sexta-feira, 31 de maio de 2019

ECONOMIA: Dólar cai a R$ 3,92, menor valor em 1 mês, e Bolsa tem seu primeiro maio positivo em uma década

OGLOBO.COM.BR
Rennan Setti e Gabriel Martins

Brasil é favorecido em busca por alternativas ao México após tarifas de Trump, dizem analistas
Notas de dólar, a moeda oficial dos Estados Unidos Foto: Andrew Harrer / Bloomberg

RIO — O dólar comercial recuou 1,32% nesta sexta-feira, a R$ 3,925, menor valor em um mês, com os investidores otimistas com a aparente melhora na articulação em torno da reforma da Previdência. Também contribuiu para o fortalecimento do real, segundo analistas, o fluxo de investidores que buscam alternativas ao México após o anúncio de tarifas dos EUA sobre o país vizinho. Com isso, a Bolsa recuou menos que os pregões americanos, que tiveram a pior semana no ano. O Ibovespa perdeu 0,44%, aos 97.030 pontos. Apesar da queda desta sexta-feira, o índice encerrou o mês com alta acumulada de 0,7%, seu primeiro maio positivo dos últimos dez anos. Já o câmbio encerrou o mês praticamente estável, avançando 0,1% no período. 
'Maldição' de maio
O mês é considerado maldito por investidores. Uma das máximas de Wall Street é "Sell in May and Go Away"? (venda em maio e vá embora), baseada na percepção dos investidores de que o período iniciado no mês e termina em outubro costuma ser desfavorável para a Bolsa. No caso do Ibovespa, maio foi um mês de perdas em todos os anos desde 2009, às vezes com recuos de dois dígitos, como no tombo de 10,9%, no ano passado, e de 11,8%, em 2012. 
E, este ano, maio foi especialmente turbulento, com manifestações contrárias ao governo, sequências de dados negativos sobre o ritmo da economia e derrotas do Executivo no Congresso, além de notícias de recrudescimento da guerra comercial entre EUA e China. A Bolsa chegou a cair abaixo dos 90 mil pontos, patamar que havia sido superado no fim do ano passado. A última semana do mês, porém, foi de recuperação, com o noticiário político indicando uma trégua entre o presidente Jair Bolsonaro e o Congresso, o que tende a facilitar a aprovação da reforma da Previdência - tida pelos investidores como medida crucial para reduzir o peso da dívida pública na economia. 
No início da semana, Bolsonaro se reuniu com os presidentes dos outros dois poderes para afinar o discursos a favor da aprovação da proposta. Desta maneira, os investidores ficam mais confiantes:
— Os investidores voltaram a precificar o mercado tendo como pano de fundo a aprovação da Previdência. Recentemente, assistimos a uma harmonia entre os poderes, e em tentativas de acelerar a tramitação no Congresso — avaliou Raphael Figueredo, analista da Eleven Financial.
'Sobra mais para o Brasil'
Outro motivo que contribui para esta queda, na leitura de Figueredo, é que o Brasil está bem atrasado em relação ao crescimento econômico. Sendo assim, caso a agenda de reformas passe logo, o país tem capacidade de avançar o que não conseguiu até agora.
— Nos últimos anos, enquanto os investimentos e o crescimento brasileiro ficaram retraídos, o mundo avançava. Agora o cenário é o inverso: o mundo com risco de desaceleração e o Brasil em processo de ajuste fiscal e retomada do crescimento — diz. — Se o dever de casa for feito, o Brasil tem chances de avançar. Assim, dólar cai e Bolsa sobe.
Segundo analistas, a imposição de tarifas sobre o México, embora tenha efeitos negativos sobre a perspectiva de crescimento global, também acaba levando a aumento de fluxos financeiro para o Brasil. Segundo Paulo Nepomuceno, estrategista da corretora Coinvalores, enquanto o peso mexicano desvaloriza-se em 2,43% após o movimento de Trump, o real é a moeda que mais ganha valor entre as principais dividas do mundo.
— A notícia sobre o México é ruim, mas pensando em termos de alocação de investimento em países emergentes, acaba sobrando mais espaço para o Brasil. Com os investidores reduzindo suas posições no México, esses recursos acabam sendo deslocados para outros emergentes, mas o Brasil é um dos poucos que não enfrenta problemas de financiamento da divida no curto prazo nem tem grande parte de sua dívida em moeda estrangeira — explicou Nepomuceno.
Pregão de perdas no exterior
No exterior, porém, os principais índices acionários europeus recuaram nesta sexta-feira, com as montadoras especialmente afetadas, depois que o presidente dos EUA, Donald Trump, ampliou o escopo de sua guerra comercial ao ameaçar impor novas tarifas sobre as importações mexicanas.
O índice europeu STOXX 600 perdeu 0,81%, fechando maio com pedas de 5,7%, pior resultado mensal desde janeiro de 2016. A Bolsa de Londres caiu 0,78%, enquanto Frankfurt recuou 1,47%, na mínima de cerca de cinco meses. Paris teve queda de 0,79%.
Em Wall Street, as Bolsas estenderam as perdas com o movimento de Trump contra o México e fecharam o pregão com o pior desempenho semanal desde o Natal. O índice Dow Jones caiu 1,41%, enquanto o S&P 500 recuou 1,32%. A Nasdaq perdeu 1,51%.
“O presidente Donald Trump está jogando um ‘Game of Thrones’ tanto com adversários externos quanto domésticos”, disse Ed Yardeni,presidente e estrategista-chefe do Yardeni Research, em entrevista à agência Bloomberg.
Destaques da Bolsa
No último pregão do mês, as atenções ficaram voltadas para os figroríficos listados na Bolsa. Na véspera, a BRF (dona da Sadia e da Perdigão) anunciou que estuda uma fusão com a Marfrig. Os investidores interpretaram a notícia como negativa para a BRF, que passou por uma conflituosa reestruturação de diretoria nos últimos anos e ainda precisa reduzir seu nível de endividamento. A BRF caiu 4,52%, maior queda do Ibovespa. Com o interesse da rival por seus ativos, a Marfrig subiu 0,74%.
“A lógica financeira parece maior do que a lógica operacional de uma combinação”, escreveu o Goldman Sachs em relatório.
Pesaram no Ibovespa as ações de Vale e Petrobras, prejudicadas pelo cenário negativo para commodities com a ameaça de Donald Trump contra o México, além de retaliação da China na guerra comercial. A Vale caiu 2%, enquanto a Petrobras perdeu 2,3% (PN, sem voto).

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