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POR RENNAN SETTI
Criação menor de postos de trabalho nos EUA leva a especulações sobre alta de juros

- SeongJoon Cho / Bloomberg News
RIO — Especulações sobre o ritmo do aumento dos juros nos Estados Unidos estimularam o apetite pelo risco nos investidores nesta segunda-feira, fazendo a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechar em alta e o o dólar a cair ao menor valor em quase um mês. O que desencadeou o ânimo dos mercados foi o dado decepcionante sobre o mercado de trabalho dos Estados Unidos divulgado no fim de semana e as declarações de membro do Federal Reserve (Fed, banco central do país).
A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) encerrou com alta de 1,16%, aos 53.737 pontos — o maior patamar desde o fim de novembro do ano passado. Nos últimos cinco pregões, a Bolsa acumulou alta de 7,27%. Já o dólar comercial apresentou recuo de 0,19%, cotado a R$ 3,121 na compra e a R$ 3,123 na venda. Foi o menor valor desde 10 de março. Mas a moeda chegou a cair mais ao longo do dia, valendo até R$ 3,085, mas ganhou alguma força no fim das negociações.
— A lógica por trás da alta de hoje é que os sinais de fraqueza da economia americana vão ocasionar a prorrogação do início da alta de juros nos EUA e, além disso, que essa alta será em um ritmo mais lento. O clima é mesmo de quanto pior, melhor - afirmou Adriano Moreno, estrategista da Futura Invest. — No Brasil, o ambiente está mais positivo para risco. Na semana passada, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, conseguiu aplacar o ruído que se havia criado quanto ao futuro do ajuste fiscal.
No mês passado, os empregadores dos EUA criaram 126 mil vagas, o menor saldo desde dezembro de 2013, informou o Departamento de Trabalho nesta sexta-feira. A mediana das expectativas compiladas pela Bloomberg era de avanço de 245 mil postos. A taxa de desemprego ficou estável em 5,5%.
Nesta segunda-feira, o presidente do Fed de Nova York, William C. Dudley, afirmou que o ritmo da elevação das taxas será “raso”, mas observou que a recente fraqueza econômica recente é resultado de condições temporárias.
“Será importante monitorar os desdobramentos para determinar se o brando relatório sobre o trabalho em março prenuncia uma desaceleração mais substancial no mercado de trabalho do que antecipado anteriormente”, afirmou Dudley em Newark, Nova Jersey.
Ultimamente, sempre que os dados sobre a atividade econômica americana decepcionam, o dólar perde força. Isso porque o Federal Reserve (Fed) condicionou o aumento dos juros que está planejando à retomada econômica no país. Assim, se a atividade ainda não está a pleno vapor, é provável que a elevação dos juros demore mais a acontecer — e juros altos valorizariam a moeda.
“O nível fraco pode dar ao mercado a ideia de que o Fed possa ter mais paciência para implementar sua política monetária”, comentou o analista Cláudio Moura, da Elite Corretora, em texto enviado hoje a clientes.
Segundo pesquisa da Bloomberg junto a analistas do mercado financeiro, a probabilidade de que o aumento de juros americanos aconteça até setembro caiu de 34% para 27% após a divulgação dos dados sobre o emprego nos EUA, na sexta-feira passada. Por isso, a tendência global para o dólar no dia de hoje é de desvalorização, com a divisia recuando frente a 14 das 16 principais moedas do mundo.
AÇÕES EM ALTA GENERALIZADA
Entre as ações, 58 dos 68 papéis do Ibovespa fecharam em alta. A maior influência positiva veio da Ambev, com alta de 1,96%, e dos bancos. O Banco do Brasil fechou em alta de 3,58%, o Bradesco subiu 0,55% e o Itaú Unibanco, 1,22%. A Vale registrou alta de 0,72% (ON) e 0,58% (PN). A Petrobras operou em alta durante todo o dia, mas acabou fechando em queda de 0,19% (ON, com direito a voto) e 0,28% (PN, sem voto).
Também na Bolsa, especulações sobre o futuro dos juros americanos exerce influencia. Juros baixos estimulam a tomada de risco, o que favorece o mercado de ações. Não à toa, Wall Street fechou em alta: o índice Dow Jones subiu 0,66%, a mesma variação do S&P 500; a Nasdaq subiu 0,62%. A Bovespa acompanhou esse bom humor.
Com mais de 53 mil pontos, o índice de referência Ibovespa está no maior patamar desde o começo de dezembro de 2014. Segundo Ricardo Zeno, sócio-diretor da AZ Investimentos, a análise gráfica dos pregões permite acreditar que as ações devem seguir com algum fôlego nos próximos dias.
— O panorama do mercado não mudou muito, o mercado continua sendo muito influenciado pelo noticiário política. Mas a Bolsa conseguiu romper o patamar de 52 mil pontos. Então, o que vemos agora, é uma tentativa de buscar uma outra base de sustentação técnica, que pode estar entre os 54 mil e os 56 mil. Agora é esperar para ver se isso se confirma — afirmou.
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