, foi acusada de pagar propina a funcionários da Petrobras. Os bancos restringiram o crédito, as agências de risco rebaixaram sua nota e dívidas foram antecipadas.
Com R$ 1,4 bilhão em débitos a vencer no curto prazo, a empresa tem cerca de R$ 700 milhões, apurou a Folha.
Pela recuperação judicial, pode suspender pagamentos até elaborar um plano. Mas, para sobreviver ao período, a OAS busca um investidor disposto ao chamado "DIP financing", linha especial para empresas em dificuldade. Quem empresta, cobra juro alto e tem preferência no pagamento durante a recuperação.
Nos cálculos dos assessores, os R$ 500 milhões seriam suficientes para cinco meses de operação, tempo necessário para concretizar a venda da participação na Invepar.
A OAS montou um banco de dados com informações dos ativos do grupo. Em tese, tudo está à venda. Mas, no momento, só o processo da Invepar está em curso.
A empresa marcou para esta semana a entrega das primeiras propostas. O plano, contudo, é que a transferência das ações e o pagamento só ocorram após a formalização da recuperação judicial, o que dá segurança ao comprador de que o ativo não será confiscado e entregue aos credores.
Para assessores, mesmo se o pedido de recuperação judicial for bem-sucedido, o desfecho do processo é imprevisível. As investigações da Lava Jato ainda estão em curso e o montante que a empresa será obrigada a pagar como consequência do processo criminal é incerto.
Além disso, a companhia já foi proibida pela Petrobras de firmar novos contratos e pode ser impedida de disputar obras do governo.
É do setor público que vêm quase a metade dos rendimentos do grupo.
Procurada, a empresa não quis dar declarações.

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