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POR MARINA BRANDÃO
Dólar fechou em queda pelo quarto dia seguido, cotado a R$ 3,29

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RIO - Após o Banco Central anunciar na noite de quinta-feira a redução do chamado "depósito compulsório", que libera R$ 6,5 bilhões para os bancos realizarem empréstimos, a Bolsa inverteu o fechamento do dia anterior, e opera em alta nesta quarta-feira. No mercado acionário, o Ibovespa, principal índice de ações local, fechou com alta de 0,94%, a 73.367 pontos, impulsionado pelos bancos e pela Vale. Fora do Ibovespa, as ações da Oi disparam, tendo atingido alta de 22% após a assembleia de credores ter aprovado o plano de recuperação judicial da empresa.
Já o dólar foi negociado em queda pelo quarto dia consecutivo. A divisa fechou em baixa de 0,12%, cotada a R$ 3,294, diante do maior apetite para tomada de risco com a aprovação do projeto de reforma tributária pelo Congresso americano. Objetivo de Trump é sancionar a lei ainda nesta quarta.
— Devido à baixa liquidez por conta do final de ano, a notícia dos compulsórios para os bancos melhora a perspectiva para as empresas no Brasil, e vemos esse cenário positivo na Bolsa. Ninguém imaginava uma espécie de 'rali' a essa altura, mas, à exceção de ontem, o mercado tem confirmado sucessivas altas nos últimos dias — avalia Carlos Soares, analista da Magliano, lembrando porém a necessidade da aprovação da Previdência: — Mesmo asism, a dúvida que paira é a mesma de sempre: a Previdência será aprovada? Esse é o sinal maior de equilíbrio das contas públicas.
"O mercado está parado, está dependendo do fluxo. Ninguém vai tentar nada diferente nesta altura do ano e dólar deve fechar 2017 não muito longe de R$ 3,30", diz Hideaki Iha, operador da Fair Corretora, que complementa: "A Previdência continua no forno e questão é se vai ser aprovada ou não".
Na Bolsa, as ações da Vale foram as que mais exerecem impacto positivo sobre o pregão: elas subiram 3,43%, a R$ 39,15. Em seguida, os bancos. O Bradesco teve alta de 0,91% a R$ 33; o Itaú de 0,36% a R$ 41; e o Banco do Brasil, de 0,06% a R$ 30,85.
As ações da Petrobras também operaram em alta, impulsionadas pelo bom desempenho da commodity. O contrato futuro de petróleo do tipo Brent para fevereiro sobe 1,19%, a US$ 64,56 o barril. Com isso, as preferenciais da petroleira (PN, sem direito a voto) valorizaram 0,66% a R$ 15,24; e as ordinárias (ON, com direito a voto) avançaram 1,26% a R$ 15,96.
Outro destaque do pregão são as siderúrgicas, também impulsionadas pela medida do BC. Enquanto a CSN valoriza 4,99%, a R$ 7,78, a Usiminas sobe 4,53% a R$ 8,99.
— Ao todo, são três fatores que jogam a favor, principalmente, da Usiminas: o reflexo dos compulsórios, a correção de preços e o crescimento do mercado automobilístico, já que a empresa é fornecedora de matéria prima para o setor.
AÇÕES DA OI DISPARAM
Fora do Ibovespa, as ações da Oi chegaram a subir 22% no início do pregão e bateram R$ 4,09, após a assembleia de credores ter aprovado o plano de recuperação judicial da empresa. No fechamento, os papéis da tele avançaram 5,65% a R$ 3,55 — ao todo, a empresa acumula alta de 57,78% no ano.
Segundo Soares, a aprovação do plano é de fundamental importância, porque afasta um componente de incerteza em relação à Oi.
— A medida foi muito positiva, especialmente devido ao esclarecimento de pontos polêmicos. O primeiro fator foi a altíssima adesão dos credores, o que dá uma excelente sinalização ao mercado. Além disso, cravou-se a dívida da Oi com a Anatel em R$ 14 bilhões, ante ao impasse entre R$ 11 bi e R$ 19 bi. E, para finalizar, havia uma cláusula sobre a permanência do presidente Teles de cinco anos no cargo, que foi revertida para apenas um — explicou, completando: — Com isso, a tendência é que, caso a tele consiga concretizar seus planos e destravar investimentos, as ações devam continuar a subir e a empresa se restabeleça no mercado.
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