De O GLOBO.COM.BR
João Sorima Neto
Valor / Reuters
Ibovespa sobe mais de 1%; dólar abriu em queda, subiu e voltou a se desvalorizar
SÃO PAULO - Os investidores avaliam nesta sexta-feira o acordo fechado entre 23 países da Europa para acabar com a crise da dívida. Segundo analistas ouvidos pelo GLOBO, a avaliação é positiva, mas sem entusiasmo exarcebado. Isso, segundo eles, porque o acordo vale mais como uma ‘intenção de salvar o euro’, já que mostra que os líderes europeus estão tentando fazer algo. Mas, na prática, os problemas persistem e os mercados devem operar com volatilidade no curto prazo. Na Europa as bolsas sobem e no Brasil o Ibovespa, principal índice da Bolsa de São Paulo, operava em alta de 1,12% aos 58.096 pontos às 14h. O dólar comercial abriu o dia em queda, inverteu a tendência, mas voltou a se desvalorizar e caía 0,38% frente ao real cotado a R$ 1,81, no mesmo horário.
- Os termos do acordo que ‘vazaram’ após a reunião mostram que os líderes estão tentando solucionar o problema. Por isso, as bolsas reagem positivamente. Mas o mercado deve continuar volátil no curto prazo. O que vai resolver mesmo a crise é o corte de gastos nos orçamentos, redução de aposentadorias, medidas que são impopulares para qualquer governo. Por isso, acho que o mercado de ações ainda deve oscilar muito até o fim do ano. Qualquer declaração de um líder europeu ou divulgação de um dado negativo ou positivo de cada economia poderá causar muita oscilação - diz o economista Fausto Gouveia, da Legan Asset.
Os líderes de 23 países europeus decidiram apoiar um novo tratado com supervisão mais rigorosa dos orçamentos nacionais, mas não conseguiram a adesão dos 27 integrantes da União Europeia (UE). Ficaram de fora a Inglaterra, Hungria, República Tcheca e a Suécia. O objetivo era obter a adesão de todos os países para mostrar união e força. A Inglaterra não assinou porque não quer regulação sobre seu sistema financeiro.República Tcheca e Suécia precisam consultar seus parlamentos e a Hungria não aderiu porque o ‘acordo afeta assuntos de soberania do país’.
- A não entrada destes quatro países não representa um revés, já que nenhum deles utiliza o euro como moeda. O acordo representa mais um conjunto de itenções do que um ‘tiro de bazuca’, mas mesmo assim é recebido com certo otimismo pelo mercado - escreveu Jason Vieira, estrategista da Cruzeiro do Sul Corretora.
Entre os itens do acordo, ficou acertado que os dois fundos de ajuda a países com problemas de refinanciamento de suas dívidas, o Mecanismo Europeu de Estabilidade (ESM, na sigla em inglês) e o Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (ESFS, na sigla em inglês), devem ser administrados pelo Banco Central Europeu, embora os detalhes da operação ainda precisem ser trabalhados. Eles não atuarão ao mesmo tempo, mas juntos têm poder de fogo de quase 1 trilhão de euros. Além disso, os países dariam até 200 bilhões de euros em recursos extras para o Fundo Monetário Internacional (FMI) entrar no socorro. Desse total, 150 bilhões de euros sairão dos países que adotam o euro. O acordo também prevê uma união fiscal mais consistente, como defendia a Alemanha
Os líderes europeus se reúnem novamente nesta sexta-feira para discutir o conteúdo exato do novo tratado e como aqueles que o desobedecerem serão policiados e até punidos.
- As decisões dessa reunião devem ditar o rumo dos mercados nas próximas semanas, já que a zona do euro já está muito pressionada para uma solução da crise, que só vem se aprofundando ao longo do ano - escreveu o analista Eduardo Oliveira, da Um Investimentos.
Os termos do acordo devem ter redação final até março. Os principais pregões na Europa reagiram positivamente desde a abertura do pregão: Madri sobe 1,93%; Frankfurt tem valorização de 1,46%; Paris avança 1,98% e Londres sobe 0,59%.
Além da cúpula europeia, o mercado avalia nesta sexta-feira o arrefecimento da inflação ao consumidor na China, em novembro, e a notícia de que a agência de classificação de risco Moody's reduziu a nota da dívida de três bancos franceses - BNP Paribas, Société Générale e Crédit Agricole.
No Brasil, o Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) mostrou sinais de desaceleração: o indicador subiu 0,04% na primeira aferição do mês de dezembro. Em igual período do mês anterior, o índice havia registrado alta de 0,37%, informou a Fundação Getulio Vargas (FGV). Já a inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S) acelerou em seis de sete capitais pesquisadas pela FGV entre a última semana de novembro e a primeira de dezembro.
A maior alta foi verificada no Rio de Janeiro, onde o indicador passou de 0,56% para 0,80%. Já o menor índice foi apurado em São Paulo, com o IPC-S subindo 0,53%, após avanço de 0,50% na medição anterior.
Nos EUA, a balança comercial reduziu o déficit, que passou de US$ 44,20 bilhões em setembro para US$ 43,50 em outubro, mostrando menor crescimento das importações e alta mais significativa das exportações no período. As bolsas também reagem positivamente ao acordo na Europa e o Nasdaq e o Dow Jones operam em alta.
Na Ásia, as bolsas fecharam em queda, ainda esperando notícias da reunião na Europa. Em Tóquio, o índice Nikkei 225 caiu 1,48%. O Hang Seng, de Hong Kong, cedeu 2,73%. O Shanghai Composite, de Xangai, declinou 0,62%. O Departamento de Estatísticas chinês mostrou um arrefecimento do índice de preços ao consumidor em novembro. Depois de uma alta de 5,5% em outubro, no comparativo anual, o indicador subiu 4,2% em novembro, a menor marca em 13 meses.
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