segunda-feira, 4 de setembro de 2017

SEGURANÇA: Secretário de Segurança, Roberto Sá diz que não pediu Forças Armadas no Rio

OGLOBO.COM.BR
POR RAFAEL SOARES

Em audiência na Alerj, Sá afirmou que preferia a vinda de recursos financeiros

Secretario de segurança do Rio de Janeiro, Roberto Sá, participa de audiência pública na Alerj - Rafael Soares/Agência O Globo

RIO — O secretário de Segurança do Estado do Rio, Roberto Sá, afirmou nesta segunda-feira, durante uma audiência pública na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), que não pediu a vinda das Forças Armadas para a cidade e para o Rio e a Região Metropolitana. Em reunião da Comissão de Segurança Pública e Assuntos de Polícia, Sá afirmou que as Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) não irão acabar enquanto ele estiver no cargo.
— A vinda dessa forma (das Forças Armadas) foi escolha do governo federal. Se fosse para eu escolher, escolheria a vinda de recursos financeiros para pagamento do Regime Adicional de Serviço (RAS) — disse Roberto Sá.
Sobre o assunto, a Seseg divulgou um comunicado no Twitter: "A Secretaria de Segurança esclarece que toda ajuda ofertada ao RJ pelo Governo Federal é bem vinda. As operações integradas com apoio das Forças Armadas já resultaram na prisão de 88 pessoas. Em maio de 2017, o secretário Roberto Sá pediu ao Governo Federal recursos para o pagamento do Regime Adicional de Serviço. Além da manutenção de viaturas policiais e o reforço dos efetivos das forças federais que atuam no RJ. Dentro das suas possibilidades, o GF ofertou efetivo que presta valiosa contribuição em operações de cerco e controle do roubo de cargas".
Em agosto, a secretaria de Segurança e o comando da PM decidiram remanejar cerca de 3 mil policiais das UPPs, não seguindo as recomendações de um relatório elaborado pelo Estado Maior da corporação sobre a situação de cada uma das 38 unidades. Sobre um possível fim das UPPs, Roberto Sá negou que o modelo de segurança das unidaddes não irão acabar enquanto ele estiver no cargo.
— Enquanto eu estiver secretário, a UPP não vai acabar. Quando eu sair, pode vir outro e fazer. Mas eu não vou acabar — disse Sá.
Segundo a Secretaria de Segurança, a retirada dos policiais das unidades não vai alterar o funcionamento das UPPs. Todos os PMs a serem remanejados nos próximos 15 dias estão, atualmente, em funções burocráticas. As 38 unidades foram mantidas. Entretanto, o relatório aponta que em mais da metade das UPPs, policiais foram feridos e bases foram atacadas nos últimos três meses. O documento indica que houve confrontos em 90% das unidades. Em três — Nova Brasília e Parque Proletário, na Zona Norte, e São Carlos, no Centro —, os agentes deixaram de patrulhar mais de dois terços do território das favelas.
O estudo do Estado Maior da PM — feito ao longo de três meses, com dados do Instituto de Segurança Pública (ISP) e da Coordenadoria de Polícia Pacificadora (CPP) — concluiu que, em 12 UPPs, o projeto de pacificação não atingiu o seu objetivo. Por isso, algumas deveriam ser extintas. Sobre a aplicação do relatório ma política de segurança do Rio, o secretário disse que o estudo apenas se destina ao assessoramento das autoridades.
— O relatório do Estado Maior se destina ao assessoramento para a tomada da decisão das autoridades responsáveis. Ele foi encaminhado ao comandante da PM e, depois, eu tomei a minha decisão. O morador quer a polícia lá. Tomei minha decisão baseada no bem estar da tropa e do morador — argumentou.
Roberto Sá pede ao governo federal R$ 8 milhões
O secretário disse também que parte do cenário atual da segurança no estado se deve ao fim do pagamento do Regime Adicional de Serviço (RAS) e das gratificações aos policiais militares. Sá afirmou que vai pedir cerca de R$ 8 milhões ao governo federal para o pagamento do RAS.
— Com o fim do pagamento das gratificações, houve uma queda na motivação dos policiais. Esperamos voltar com o Sistema de Metas com a recuperação fiscal do estado — concluiu.
Atualmente existem 38 UPPs no Rio. A presidente da Comissão, deputada Martha Rocha (PDT), afirmou que o projeto das UPPs, iniciado no morro Dona Marta, em Botafogo, em 2008, precisa ser revisto urgentemente.
— A eficácia não é mais a mesma dos primeiros anos. Os policiais militares trabalham sem estrutura adequada e estão acuados. Os moradores vivem no meio do fogo cruzado e a violência explode. Nossa intenção é debater um caminho seguro para todos —, afirmou a parlamentar.

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