quarta-feira, 23 de março de 2016

COMENTÁRIO: Até onde Odebrecht deixará o melado escorrer?

Por Josias de Souza - UOL


Na nota que a Odebrecht divulgou para anunciar que seus executivos suarão o dedo na Lava Jato, o caminho da pólvora está esboçado em dois trechos. Num, a empreiteira informa que proporcionará aos investigadores uma “colaboração definitiva”. Noutro, insinua que ajudará a escancarar “a existência de um sistema ilegal e ilegitímo de financiamento do sistema partidário-eleitoral do país.” Se a maior construtora do país estiver falando sério, o Planalto Central está na bica de virar uma espécie de Papuda hipertrofiada.
A delação coletiva da Odebrecht deveria começar por um pedido de desculpas individual do seu presidente, Marcelo Odebrecht. Em outubro de 2013, quando a construtora foi jogada no ventilador da Lava Jato pela primeira vez, o príncipe da construção pesada divulgou uma nota. Nela, fez pose de vítima.
Marcelo Odebrecht escreveu: “Neste cenário nada democrático, fala-se o que se quer, sem as devidas comprovações, e alguns veículos da mídia acabam por apoiar o vazamento de informação protegida por lei, tratando como verdadeira a eventual denúncia vazia de um criminoso confesso que é 'premiado' por denunciar a maior quantidade possível de empresas e pessoas.''
O tempo passou. Oito meses depois, Marcelo Odebrecht estava preso em Curitiba. Acomodado no banco da CPI da Petrobras, foi tratado pelos parlamentares com uma fidalguia cúmplice. Sentiu-se à vontade para desafiar a paciência alheia. Disse que jamais seria um delator porque não tinha o que delatar.
Diante das câmeras, Marcelo Odebrecht evocou suas duas filhas para manifestar a aversão que nutre (ou nutria) pelo papel de dedo-duro. “Se elas brigassem, eu perguntasse quem começou, e uma dedurasse a outra, eu talvez brigasse mais com quem dedurou do que com aquela que fez o fato.”
Agora, cercado pela força-tarefa da Lava Jato e já condenado pelo juiz Sérgio Moro a 19 anos de cana, Marcelo Odebrecht, como o sapo de Guimarães Rosa —que pula por precisão, não por boniteza— percebeu que era hora de exercitar o dedo. Sob pena de repetir no petrolão o drama vivido no mensalão pela banqueira Kátia Rabelo e pelo operador de arcas clandestinas Marcos Valério, que foram enviados à cadeia pelo STF com as maiores penas .
O problema é que a Odebrecht achega-se ao guardachuva da delação com grande atraso. Os investigadores já apalparam até as provas da existência de um departamento de propinas na construtora. Avisam que, para obter benefícios judiciais, os executivos da Odebrecht terão de contar coisas que a Polícia Federal e a Procuradoria ainda não saibam.
Um dos integrantes da força-tarefa da Lava Jato disse ao blog que estranhou o trecho da nota da Odebrecht em que a construtora anuncia seu interesse em colaborar a despeito de não ter “responsabilidade dominante sobre os fatos apurados na Operação Lava Jato.” É como se repetisse, com outras palavras, a tese segundo a qual as empreiteiras não são corruptoras, mas vítimas de extorsão praticada por prepostos que os políticos acomodam na engrenagem do Estado. “Se vierem com essa conversa fiada, não tem acordo”, diz o investigador.
Dependendo do que Marcelo Odebrecht e seus executivos disserem, os depoimentos podem deslocar pedaços da investigação de Curitiba para Brasília. Espera-se que pinguem dos seus lábios, por exemplo, detalhes sobre as conexões monetárias da construtora com as arcas do comitê Dilma-2014, com o Instituto Lula, com a empresa de palestras do ex-presidente petista e com o célebre sítio de Atibaia.
De resto, flutuam na atmosfera tensa de Brasília um lote de perguntas: a Odebrecht jogará a oposição na frigideira? E quanto ao PMDB do vice-presidente Michel Temer? Logo, logo o país saberá até onde a Odebrecht está disposta a deixar o melado escorrer.

GESTÃO: Líder do DEM é condenado a devolver R$ 4,6 milhões aos cofres públicos

UOL
De Brasília

Sergio Lima-20.dez.2011/Folhapress
O líder do DEM na Câmara dos Deputados, Pauderney Avelino

O líder do DEM na Câmara dos Deputados, Pauderney Avelino, foi condenado pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE) a devolver R$ 4,6 milhões aos cofres públicos do Amazonas e multado em R$ 23 mil.
A acusação é de que Pauderney, no período em que era secretário da Educação de Manaus, teria superfaturado contratos de imóveis alugados pela prefeitura para a instalação de escolas. A decisão foi divulgada na última quarta-feira (16) e está suspensa até hoje devido a apresentação de embargos pela defesa do parlamentar.
Um dos principais líderes da oposição na Câmara, Pauderney disse que foi pego de "surpresa" com a determinação, que classificou como "esdrúxula". Ele também responsabilizou o PT, afirmando que a condenação é consequência de um "ataque" da legenda contra ele.
A denúncia, apresentada pela conselheira Yara Lins e acatada pelos membros do TCE-AM, tem como base uma representação de 2013 do vereador Bibiano Simões e do deputado estadual José Ricardo Wendling, ambos integrantes do Partido dos Trabalhadores.
Bibiano negou haver viés partidário na acusação, enfatizando que o pedido de investigação contemplou também a gestão anterior - o ex-secretário da Educação Mauro Lippi foi condenado no mesmo processo.
"Na época, Pauderney não era líder da oposição, era apenas secretário, portanto não existe lógica nessa teoria", comentou. "Essa veste da moral que o Pauderney vestiu tem que ser despida. Como ele pode fazer esse discurso quando comprovadamente praticou um crime? A oposição deveria escolher alguém com moral para fazer questionamentos ao governo."
Pauderney afirmou que a condenação não "enfraquecerá" a sua posição na Câmara. "Quem não deve não teme, pode vasculhar minha vida toda, eu não fui parte nesse processo", disse o deputado, que considera que a responsabilidade do caso é da prefeitura.
"Podem fazer o que quiserem, minha luta é pelo processo político, pelo impeachment da presidente (Dilma Rousseff)", completou. Na noite desta terça-feira (22), o parlamentar foi ao plenário para se defender e voltou a criticar Dilma e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva por suspeitas de corrupção.
Ele destacou que não teve direito à defesa durante o processo do TCE. Contudo, de acordo com o advogado de Pauderney, Luís Felipe Avelino, sobrinho do deputado, a defesa teve a oportunidade de se manifestar pelo menos cinco vezes sobre o caso, "explicando que os contratos investigados pelo TCE não foram apresentados a eles".
"Há cerceamento de defesa. O Pauderney não tem como se lembrar de cada um dos processos que participou, que participou não, porque ele não participava", defendeu o advogado. Outro argumento da defesa é que o nome de Pauderney não constava na pauta de julgamento, uma falha que poderia invalidar todo o processo.
Apesar de Luís Felipe admitir a assinatura do deputado em alguns contratos, ele minimizou a sua responsabilidade, afirmando que outros órgãos faziam a análise dos imóveis, como a Comissão de Avaliação de Imóvel (COAVIL) e a Procuradoria Geral do Município (PGM).
"O gestor não tem competência para discordar do parecer técnico. Se a procuradoria apontou que não havia irregularidade, ele não tinha como dizer que aquilo estava errado. Na verdade, não estava", disse Luís Felipe. Na decisão do TCE, a coordenadora da COAVIL, Norma Fonseca, foi condenada a pagar uma multa de R$ 8,7 mil por contribuir para falhas em um dos contratos.
Durante a fiscalização do TCE, técnicos encontraram diversas irregularidades, como a existência de contratos de aluguel com pessoas que não comprovaram ter a posse dos imóveis e pagamentos de valores acima do preço médio de mercado.
No ano em que Pauderney foi secretário da Educação, a prefeitura aumentou o pagamento mensal de aluguéis para prédios escolares de R$ 117 mil para R$ 123 mil, enquanto o preço avaliado pelos fiscais seria de R$ 64 mil. Em seu voto, Yara Lins listou a falta de processo licitatório e ausência de diversos documentos.
Pauderney Avelino atuou como secretário municipal de Educação, na gestão do ex-prefeito Artur Neto (PSDB) no período de janeiro a dezembro de 2013. Já o ex-secretário Mauro Lippi foi titular da pasta na gestão do ex-prefeito Amazonino Mendes, na época do PTB e hoje do PDT, em 2012.

MUNDO: Em editorial, 'Economist' pede renúncia de Dilma por 'tentativa grosseira de impedir Justiça'

ESTADAO.COM.BR
O ESTADO DE S. PAULO

A publicação britânica diz que a troca na presidência da República abriria caminho para um "novo começo" no Brasil

Dilma Rousseff

Londres - A revista britânica The Economist defende em editorial que é hora de a presidente Dilma Rousseff deixar o cargo. A escolha do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a Casa Civil foi uma "tentativa grosseira de impedir o curso da Justiça", diz o editorial que será publicado na nova edição que chega às bancas neste fim de semana. Por isso, Dilma está inapta a permanecer na Presidência, argumenta o texto. A publicação diz que a troca na presidência da República abriria caminho para um "novo começo" no Brasil.
"A indicação de Lula parece uma tentativa grosseira de impedir o curso da Justiça. Mesmo que isso não fosse sua intenção, esse seria o efeito. Esse foi o momento em que a presidente escolheu os limitados interesses da sua tribo política por cima do Estado de Direito", diz o editorial que tem o título "Hora de ir". "Assim, ela tornou-se inapta a permanecer como presidente", cita o editorial que defende que "a presidente manchada deveria renunciar agora".
O editorial nota que sempre defendeu que apenas a "Justiça ou os eleitores - e não políticos com interesses próprios tentando impedi-la - podem decidir o destino da presidente". Essa percepção, porém, mudou com a decisão tomada por Dilma ao indicar Lula, argumenta o editorial. A saída de Dilma Rousseff, diz o editorial, "ofereceria ao Brasil a oportunidade de um novo começo".
A Economist afirma que continua acreditando que o processo de impeachment pelas pedaladas fiscais segue parecendo injustificado. Assim, a revista nota que há três caminhos para a saída da presidente: 1) mostrar que Dilma Rousseff obstruiu o trabalho de investigação na Petrobrás; 2) por decisão do Tribunal Superior Eleitoral que resultaria em novas eleições ou 3) a renúncia. "A maneira mais rápida e melhor para a senhora Rousseff deixar o Planalto seria a renúncia antes de ser empurrada para fora", defende o editorial.
Sem Dilma, a Economist acredita que o Brasil poderia ter um governo de coalizão liderado por Michel Temer para executar reformas necessárias para estabilizar a economia e acabar com o déficit público próximo de 11% do Produto Interno Bruto. O editorial nota, porém, que Temer também está "profundamente envolvido no escândalo da Petrobrás como o PT". Assim, apenas "novas eleições presidenciais poderiam dar aos eleitores uma oportunidade de confiar as reformas a um novo líder".
O semanário britânico não é o primeiro veículo internacional a sugerir a saída da petista. Em editorial no começo da semana, o The Guardian sugeriu que se Dilma não conseguir restaurar a calma no Brasil, a presidente deveria convocar novas eleições ou renunciar. De acordo com o editorial publicado na edição de domingo do jornal, "uma das preocupações óbvias é que esses protestos, se não controlados, podem resultar em violência generalizada com risco de intervenção militar".

IMPEACHMENT: Dilma assegura que tem votos para barrar impeachment

ESTADAO.COM.BR
TÂNIA MONTEIRO E CARLA ARAÚJO - O ESTADO DE S. PAULO

Dilma classificou como “uma suposição que não é correta” a notícia divulgada de que o vice-presidente Michel Temer já estaria se movimentando para fazer composições para a sucessão da petista

A presidente Dilma Rousseff

Brasília - No momento em que o PMDB prepara o desembarque do governo, assim como outros partidos da base aliada e o Palácio do Planalto contabiliza voto a voto para segurar o impeachment, a presidente Dilma Rousseff assegurou, em entrevista, que tem os votos necessários para barrar a tentativa de afastá-la do cargo. “A gente tem que esperar o processo acontecer. Mas eu tenho convicção de que teremos votos necessários (para impedir o impeachment)”, declarou a presidente, que precisa ter 172 votos para barrar o processo.
Dilma classificou como “uma suposição que não é correta” a notícia divulgada de que o vice-presidente Michel Temer, já estaria se movimentando para fazer composições para a sucessão da petista. “Tem avaliações que não são só precipitadas, como não são corretas”, afirmou ela, acrescentando que tem “muita certeza de que os nossos ministros (do PMDB) estão comprometidos com sua permanência no governo”. E apelou: “nós queremos muito que o PMDB permaneça no governo. Tenho certeza que meus ministros têm compromisso com o governo”.
O PMDB marcou para o dia 29 de março a reunião para que o partido desembarque do governo. Ontem, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu com o presidente do Senado, Renan Calheiros e o ex-presidente José Sarney para tentar manter o partido na base, mas não conseguiu os apoios necessário. Questionada sobre o insucesso de Lula junto ao PMDB, a presidente Dilma disse que ele “não estava tratando disso”. Mas não deixou de lançar um pedido ao partido para permanecer na base aliada. “Nós queremos muito que o PMDB permaneça no governo. Tenho certeza que meus ministros tem compromisso com o governo. Vamos ver quais serão as decisões do PMDB e respeitaremos tal decisão”.
Dilma disse também que “não só acredita” que o presidente Lula vá para a Casa Civil, “como está trabalhando para tal”.

Golpe. A presidente Dilma voltou a chamar o processo de impeachment contra ela de “ilegítimo”, “ilegal” e “golpe”. Pediu também que houvesse “grande esforço para parar a tentativa sistemática de golpe” e elogiou a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal, Teori Zavascki, de trazer para a suprema corte todas os processos ligados ao ex-presidente Lula e que contém conversas dela própria em gravações. “A palavra não é comemorar. Todos os brasileiros devem ficar muito preocupados quando processos judiciais não são feitos dentro da lei”, disse ela, acentuando que “a base do estado democrático é o cumprimento por todos da legislação, da Constituição. Isso vale para presidente, ministro, Ministério Público, Polícia Federal, para todos os cidadãos, para cada um de nós, vale a mesma lei, dentro do princípio de que somos todos iguais perante a lei”. A presidente comentou ainda que considera a decisão do ministro Teori “importante importante porque ela estabelece o primado da lei, nas relações dos órgãos que investigam o presidente Lula”.
Dilma prosseguiu afirmando que as investigações contra Lula foram “um absurdo”. Em seguida, explicou que este processo, “feriu a base do estado democrático de direito e as garantias e direitos constitucionais” porque “vazaram um diálogo com a presidente da República”. E emendou: “autorizar ele (grampo) é uma violência legal. Vazar diálogos pessoais que não fazem parte do conteúdo da investigação é uma violência, é um padrão que não se deve aceitar, compactuar, padrão de comportamento que atinge a nós todos”. Depois de lembrar que, em privado, as pessoas falam de uma forma mais descontraída, sem se policiar como acontece, quando se está falando em público, e que é um absurdo gravar diálogos, a presidente Dilma condenou também o grampo a advogados. “É um absurdo violar direito de defesa grampeando advogado. Uma democracia moderna não compactua com esse tipo de prática”, comentou ela, acrescentando que a decisão de Teori foi importante porque a sociedade brasileira “conquistou a duras penas um processo que nos levou a construção do que temos hoje, que é um pais com liberdade de expressão, de manifestação, com instituições sólidas e preservá-las é nosso objetivo”.
A presidente Dilma não quis comentar a decisão do presidente da Odebrecht, Marcelo Odebrecht, de fazer delação premiada.
As declarações da presidente Dilma foram dadas em entrevista após visitar as obras de solo de construção do satélite geoestacionário de defesa e comunicações estratégicas que está previsto para ser lançado entre dezembro deste ano e fevereiro do ano que vem. O satélite é o primeiro equipamento totalmente controlado pelo governo brasileiro.
Desemprego. Ainda na manhã desta quarta-feira, a presidente Dilma afirmou que, apesar do desemprego ter subido a maior taxa aconteceu "na época do FHC", referindo-se ao governo tucano de Fernando Henrique Cardoso. "Esse desemprego é grande em relação ao mínimo que nós chegamos no meu governo, que foi de 4,6%", afirmou. "Mas temos certeza que estamos trabalhando forte para que esse desemprego seja revertido", completou. 
A taxa de desemprego apurada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nas seis principais regiões metropolitanas do País ficou em 8,2% em fevereiro - o maior patamar para o mês desde 2009. Considerando todos os meses, a taxa é a mais alta desde maio de 2009, quando foi de 8,8%.
Dilma disse ainda que o governo tem "duas grandes preocupações" com a economia, o desemprego e a inflação. Segundo ela, no caso do aumento de preços já é possível vislumbrar "boas notícias. "A boa notícia é que inflação já mostra todos os sinais de declínio. Há por parte do mercado, que geralmente é pessimista, a convicção de que inflação está em trajetória de declínio", afirmou. 
A presidente disse que é preciso somar os esforços do governo para reduzir o desemprego e a inflação em queda, mas disse que o País só voltará a crescer com o fim da crise política. "Acredito que o grande esforço para o Brasil voltar a crescer é estabilidade política", disse, ressaltando que "a tentativa sistemática do golpe" com um processo de impeachment sem motivos prejudicam o País.

CASO PETROBRAS: Léo Pinheiro, da OAS, também negocia acordo de delação premiada

OGLOBO.COM.BR
POR JAILTON DE CARVALHO

Ex-presidente da empreiteira segue o mesmo caminho de Marcelo Odebrecht


O ex-presidente da OAS Léo Pinheiro corre o risco de começar a cumprir pena este ano - Agência Câmara 26-5-2015

BRASÍLIA - Depois de anunciada a decisão de Marcelo Odebrecht e outros executivos da Odebrecht de fazer acordo de delação premiada, chegou a hora do também empreiteiro José Adelmário Pinheiro, o Léo Pinheiro, ex-presidente da OAS, seguir o mesmo caminho. Pinheiro está negociando um acordo com as forças-tarefa do Paraná e da Procuradoria-Geral da República, segundo disse ao GLOBO uma pessoa que acompanha as tratativas de perto.
A decisão deve ser anunciada em breve. Pinheiro e Marcelo Odebrecht teriam tomado simultaneamente a decisão de partir para a delação.
— As negociações estão avançando. Na hora que um fechar o acordo, o outro também fecha. É uma questão de sobrevivência — disse um privilegiado interlocutor de um dos empresários.
A negociação da OAS e Odebrecht foi antecipada pelo O GLOBO no início do mês. As duas construtoras estão entre as maiores financiadoras de campanhas eleitorais no país. Também teriam papel fundamental no esclarecimento sobre as questões levantadas na 24ª etapa da Lava-Jato: as relações entre os dois grupos e o ex-presidente Lula. As empreiteiras fizeram um consórcio informal para fazer reformas em sítio de Atibaia (SP) usado por Lula. O sítio está em nome de Fernando Bittar e Jonas Suassuna. A força-tarefa investiga se o sítio pertence ao ex-presidente.
Condenado a 16 anos de prisão pelo juiz Sérgio Moro, o empresário foi solto, mas usa tornozeleira eletrônica. O cumprimento da pena começa a partir da ratificação de condenação em segunda instância e não do trânsito em julgado do processo, como ocorria anteriormente.

COMENTÁRIO: Tiro no pé

POR MERVAL PEREIRA - OGLOBO.COM.BR

Falei agora de manhã com o ministro Gilmar Mendes, que está em Lisboa. Ele recebeu com naturalidade a decisão de seu colega Teori Zavascky de avocar para si a investigação sobre o ex-presidente Lula, lembrando que o objeto da reclamação era a presidente Dilma.
Na prática, com a decisão de ontem, o ministro Teori Zavascky retomou uma jurisprudência que já havia sido abandonada pelo Supremo Tribunal Federal, e deu ao ex-presidente Lula foro privilegiado em conexão com a presidente Dilma e demais autoridades, como o ministro Jaques Wagner. 
O relator no Supremo da Operação Lava Jato atendeu a uma reclamação da Advocacia-Geral da União (AGU) a respeito das interceptações telefônicas em que autoridades com foro privilegiado, especialmente a presidente Dilma, foram fortuitamente gravadas em suas conversas com Lula.
O ministro Zavascky quer saber do juiz Sérgio Moro por que liberou a gravação de pessoas com foro privilegiado, e já diz no despacho que ele não era autoridade competente para tanto. A jurisprudência diz que é o STF, e não o juiz de primeira instância, que define se houve crime de pessoa com foro privilegiado e se, por conexão, todo o processo fica no Supremo ou se será desmembrado.
Zavascky considerou "descabida" a explicação de Moro de que o conteúdo da conversa tinha interesse público, e por isso autorizou o fim do sigilo. Aqui, temos uma clara distância entre a visão mais contemporânea de Justiça de Moro, seguida por diversos outros juízes, e a do conservador Zavascky. A decisão do Juiz Sérgio Moro de divulgar as fitas, considerada por Teori Zavascky indevida, não anula a prova, mas pode gerar um processo contra o juiz no Conselho Nacional de Justiça.
Com a decisão, embora não tenha se manifestado sobre a indicação do ex-presidente para o ministério, o ministro Teori Zavascky suspende na prática qualquer investigação a respeito do ex-presidente Lula até que receba as explicações de Moro, ou o plenário do STF decida a questão. Mas a Operação Lava-Jato prossegue intocada, e as delações que envolverem o ex-presidente Lula continuarão sendo colhidas e servindo como provas testemunhais importantes.
No limite, a medida de Zavascky pode levá-lo a abrir um processo contra a própria presidente Dilma, se chegar à conclusão de que, na conversa com o ex-presidente Lula, ela cometeu o crime de tentativa de obstrução da Justiça. O instrumento utilizado pela AGU para acionar o STF – uma reclamação – dá margem a essa possibilidade, pois só é utilizado quando uma autoridade com foro privilegiado é apanhada fortuitamente, e a defesa alega que a prova não pode ser usada.
Foi o caso do ex-senador Demóstenes Torres quando flagrado fortuitamente em conversa telefônica com o bicheiro Carlinhos Cachoeira, que estava sendo grampeado a mando da Justiça.
O ministro Teori Zavascky encaminhará ao Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot os áudios e as explicações de Moro, e caberá a ele propor ou não um processo.

MUNDO: Jeb Bush anuncia apoio a Ted Cruz na disputa republicana

UOL
Em Washington

Robyn Beck/AFP
15.dez.2015 - O pré-candidato republicano Ted Cruz (esq) e o ex-governador da Flórida Jeb Bush se cumprimentam antes de debate em Las Vegas (Nevada)

O ex-governador da Flórida Jeb Bush anunciou nesta quarta-feira (23) apoio a Ted Cruz na disputa partidária pela candidatura presidencial para as eleições de novembro nos Estados Unidos.
"Queria que todos vocês fossem os primeiros a saber que hoje estou apoiando Ted Cruz à presidência", anunciou em um comunicado Jeb Bush, ex-pré-candidato republicano que abandonou as primárias no mês passado.
"Ted é um conservador consistente e com princípios que tem demonstrado capacidade para atrair eleitores e vencer primárias, incluindo o caucus de ontem em Utah", completa Bush, em referência a um dos três estados que organizaram votações na terça-feira.
Bush, que abandonou o processo eleitoral após uma campanha decepcionante, destacou que o Partido Republicano deve demonstrar união ou enfrentar a derrota nas eleições de novembro, possivelmente para a democrata Hillary Clinton.
Bush lançou assim um dardo contra o magnata Donald Trump, que lidera com tranquilidade a disputa republicana e enfrenta a resistência da cúpula do partido.
"Pelo bem de nosso partido e de nosso país, devemos superar a vulgaridade e as divisões que Donald Trump provoca na arena política ou certamente perderemos a oportunidade de derrotar a indicada democrata, que provavelmente será Hillary Clinton", completa no comunicado.

TERROR: Polícia belga empreende "caçada" por principal suspeito de atentados

Do UOL, em São Paulo

Polícia Federal belga/ AFP
Najim Laachraoui, 25, é apontado como principal suspeito nos atentados a bomba realizados no aeroporto de Bruxelas

A polícia belga empreendia nesta quarta-feira (23) uma caçada pelo principal suspeito de envolvimento nos ataques de ontem em Bruxelas, Najim Laachraoui, que está foragido. Ele é o homem que aparece de jaqueta clara e chapéu no aeroporto ao lado de dois kamikazes no aeroporto de Bruxelas. 
Diversos sites e redes de televisão locais chegaram a informar que Laachraoui havia sido preso nesta quarta-feira (23) no bairro de Anderlecht da capital belga, mas depois se retrataram. Em entrevista nesta manhã, a Procuradoria belga confirmou que ele está foragido. 
Os atentados deixaram 31 mortos, mas esse número deve aumentar, segundo o procurador Frederic van Leeuw, porque o estado de muitos dos 271 feridos é crítico.
Segundo as primeiras informações, o belga é muito próximo de Salah Abdeslam, que havia participado dos ataques em Paris em novembro do ano passado e foi preso na Bélgica na semana passada.
Laachraoui também teria participado dos atentados de novembro, como o responsável por montar os explosivos carregados pelos suicidas. 
De acordo com o jornal "Le Monde", Laachraoui visitou a Síria em fevereiro de 2013 e deu apoio logístico aos atentados de Paris, já que seu DNA foi encontrado no "material explosivo" em frente ao Stade de France e ao Bataclan - dois pontos de ataques. Além disso, suas digitais foram encontradas no apartamento onde a polícia belga prendeu Abdeslam.
A Procuradoria também identificou os dois kamikazes da ação e a mídia da Bélgica informou que eles são os irmãos Khalid e Ibrahim el-Bakraoui, moradores da capital. Ambos eram conhecidos das autoridades, tendo já sido condenados por crimes menores, como assalto a mão armada e pequenos furtos. 
Ibrahim foi o kamikaze que realizou o ataque no aeroporto de Zaventem, enquanto Khalid foi o responsável pelo ataque no metrô de Maelbeek, informou a Procuradoria.
O segundo kamikaze do aeroporto não foi identificado.
Interpol/AFP
Os irmãos Khalid (esq) e Ibrahim (dir) El Bakraoui

Van Leeuw afirmou ainda que as forças de segurança belgas encontraram ainda em Bruxelas um laptop onde foi encontrada uma carta suicida de Ibrahim Bakraoui e mensagens ligadas ao Estado Islâmico (EI).
Na carta, Ibrahim dizia que a polícia estava buscando por ele e que não queria acabar numa cela de prisão.
"Sempre fugindo, sem saber mais o que fazer, sempre procurado por todos os lados, não estar seguro mais e se se demora mais ele se arrisca a ir parar numa cela", dizia a carta, segundo o procurador.
Na busca foram encontrados ainda 15 kg de explosivos, 150 litros de acetona, 30 litros de água oxigenada, detonadores, uma mala cheia de pregos e materiais usados para embalar explosivos. (Com agências internacionais)

ECONOMIA: Gastos de brasileiros no exterior caem 43,6% em um ano, aponta BC

Do UOL, em São Paulo

Shutterstock

Os brasileiros gastaram em viagens internacionais um total de US$ 841 milhões em fevereiro, uma queda de 43,56% em relação ao mesmo mês do ano passado, quando os gastos com turismo no exterior tinham sido de US$ 1,49 bilhão.
Os números são do Banco Central (BC) e foram divulgados nesta quarta-feira (23).
Em janeiro, os gastos no exterior foram de US$ 840 milhões
A queda nos gastos de brasileiros no exterior deve-se ao dólar mais alto, que encarece as passagens, diárias de hotéis e outras despesas. Analistas do mercado financeiro projetam que o dólar encerrará este ano cotado a R$ 4,20.
Em fevereiro, a moeda norte-americana estava em patamares mais altos que os registrados neste mês, em que o dólar acumula desvalorização. 
Em 2015, o total de despesas de brasileiros foi de US$ 17,36 bilhões, o valor mais baixo desde 2010, quando os gastos haviam sido de US$ 15,97 bilhões.
Gastos de estrangeiros no Brasil sobem
Enquanto as despesas de brasileiros no exterior caíram, as receitas de estrangeiros no Brasil subiram 14,97%, no mesmo período de comparação. As receitas de estrangeiros no país totalizaram US$ 599 milhões no mês passado, contra US$ 521 milhões em janeiro de 2015.
Com isso, a conta de viagens (receitas menos despesas) do Brasil fechou negativa em US$ 242 milhões em fevereiro, ante saldo negativo de US$ 969 milhões em fevereiro de 2015.
Nova metodologia do BC
Em abril do ano passado, o BC adotou nova metodologia internacional para medir as contas externas.
Dentro da conta de serviços, onde estão os gastos com viagens, o BC passou a apresentar novas linhas, como serviços de propriedade intelectual (antigos royalties), e telecomunicações, computação e informações, que capta despesas com software, por exemplo.
A nova nota também traz outros serviços --pesquisa, desenvolvimento, publicidade, engenharia, arquitetura, limpeza e despoluição--, e serviços culturais, pessoais e recreativos.

COMENTÁRIO: Maré de incertezas

Por Celso Ming - ESTADAO.COM.BR

Não há resposta segura se a pergunta for quando e em que condições o Brasil sairá desta crise econômica. Por enquanto, o governo Dilma não consegue mais do que adotar decisões cosméticas

O processo de impeachment está rolando na Câmara dos Deputados e a percepção dos analistas a respeito de seu impacto sobre a atividade econômica é ambivalente.
Para alguns, a solução política que poderia advir daí tenderia a criar condições para a superação da crise econômica. Para outros, o processo é tão traumático e traz tantas novas incertezas que tende a aprofundar os tempos de dureza, sem garantir a normalização da atividade política. 
Dilma. O que será do amanhã?

O lado positivo vem sendo explicitado pelo comportamento do mercado financeiro, que puxa a alta da Bolsa e derruba o dólar sempre que fica mais provável o afastamento da presidente Dilma. Indica com isso que nada melhor para o equacionamento da crise econômica do que a recuperação da confiança que adviria da substituição do governo Dilma.
No entanto, como não há clareza para o desfecho da crise política e como no dia seguinte da eventual saída da presidente Dilma as tensões poderiam se multiplicar, sobra uma apreensão difusa sobre o futuro imediato.
Por enquanto, a Comissão do Impeachment se limita a analisar apenas os efeitos do crime de responsabilidade da presidente da República cometido por meio das pedaladas fiscais e da má administração das contas públicas. Nesse caso, se o Congresso aprovasse o impeachment, a principal consequência política seria a condução do vice-presidente Michel Temer à chefia do governo, supostamente com apoio da maior parte da atual oposição.
O problema é que esse tipo de solução não resolve tudo. Está em curso o processo no Tribunal Superior Eleitoral que examina a existência de irregularidades no financiamento de campanha nas últimas eleições. No caso de impugnação da chapa vencedora, também o vice-presidente, Michel Temer, teria de ser afastado e em três meses o País teria nova eleição.
Afora isso, há outras fontes de incerteza que poderiam produzir novos fatos políticos relevantes, como a evolução das investigações e das denúncias premiadas no âmbito da Operação Lava Jato. Seriam lances de forte repercussão que também poderiam derrubar certo número de peças importantes do tabuleiro.
Ou seja, neste momento não há nenhuma condição de se saber quem governará o Brasil dentro de mais alguns meses. Nem de se saber que política econômica passará a vigorar e com que apoio.
Como foi pontuado na Coluna dessa segunda-feira, não está descartada a hipótese de que a presidente Dilma continue à frente do governo até o fim de 2018. No entanto, se isso acontecer, nada garantiria a recuperação da confiança, a normalização da política econômica e a recuperação da atividade.
Não há resposta segura se a pergunta for quando e em que condições o Brasil sairá desta crise econômica. Por enquanto, o governo Dilma não consegue mais do que adotar decisões cosméticas sem pegada para virar o jogo contra, como as que foram adotadas para alterar certas condições da dívida dos Estados. 
CONFIRA:
Caged
No gráfico, o saldo de empregos formais desde janeiro de 2015.

Decepção
O comportamento do mercado formal de trabalho segue fortemente decepcionante. Em fevereiro o número de vagas fechadas no Brasil foi substancialmente maior do que o esperado. 
Piora
É mais um indicador que reflete a piora da atividade econômica, agora agravada pelo acirramento da crise política. É improvável a melhora do emprego antes que se resolva o atual impasse político.

COMENTÁRIO: Não vai ter golpe

Por Eliane Cantanhêde - ESTADAO.COM.BR

Só o desespero explica que, abatida, com olheiras, Dilma Rousseff reúna juristas no Planalto para fazer um discurso indescritível “em defesa da legalidade, da Constituição, do Estado de Direito” e termine ecoando os movimentos pró-PT: “Não vai ter golpe!”. Soou como grito de guerra contra o Congresso e a Justiça.
Há, definitivamente, algo de muito errado quando o, ou a, presidente usa os salões do Planalto para eventos carregados de dramaticidade em que, num dia, negue que vá renunciar; no outro, dê posse ao antecessor para livrá-lo da Justiça; num terceiro, diga, em tom de ameaça, que “não vai ter golpe”. Que presidente é essa? Que governo é esse?
A situação está fora de controle, com Dilma repetindo pela milésima vez que foi vítima da ditadura, o governo perdendo todas no Supremo, Lula correndo atrás de um PMDB inalcançável, a economia derretendo e o impeachment correndo solto na Câmara.
Enquanto isso, o vice Michel Temer nega, mas está obviamente articulando um governo de transição. Do ponto de vista do governo, uma traição. Para a oposição, uma articulação legítima. E, sob o ângulo prático, uma necessidade. E se, por acaso, quem sabe, talvez, o impeachment passe? Nesse caso, Temer vai tentar o que Lula poderia ter tentado um ano atrás, antes que as condições políticas e econômicas se deteriorassem de vez e que a Lava Jato o pegasse de jeito: um grande pacto político. O vice só terá alguma chance se fechar o apoio integral do PMDB, atrair o PSDB, conseguir a maioria dos partidos e – por causa de tudo isso ou, ao contrário, apesar de tudo isso – formar um “ministério surpreendente”, como acenou o tucano José Serra em entrevista aoBEstado.
Dilma fala, ninguém ouve mais. Reúne governadores, não repercute. Anuncia medidas, nada acontece. Sem capacidade de reação, tenta a resistência em reuniões fechadas e com discursos amedrontadores e amedrontados. O governo está parado, o país está parado. E Lula, imobilizado. Perdeu o “timing” para tentar salvar o governo.
Aconteça o que acontecer, a prioridade zero do Brasil será mostrar que há governo, recuperação, forças políticas responsáveis e forças econômicas dispostas a investir no fim da crise. Com o impeachment, porém, isso não vai depender só de articulações de cúpula entre PMDB, PSDB, oposição. Vai depender também das massas, do próprio PT e de como o mundo perceber o processo.
Daí porque há, na entrevista de Serra, um detalhe de alta relevância. Ao enumerar as condições para o apoio a um eventual governo Temer, o tucano diz que ele deve ficar fora em 2018, longe das eleições municipais e, além de reunir um ministério com os melhores nomes das prateleiras nacionais, deve também dar garantias de que não haverá “retaliação”. A conclusão é óbvia: foi um recado ao PT. Indica que petistas, pemedebistas, tucanos, aliados e adversários do Planalto conversam sobre o “day after”, de forma que um governo de transição não dispare um caça às bruxas, não saia expurgando petistas, não tripudie quem sair perdendo. Que fique claro: conversas nesse nível só são possíveis se parcela relevante do petismo já está jogando a toalha.
Há, porém, empecilhos para acordo. O ambiente político está contaminado, as massas petistas são belicosas e ninguém mais fala em nome de ninguém (aliás, foi o que Temer disse em nota depois da fala de Serra). Além disso, a Lava Jato está a mil por hora e não há acordo de cúpula que vá produzir um cavalo de pau. Os políticos podem acertar o que quiserem, mas vai ser um Deus-nos-acuda.

PS – Evo Morales (Bolívia) tenta convocar a Unasul para defender “a democracia” no Brasil. Logo, só pode ser para defender a Justiça, o próprio Supremo, o Ministério Público, a Polícia Federal, a Receita Federal e a mídia. Bem vindo!

COMENTÁRIO: Luta armada

Por Dora Kramer - ESTADAO.COM.BR

Acuada, a presidente Dilma Rousseff achou por bem voltar-se contra a maioria da população brasileira. De seu bunker no Palácio do Planalto, rodeada por militantes partidários e em tom de franca confrontação, a mandatária deu início ontem a uma ofensiva em prol da manutenção de seu mandato com invocação por sinal trocado ao golpe militar de 1964.
Dilma aludiu à rede da legalidade deflagrada há 52 anos por Leonel Brizola no Rio Grande do Sul em defesa do governo João Goulart, como se o Brasil hoje estivesse em situação semelhante: sob o risco da quebra do estado de direito, prestes a cair numa ditadura. Seria grave se fosse verdade, mas o pior é que é mentira essa tentativa de qualificar como ilegal uma realidade pautada pelo respeito à Constituição. 
Se há alguém do lado sombrio da lei são os investigados pelo Ministério Público com respaldo do Supremo Tribunal Federal, conforme assentou a ministra Rosa Weber ao negar provimento ao habeas corpus impetrado pelo ex-presidente Luiz Inácio da Silva, enquanto a presidente se pronunciava no Palácio do Planalto.
Na palavra, a presidente defende a lei. Nos atos, a Justiça corrobora a legalidade, de resto abrigada no desejo da maioria da população expresso tanto nos protestos de 13 de março quanto nas pesquisas de opinião que indicam 68% de rejeição ao atual governo. Com isso, a presidente põe a maioria na condição de “golpista”.
O fracasso da ideia de salvar o governo em geral e o ex-presidente Luiz Inácio da Silva em particular dando a ele o cargo de ministro-chefe da Casa Civil, era uma das favas mais contadas da República. Afora uma euforia desarvorada reinante no PT, todas as análises apontavam na direção do erro. Evidente que aquilo não poderia dar certo. Caso de pau que nasce e morre torto.
Atingido o limite da ignomínia, o governo resolveu prosseguir ao cogitar da troca de comando na Polícia Federal como solução para seus problemas. Concretizada a manobra, obviamente dará errado. Será mais um da interminável série de tiros no peito do Palácio do Planalto. Gasolina em fogo incandescente.
As entrevistas do novo ministro da Justiça, Eugênio Aragão, são provocativas e, por isso, contraproducentes. Ele se posiciona em defesa da lei ao indicar que punirá quaisquer ações de vazamentos de informações. Mediante o “cheiro” de irregularidades, à revelia de comprovações. Tudo certo, não fosse o adendo em que dispensa provas para aplicar punições. Trata-se de uma incongruência em relação ao discurso palaciano de que a Operação Lava Jato atua sem provas.
Por esse critério, ou muito menos, boa parte da República já estaria na cadeia. Aí incluídos os dois maiores beneficiários de todo esquema de corrupção, os presumidos mandantes por evidente domínio de todos os fatos.

Pode ser que vá. Não obstante o posicionamento do senador José Serra em favor do impeachment, suas articulações com o vice-presidente, Michel Temer, a entrega a ele do comando da economia no caso de uma troca de presidente pode ser mera especulação. Serra examina a hipótese, mas pesa prós e mede contras, a depender da conformação de um possível governo de transição.
Há 30 anos, Serra é cogitado para o cargo de ministro da Fazenda. Com Tancredo Neves (e depois José Sarney) não quis entrar no governo quando viu a Fazenda ser entregue a Francisco Dornelles. No governo Collor, concordou com o veto do PSDB à adesão. Com Itamar Franco, pressentiu que o temperamento mercurial do presidente daria problema. No governo Fernando Henrique, em princípio discordava do Plano Real. 
Agora, só iria para um governo que na concepção dele tivesse tudo para dar certo e, assim, pavimentar sua candidatura a presidente em 2018.

TERROR: Terrorista registrado em câmera do aeroporto de Bruxelas ainda está foragido

OGLOBO.COM.BR
POR O GLOBO COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

Imprensa belga volta atrás e desmente informações sobre a detenção de Najim Laachraoui

Polícia belga divulgou imagens dos supostos suspeitos pelos ataques a aeroporto de Bruxelas - AFP

BRUXELAS — A polícia belga continua nesta quarta-feira à caça de suspeitos e pessoas ligadas aos atentados de Bruxelas, que mataram ao menos 31 pessoas e feriraram outras 271 na terça-feira. Dois dos terroristas foram identificados como os irmãos Khalid e Brahim El Bakraoui — o primeiro se explodiu na estação de metrô de Maalbeek e o segundo, no aeroporto Zaventem. Mais cedo, a imprensa belga informou a detenção de um terceiro suspeito, identificando-o como Najim Laachraoui, mas voltou atrás e desmentiu a informação. As autoridades não confirmaram se Laachraoui é um dos homens que aparece na imagem capturada pelas câmeras de segurança do aeroporto internacional de Bruxelas.
"O homem detido em Anderlecht não é Najim Laachraoui", indicou o jornal "La Dernière Heure". O canal RTL também reconheceu que "o suspeito detido" não era Najim Laachraoui, sobre quem pesa uma ordem de captura relacionada aos atentados de 13 de novembro em Paris. É a primeira pista que vincula os dois ataques.
O Estado Islâmico (EI) assumiu a autoria do maior atentado já ocorrido na Bélgica, com explosões no aeroporto de Bruxelas e na estação de metrô. Localizada no centro da cidade, a estação fica próxima a prédios da União Europeia (UE).
Inicialmente, circulou a informação de que Laachraoui seria o homem que aparece de branco e chapéu na foto, enquanto os irmãos Bakraoui seriam os dois vestidos de preto.A procuradoria federal, no entanto, confirmou nesta quarta-feira apenas a identificação de Brahim (centro da imagem) e disse que os outros dois homens flagrados no circuito interno de TV do aeroporto ainda não foram identificados.
O DNA de Laachraoui tinha sido encontrado em casas utilizadas pelos suspeitos dos atentados em Paris. Ele viajou para a Hungria em setembro com Salah Abdeslam, principal suspeito dos ataques na capital francesa, que foi detido na última sexta-feira na capital belga.
Segundo fontes de segurança, evidências apontam que os terroristas teriam cometido os ataques em Bruxelas como forma de vingar a prisão de Abdeslam. Durante uma busca num apartamento que seria usado pelos irmãos El Bakraoui, a polícia descobriu — além de bombas com pregos e uma bandeira do Estado Islâmico — 20 quilos de TATP (explosivo usado nos atentados de Paris) e 50 litros de acetona, usada para o material.
FABRICANTE DE BOMBAS
Capturado em uma fotografia da câmera de segurança no aeroporto de Bruxelas, Laachraoui aparece vestido de branco e levando um carrinho de bagagem. Ele não detonou uma bomba, que logo depois teria sido destruída em uma explosão controlada.
Suspeita-se que Laachraoui seja fabricante de bombas. Meios de comunicação franceses afirmaram que ele também desempenhou um papel importante nos ataques terroristas em Paris, em novembro, que deixaram 130 pessoas mortas.
Depois dos ataques em Bruxelas, as autoridades belgas elevaram para o máximo o nível de alerta terrorista. O aeropoto continuará fechado para passageiros na quinta-feira, enquanto um amistoso entre Bélgica e Portugal na próxima terça-feira foi cancelado por motivos de segurança.
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Primeiro-ministro, Charles Michel (esq.), e a ministra da Saúde, Maggie De Block, recebem o rei Philippe e a rainha Mathilde em um hospital onde as vítimas dos ataques estão sendo tratadas em Bruxelas - DIRK WAEM / AFP

APARTAMENTO REVISTADO
Khalid El Bakraoui, de 27 anos, tinha alugado sob um nome falso o apartamento no bairro Forest da capital belga, onde a polícia matou um homem armado em uma operação na semana passada, disse a emissora RTBF.
O jornal belga DH informou que os irmãos Bakraoui teriam fugido do apartamento em Forest após o tiroteio com as forças de segurança na semana passada.
Ambos os irmãos têm antecedentes criminais, mas não tinham sido ligados pela polícia aos militantes islâmicos até agora, disse a RTBF.
Brahim El Bakraoui, de 30 anos, foi condenado em outubro de 2010 por disparar um rifle de assalto Kalashnikov contra a polícia e ferir um policial, em Bruxelas, no início daquele ano. Ele foi condenado a nove anos de prisão.
Após os atentados de terça-feira, vários países europeus reforçaram a segurança em seus aeroportos e estações de transporte. A Bélgica fechou sua fronteira com a França, e duas centrais nucleares foram esvaziadas.
Terceiro suspeito é mostrado em imagens da polícia belga Foto: Reprodução

Najim LaachraouiNajim Laachraoui, de 24 anos, teria sido detido na manhã de quarta-feira em Anderlecht, mas a imprensa desmentiu o relato inicial. Flagrado em câmera de segurança no aeroporto de Bruxelas, ele aparece vestido de branco e levando um carrinho de bagagem ao lado de outros dois homens. Seu DNA havia sido achado em residências de jihadistas na capital.



MUNDO: Vitórias no Arizona ampliam vantagem de Hillary e Trump

FOLHA.COM
THAIS BILENKY
DE NOVA YORK
DE SÃO PAULO

O empresário Donald Trump e a ex-secretária de Estado Hillary Clinton venceram as prévias no Arizona nesta terça (22), ampliando a vantagem de ambos na disputa pelas candidaturas republicana e democrata, respectivamente, à Casa Branca.
Com a vitória, Trump levou os 58 delegados em disputa de uma vez, chegando a 738 dos 1.237 representantes partidários necessários para obter a nomeação republicana.
Jim Bourg/Reuters 
O empresário Donald Trump, pré-candidato republicano à Presidência dos EUA, discursa em Washington

Entre os democratas, Hillary ficou com 58% dos votos no Arizona, conquistando 41 delegados. A ex-secretária de Estado já soma 1.214 na disputa — são necessários 2.383 delegados para conquistar a nomeação democrata.
Seu adversário, o senador Bernie Sanders, de Vermont, venceu em Idaho (78%) e em Utah (80%). No primeiro Estado ele conquistou 17 delegados, e no segundo, 18. Ele soma 901 nas prévias.
Joe Raedle/AFP 
A ex-secretária de Estado americana Hillary Clinton durante evento de campanha na Flórida

Em ambos os Estados, Sanders chegou com vantagem apertada nas pesquisas. Em discurso, o senador citou comparecimento recorde de eleitores e festejou a "energia e o entusiasmo" com sua campanha.
O senador ultraconservador Ted Cruz venceu a prévia republicana em Utah, com 69% dos votos, o que lhe dá mais 40 delegados —o candidato agora soma 463. Cruz liderava as pesquisas nesse Estado do oeste americano com 53%, seguido pelo governador de Ohio, John Kasich, com 29%. Trump aparecia com apenas 10%.
O magnata fez uma campanha polêmica no Estado, ao questionar a fé do candidato republicano à Presidência em 2012, Mitt Romney, mórmon como grande parte do eleitorado em Utah. Romney, que vota no Estado, pediu o voto útil em Cruz.
APELO CONJUGAL
Trump e Cruz se estranharam horas antes de saírem os resultados. O empresário ameaçou o senador por supostamente ter usado uma foto de sua mulher, Melania Trump, em um comercial.
"Ted Cruz mentiroso, tome cuidado, ou vou centrar fogo na sua mulher!", escreveu em sua conta no Twitter.
Cruz negou que a imagem tenha sido usada por sua campanha. "Donald, se você tentar atacar Heidi [Cruz, sua mulher], você se revelará ainda mais covarde do que eu imaginava", rebateu.

CASO PETROBRAS: Mulher e filha de Cunha pedem para STF suspender investigação contra elas

FOLHA.COM
MÁRCIO FALCÃO, DE BRASÍLIA

Pedro Ladeira - 5.nov.2015/Folhapress 
O deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e sua mulher, a jornalista Cláudia Cruz

As defesas da jornalista Claudia Cruz e de Danielle Dytz da Cunha, mulher e filha do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), entraram nesta terça-feira (22) com um habeas corpus para suspender as investigações sobre contas no exterior ligadas a elas pelo juiz Sergio Moro, responsável pelos processos da Lava Jato no Paraná.
Os advogados argumentam que, enquanto não for julgado o recurso que pede a reversão da decisão do ministro Teori Zavascki que enviou o caso delas para o Paraná, as apurações devem permanecer bloqueadas.
Segundo os advogados, não há indícios de que elas tenham ligação com o esquema de corrupção da Petrobras.
"Não há nada nos autos a indicar terem as pacientes [Claudia e Danielle] praticado crime em desfavor da mencionada empresa estatal, tampouco existe qualquer indício, e nem mesmo a PGR indicou isso, de que elas teriam participado de esquema capitaneado por Alberto Youssef [doleiro]", afirmam os defensores.
A ação sustenta ainda que há conexão da situação delas com o presidente da Câmara. "A condição específica delas nesse procedimento investigatório apresenta conduta estreita e essencialmente vinculada ao parlamentar denunciado."
O pedido será analisado pelo ministro Celso de Mello.
Teori atendeu a pedido da Procuradoria-Geral da República. Esse desmembramento era um dos temores de Cunha nos bastidores, porque, sem o foro privilegiado no Supremo, é mais fácil na primeira instância a decretação de prisões cautelares.
A Procuradoria entendeu que é possível apurar se elas eventualmente cometeram crimes independentemente da ligação com Cunha, porque elas tinham autonomia sobre as contas. Uma das quatro contas ligadas a Cunha no exterior foi aberta em nome de Claudia e tinha Danielle como beneficiária.
A PGR aponta que as despesas pessoais da família de Cunha foram custeadas por propina de contratos da Petrobras na África e são "completamente incompatíveis como os rendimentos lícitos declarados do denunciado e seus familiares."
Cunha teria recebido mais de R$ 5 milhões em propina para garantir o esquema de corrupção na Petrobras e atuar na Diretoria da Área Internacional para facilitar e não colocar obstáculo na compra do campo de Benin –ao custo de R$ 138 milhões para a estatal.
Pedro Ladeira - 28.mai.2015/Folhapress 
Danielle Cunha, filha do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ)

SIGILO
Além de pedir que as investigações de Claudia e Danielle seguissem para Moro, a PGR apresentou denúncia contra Cunha no STF neste caso.
Ele é acusado dos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Além desses crimes, a denúncia também acusa o deputado de crime de falsidade ideológica eleitoral por omissão de rendimentos na prestação de contas eleitoral. Se a ação for aberta, a Procuradoria quer a perda do mandato parlamentar.
Teori também determinou que a denúncia envolvendo Cunha vai tramitar em segredo de justiça.
Segundo a Procuradoria, entre agosto de 2014 e 2 de fevereiro de 2015, as despesas de cartões de crédito de Cunha, sua mulher, a jornalista Claudia Cruz, sua filha, Danielle Dytz da Cunha, somaram US$ 156,2 mil (R$ 626 mil).
A acusação mostra despesas de cartão de crédito ligado a contas secretas de Cunha e familiares durante viagens a países como Estados Unidos, França, Itália, Portugal, Suíça, Rússia, Espanha e Emirados Árabes Unidos. Essas contas receberam depósitos que somam R$ 23 milhões.
Chamou a atenção dos procuradores uma passagem de Cunha por Miami (EUA) no final de 2012, quando foram desembolsados R$ 169,5 mil (US$ 42,2 mil), em sete dias. Os gastos incluem, por exemplo, duas diárias de US$ 23 mil no hotel The Perry, US$ 3.500 na loja da Ermenegildo Zegna, US$ 1.500 na da Giorgio Armani, além de US$ 1.200 no restaurante Joes Stone Crab. Na época, ele declarou receber salário de R$ 17,7 mil.
Em fevereiro de 2013, quando era líder do PMDB na Câmara, ele gastou em cinco dias US$ 1.000 no hotel The Dolder Grand e mais R$ 3.600 no hotel Baur Au Lac, que ficam em Zurique (Suíça), e mais US$ 5.900 no hotel Criollon, em Paris.
Há ainda despesa de US$ 5.000 na Chanel e de US$ 8.000 na loja de sapatos masculinos Pravda Abbigliamento. Em abril de 2014, Cunha gastou US$ 5.000 para se hospedar no Burj Al Arab, primeiro hotel sete estrelas do mundo, em Dubai. A hospedagem foi escolhida para uma parada durante viagem de uma comitiva da Câmara para a China.
Após conquistar a presidência da Câmara, impondo uma derrota ao governo Dilma Rousseff, em fevereiro do ano passado, Cunha também realizou viagem internacional, pagando US$ 15,8 mil no hotel Plaza Athenée, US$ 1.400 no restaurante Paço D'Arcos, em Portugal, além de US$ 8.000 na loja de roupas masculinas Textiles Astrum France.
Cunha nega ligação com o esquema de corrupção da Petrobras. O deputado diz que todo o dinheiro em contas no exterior tem origem lícita, fruto de negócios que teria feito antes de entrar na vida pública, entre elas a venda de carne enlatada para o exterior e investimentos em ações.

POLÍTICA: Após reunião na casa de Sarney, Lula não convence PMDB a rever saída

UOL
De Brasília

Pedro Ladeira-22.mar.2016/Folhapress

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB), conversa com Geraldo Alckmin (PSDB) após reunião com governadores de vários estados em Brasília
Apesar dos apelos do Palácio do Planalto, de Lula e da ala governista do PMDB, o diretório nacional do partido vai se reunir no dia 29 de março para definir a data-limite do desembarque do governo. Os sete peemedebistas que compõe o ministério da presidente Dilma Rousseff deverão entregar seus cargos até o dia 12 de abril.
Lula envolveu-se nas discussões e trabalhou para adiar a reunião do diretório. No entanto, conseguiu apenas convencer o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), a dar uma declaração pública de que sigla agrava a crise se sair do governo. "O PMDB não pode dar o gatilho do impeachment", disse Renan.
O presidente do Senado falou com os jornalistas minutos depois de encontrar-se com Lula na casa do ex-presidente e ex-senador José Sarney (PMDB-AP).
A conversa entre os três durou duas horas. Renan se negou a dar detalhes, mas a reportagem apurou que o objetivo de Lula era buscar o adiamento da reunião do diretório do dia 29 de março para o dia 12 de abril. No começo da noite, um grupo de mais de 20 deputados pressionou o vice-presidente Michel Temer - que é também presidente nacional do partido - a não aceitar a mudança.
Apesar da tentativa de ajudar Dilma e Lula, Renan nega qualquer desentendimento com Temer, que é o principal beneficiário em caso de impeachment da presidente. Nos bastidores, o próprio vice tem defendido que não é o momento de "pular etapas". Ele não quer ser tachado como "golpista" e, por isso, tem evitado conversas mais explícitas sobre as articulações em favor do afastamento de Dilma. Temer, porém, negou-se a participar da reunião de coordenação de governo realizada anteontem.
Mesmo com algumas divergências, a avaliação geral das duas alas do PMDB é de que hoje o impeachment de Dilma é inevitável. Aliado de Renan, o líder do PMDB no Senado, Eunício Oliveira (CE), afirma que se o governo não conseguir 171 votos na Câmara para barrar o impeachment, o Senado não conseguirá reverter essa decisão - o afastamento da presidente precisa ser aprovado nas duas Casas. "Se aprovar na Câmara, dificulta muito no Senado", disse. "Eu tenho de respeitar a vontade da bancada", completou.
Renan compartilha da mesma opinião. Publicamente, no entanto, o presidente do Senado quer demonstrar "imparcialidade" e "caráter institucional". Na terça-feira (22), ao falar sobre o impeachment, chegou a dizer que "o crime de responsabilidade" da presidente precisa ser configurado. "O que a história dirá se votarmos um impeachment sem crime?", questionou.
Impasse
Mesmo antes do apelo de Lula para que o PMDB "dê tempo ao tempo" e não tome agora a decisão de sair do governo, ministros do partido conversaram na segunda-feira (21) com Temer, que comanda o partido, numa tentativa de traçar uma estratégia conjunta.
Dos sete ministros do PMDB, pelo menos três não estão convencidos de que devem entregar seus cargos. A interlocutores, o recém-empossado ministro da Aviação Civil, Mauro Lopes, confidenciou: "Se o PMDB deixar o governo, a decisão sobre continuar no cargo é minha".
No comando da Secretaria dos Portos, Helder Barbalho, por sua vez, deve usar o leilão do dia 31 como argumento para permanecer no ministério ao menos até lá. A ministra da Agricultura, Kátia Abreu, é amiga de Dilma. Há quem aposte até numa desfiliação sua do PMDB para permanecer ao lado da presidente, caso o partido decida pelo divórcio. (Colaboraram Daniel Carvalho, Ricardo Brito,Eduardo Rodrigues e Erich Decat).
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