sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

ECONOMIA: Maioria da União Europeia aceita novo tratado e isola Reino Unido


De O GLOBO.COM.BR
Bloco caminha para maior integração, com regras mais rígidas contra endividamento
BRUXELAS — A União Europeia (UE) avançou nesta sexta-feira para uma integração maior dos 27 países-integrantes. Do bloco, 26 países concordaram analisar a aprovação de reformular o tratado europeu. Apenas o Reino Unido é contra debater a medida. Inicialmente, Hungria, Suécia e República Tcheca quiseram ficar de fora, mas voltaram atrás e aceitaram analisar o novo tratado em Parlamento.
Líderes europeus, após reunião que só terminou na madrugada desta sexta-feira, concordaram em assinar um novo tratado europeu entre governos que vai exigir mais rigor e disciplina fiscal no orçamento de cada país-integrante.
O presidente da França, Nicolas Sarkozy, disse nesta sexta-feira que teria preferido um tratado entre todos os 27 membros da UE. Mas isso não poderia ser alcançado porque os britânicos propuseram a isenção de certas regulamentações financeiras.
— Não poderíamos aceitar isso, porque a falta de uma regulamentação suficiente causou os atuais problemas — disse Sarkozy, que acrescentou que o novo acordo deverá estar pronto em março.
As negociações entre os líderes duraram dez horas. Eles concordaram em trabalhar por um novo “pacto fiscal”, capaz de adotar uma posição mais rigorosa em relação aos déficits dos países. Ao deixar a reunião de cúpula, a diretora-gerente do FMI, Christine Lagarde, comentou:
— O resultado nos deixa muito satisfeitos.
A decisão do Reino Unido de não aderir ao novo tratado pode trazer problemas ao governo do primeiro-ministro David Cameron. Na avaliação de especialistas, se a União Europeia avançar para uma integração mais profunda, a economia britânica poderá ficar isolada.
— A manobra de Cameron foi desajeitada — disse um diplomata sênior da UE.
O acordo foi uma derrotada para o primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron, que queria garantias de proteção ao setor financeiro britânico para aderir ao novo tratado. Sarkozy disse que “David Cameron exigiu algo que todos nós consideramos inaceitável, um protocolo no tratado permitindo ao Reino Unido que seja excluído de um certo número de regras financeiras”.
Cameron rebateu: “O que foi oferecido não estava nos interesses britânicos, então não concordei”. Ele reconheceu que havia riscos pelo fato de outros países formarem um tratado isolado, mas disse que vai exigir que todas as instituições europeias funcionem para os 27 países da União Europeia.
O acordo foi comemorado pelo presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi. O apoio do BCE para continuar a comprar títulos soberanos de países em dificuldades fiscais, como Espanha e Itália, é crucial para ganhar tempo para um ajuste fiscal e reestruturação, para reduzir a dívida pública e evitar o colapso do euro.
Merkel disse que ainda não desistiu da adesão do Reino Unido.
Reforço a fundo permanente de resgate O presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, disse que os líderes concordaram em adicionar € 200 bilhões ao Fundo Monetário Internacional (FMI) para aumentar o poder de resgate dos fundos europeus para ajudar Itália e Espanha.
Van Rompuy disse também que um novo fundo, permanente, chamado Mecanismo Europeu de Estabilidade, com patrimônio de € 500 bilhões, vai entrar em funcionamento em julho de 2012. Durante um ano a partir desse período, esse novo fundo vai trabalhar paralelamente ao já existente Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (Feef), que é temporário e depois deixa de existir.
Os líderes também concordaram que credores privados detentores de títulos soberanos europeus não iriam enfrentar perdas no valor de face desses papéis. Foi uma mudança em relação ao que aconteceu na Grécia, quando a reestruturação da dívida desse país fez com que investidores privados ficassem com perdas.
A chanceler alemã, Angela Merkel, elogiou o plano para salvar o euro:
— Sempre disse que os 17 países da zona do euro têm de recuperar a credibilidade. Acredito que, com as decisões desta sexta-feira, isso pode e vai ser alcançado.
Herman Van Rompuy disse que os países dariam até 200 bilhões de euros (US$ 268 bilhões) em recursos extras para o Fundo Monetário Internacional (FMI). Desse total, 150 bilhões de euros sairão dos países que adotam o euro.Pesquisa da agência Reuters com economistas mostrou que, enquanto 33 dos 57 entrevistados acreditam que a zona do euro provavelmente vai sobreviver na sua forma atual, 38 achavam que a reunião de cúpula em Bruxelas não encontraria uma solução decisiva para a crise da dívida. Nesta quinta-feira,
O Banco Central Europeu (BCE) cortou a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, para 1% ao ano, na última quinta-feira, para estimular a economia e evitar a piora da crise no continente. Essa é a menor taxa desde maio de 2009, quando foi reduzida a esse patamar para combater os efeitos da crise de 2008.

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