segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

ECONOMIA: Dólar comercial fecha em alta pelo quinto dia consecutivo cotado a R$ 3,91

OGLOBO.COM.BR
João Sorima Neto e Gabriel Martins

Bolsa tem queda de 2,50% e perde o patamar dos 86 mil pontos; ações da Embraer sobem

Notas e moedas de dólar Foto: Pixabay

RIO e SÃO PAULO — Com a piora na percepção de risco no exterior, as bolsas globais têm um dia de perdas e o dólar sobe no exterior. O Brasil acompanha este movimento e, pelo quinto dia consecutivo, a divisa americana fechou em alta frente ao real. O dólar comercial terminou negociado a R$ 3,91 alta de 0,69%. É a maior alta desde o dia 3 de outubro, quando a divisa fechou cotada a R$ 3,93. Na B3, o Ibovespa, principal índice do mercado de ações brasileiro, recuou 2,50% aos 85.914 pontos e volume financeiro de R$ 9,5 bilhões.
O dia já começou negativo no mercado financeiro com as preocupações de que a economia mundial deve crescer menos com as desavenças comerciais entre EUA e China. As bolsas asiáticas já tinham encerrado o dia no vermelho. Com a abertura das bolsas americanas em forte queda, a aversão ao risco aumentou e o os investidores buscaram proteção no dólar. O Dollar Spot, índice da Bloomberg que acompanha o desempenho da divisa frente a uma cesta de moedas, subia 0,71% no fechamento dos negócios no Brasil.
Para Cleber Alessie, operador de câmbio da corretora H. Commcor, a incerteza com o cenário externo conturbado leva os investidores à segurança do dólar. Ele observa que a desaceleração da economia global que o mercado vem antecipando também é resultado da normalização das políticas monetárias, especialmente nos EUA, onde os juros já vem subindo.
— Nesse sentido, a sinalização do Federal Reserve, o banco central americano, na semana passada, de que os juros podem subir de forma mais suave em 2019 evitou que o mercado acionário despencasse global e o dólar se valorizasse demasiadamente - afirmou Alessie.
Nesta segunda-feira, o Banco Central anunciou mais um leilão de linha de US$ 1 bilhão. Nesta operação, o BC oferece dólares das reservas internacionais no mercado a vista, com compromisso de recompra. O BC já vendeu US$ 3,0 bilhões em leilões de linha, que vencem em fevereiro de 2019, e renovou outros US$ 2,15 bilhão, que venceriam em março do ano que vem.
Balança comercial chinesa mais fraca
Dados mais fracos da balança comercial chinesa já sinalizam que a guerra comercial entre Pequim e Washington começa a trazer prejuízos concretos. Em novembro, tanto as exportações quanto as importações chinesas subiram bem menos do que o esperado, com ganhos anuais de 5,4% e 3%, respectivamente.
"Os números mostram que a disputa comercial com os EUA vem prejudicando o gigante asiático. Por isso, as bolsas asiáticas fecharam em baixa com temores de uma desaceleração econômica mundial", escreveu em relatório a clientes Guilherme França, especialista em câmbio da corretora Correparti.
Além disso, o PIB japonês do terceiro trimestre veio abaixo da expectativa do mercado: esperava-se uma queda de 0,3%, mas o PIB encolheu 0,6% com queda dos investimentos privados. E, na Inglaterra, a primeira ministra Theresa May enfrenta dificuldades para votar o Brexit, a saída da Inglaterra da União Europeia e isso traz mais incerteza aos investidores.
Outro episódio que ainda está no radar do mercado como fator de tensão entre China e EUA, segundo os analistas, é a prisão de Meng Wanzhou, executiva e herdeira da gigante chinesa de tecnologia Huawei. Meng continua presa e quer pagar fiança para aguardar em liberdade a extradição reivindicada pelos EUA.
— Há uma conjunção de fatores adversos, que levam ao aumento da aversão ao risco. Mesmo com a trégua anunciada, a guerra comercial China e EUA continua no radar. A queda na balança comercial chinesa, o PIB do Japão abaixo do esperado, as dificuldades do Brexit e a prisão da executiva da Huawei trazem muita incerteza. Com isso, cresce a expectativa de desaceleração da economia global, mesmo com todos os estímulos possíveis, sejam eles fiscais ou juros baixos - diz o economista-chefe da corretora Spinelli, André Perfeito.
Os principais índices acionários americanos operaram em queda durante a maior parte da sessão, mas na reta final do pregão viraram a tendência e subiam. Na Europa e Ásia, as bolsas fecharam em baixa.
No cenário doméstico, os investidores avaliam com cautela as denúncias envolvendo um ex-assessor de Flávio Bolsonaro, filho do presidente eleito Jair Bolsonaro. A avaliação preliminar é que o novo governo possa encontrar dificuldades para aprovar as medidas necessárias para o ajuste fiscal no Congresso, especialmente a reforma da Previdência.
— No Brasil, o episódio envolvendo um assessor do filho do presidente eleito Jair Bolsonaro acaba gerando desconforto antes da posse. E também em relação à economia brasileira existe a percepção de que, mesmo com os juros no patamar mais baixo da história, o crescimento não decola - analisa Perfeito.
Entre as ações mais negociadas do Ibovespa, os papeis da Petrobras recuaram e pesaram sobre o índice. Petrobras PN perdeu 4,72% a R$ 23,60 enquanto as ordinárias recuaram 4,38% a R$ 26,63. As ações de bancos também encerraram em queda: Itaú PN recuou 2,33% a R$ 34,73, enquanto as preferenciais do Bradesco perderam 1,66% a R$ 37,26. O preço do petróleo no exterior recuou mais de 3% e afetou as ações da estatal brasileira.
A maior alta do índice foi apresentada pelos papéis ordinários da Embraer, que subiram 2% a R$ 20,88 após o Tribunal Federal da 3ª Região cassar liminar que suspendia o acordo entre a Embraer e a Boeingpara a formação de uma joint venture entre a fabricante brasileira de aviões e a Boeing. A maior queda foi dos papeis preferenciais da Gol, com perda de 7,12% a R$ 18,40. A companhia aérea tem seus custos atrelados ao dólar e quando a moeda americana se valoriza a empresas tem gastos mais altos.

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