segunda-feira, 8 de outubro de 2012

ECONOMIA: Banco do Brasil anuncia corte de até 34% em tarifas; ações caem

Do UOL

O Banco do Brasil anunciou nesta segunda-feira (8) que vai reduzir os preços de sete pacotes de serviços e de 24 tarifas de serviços muito utilizados pelos clientes. Os percentuais de redução chegam a 34% nos seguintes serviços prioritários: contas de depósito, cheque, saques, depósitos, consultas, transferências de recursos, transferências por TED/DOC e entre contas na própria instituição, ordens de crédito e cartões de crédito. Por volta das 12h55, as ações do banco (BBAS3) tinham queda de 2,89% na Bovespa, negociadas a R$ 22,82, liderando as perdas do principal índice da Bolsa. Leia mais

ECONOMIA: Bovespa amplia alta a 0,3%, e dólar segue quase estável a R$ 2,032

Do UOL

A Bovespa opera em alta nesta segunda-feira (8). Por volta das 12h05, o Ibovespa (principal índice da Bolsa) subia 0,3%, a 58.746 pontos. Acompanhe em tempo real o gráfico de cotações da Bolsa. O dólar comercial estava quase estável, com leve alta de 0,05%, cotado a R$ 2,032 na venda (confira a cotação atualizada). O euro caía 0,49%, cotado a R$ 2,636. Veja ainda no UOL a cotação das ações,fechamentos anteriores da Bolsa e o histórico do dólar.

POLÍTICA: PMDB elege o maior número de prefeitos do país


Da CONJUR

Colocar Fernando Haddad no segundo turno em São Paulo deve ter servido para aliviar todos os sofrimentos do PT nestas eleições municipais. O partido da presidente Dilma e do ex-presidente Lula foi mal nos principais redutos eleitorais do país. Perdeu em primeiro turno em Belo Horizonte, ficou fora do segundo turno em Recife e até em Salvador, onde passou para a segunda rodada, Nelson Pelegrino ficou atrás do rival ACM Neto, do DEM.
Em números gerais, apurados os resultados em 77% das 5.568 cidades brasileiras, o PMDB se consolida como o grande partido municipal do país, confirmando já sua hegemonia em 734 municípios. Em segundo lugar fica o PSDB com 506 prefeituras conquistadas e em terceiro o PT com 468.
O PSB, que está em sexto lugar, com313 municípios, confirma mais uma vez seu bom desempenho nas capitais, podendo eleger já em primeiro turno o prefeito de Belo Horizonte e colocar no segundo turno os candidatos de outras cinco capitais.
Grande surpresa nessas eleições pode ser considerado o desempenho do PSD, o partido do prefeito Gilberto Kassab, de São Paulo. Em sua primeira participação eleitoral, o partido ocupa a quarta posição e já fez 347 prefeitos, mesmo número do PP, de Paulo Maluf, e vai superando com folga o DEM, de onde ele saiu para fazer carreira solo

Prefeitos eleitos 
Apuração concluída em 47 % das cidades

Partido Prefeitos
PMDB 734
PSDB 468
PT 472
PP 347
PSD 347
PSB 316
PDT 221
DEM 213
PTB 209
PR 193
 [Texto atualizado às 22h13]
Maurício Cardoso é diretor de redação da revista Consultor Jurídico

COMENTÁRIO: Nem tanto ao mar


Por Dora Kramer - O Estado de S.Paulo

Com os resultados totais bem cruzados e amarrados, melhores análises virão sobre as eleições de ontem cujos efeitos ainda repercutirão por alguns dias.

Nada com vida muito longa que perdure até 2014, nem tão curta que não produza consequências.
A primeira é uma constatação: nem a oposição está tão fraca como se imaginava nem o governo está tão forte quanto o PT esperava que estivesse às vésperas de completar uma década na Presidência da República.
O partido teve vitórias pouco importantes em 1.º turno, mas em compensação será protagonista nos embates mais politizados da etapa final: São Paulo e Salvador, duas arenas onde haverá carnificina.
Visto do alto, com os resultados das urnas ainda bem fresquinhos, o cenário de 2012 é de equilíbrio entre os principais partidos.
Quase todos eles são da base do governo federal? São, mas, como se sabe, não há nada mais volátil que base de sustentação governista quando surgem os primeiros sinais de fragilidade política.
Os fiéis farejam e, em movimentos cadenciados, deslocam sua fidelidade para caminhos mais promissores no quesito expectativa de poder.
Nesse instante a roda começa a girar. Para qual lado exatamente pode-se até tentar adivinhar, mas corre-se o risco de perder um tempo que o leitor certamente não tem para desperdiçar.
Portanto, por ora melhor ficar com o que temos de líquido e certo, que é um quadro razoavelmente equilibrado. Adequado a uma sociedade plural e a um sistema multipartidário, sempre mais bem representado quando não há preponderância absoluta de uma corrente sobre as demais.
Isso e ainda outra boa notícia: quanto mais equilíbrio houver, mais o governante terá de ser moderado no uso de suas ferramentas de comando. 

COMENTÁRIO: Lições do 1º turno

Por JOÃO BOSCO RABELLO - O Estado de S.Paulo 

Ainda é cedo para avaliações mais amplas das eleições municipais, cujo 1.º turno foi encerrado ontem. Um balanço das conquistas dos partidos só deverá ser feita mais à frente. Mas algumas conclusões com base nas apurações do 1.º turno independem de confirmação no 2.º. Uma delas, a de que o PSDB, ainda que desnorteado no Congresso Nacional, mantém-se como referência de oposição. 
Já vitorioso em Maceió, disputa o 2.º turno em mais oito capitais, enquanto o DEM, ex-parceiro de poder, definha e caminha para uma fusão com o PMDB ou simplesmente para a dispersão de seus quadros. Elegeu no 1.º turno o prefeito de Aracaju, o veteraníssimo João Alves, e lidera a disputa em Salvador no 2.º turno. Mas é só - e muito pouco para manter-se em cena. 
Ficou em quarto lugar em Natal, capital que tem o único governo estadual, e é reduto de seu presidente, senador José Agripino. E o ex-presidente do partido, Rodrigo Maia, registrou humilhantes 2,9% de votos no Rio de Janeiro. 
O PMDB provavelmente continuará sendo o partido a eleger maior número de prefeitos, dada a sua capilaridade, mas, à exceção do Rio de Janeiro, não tem cidades estratégicas sob seu comando. Conserva seu papel de coadjuvante que, ao mesmo tempo, lhe garante um histórico poder de barganha no mercado político. 
Vitorioso. As vitórias acachapantes no 1.º turno em Belo Horizonte e Recife - onde enfrentou o PT, o ex-presidente Lula e a presidente Dilma -, faz do governador de Pernambuco Eduardo Campos, o mais beneficiado pelos resultados até agora. Seguido pelo senador Aécio Neves (PSDB), que capitaliza também a vitória de Márcio Lacerda (PSB), de quem foi aguerrido cabo eleitoral. 
É a afirmação das duas lideranças mais notórias da nova geração política, que costuram seus planos presidenciais em contexto de respeito cúmplice - Aécio programado para 2014 e Campos para 2018, se a economia não conspirar contra a alta popularidade da presidente Dilma Rousseff antes disso. 
O ex-presidente Lula reafirmou sua capacidade de transferência de popularidade: ainda que em ritmo bem mais lento e sofrido, levou seu candidato, desconhecido do eleitorado, Fernando Haddad, ao 2.º turno em São Paulo. Ao contrário da presidente Dilma, que saiu derrotada da eleição mineira. 
Por fim, os dados de saturação do eleitorado com os velhos caciques: Jader Barbalho, no Pará, não logrou mais que 8% dos votos para seu candidato; o de José Sarney, no Maranhão, está fora do 2.º turno; Siqueira Campos (TO) perdeu no 1º turno para um súbito colombiano; Renan Calheiros e Fernando Collor sequer chegaram ao final da disputa: o candidato de ambos, Ronaldo Lessa teve o registro cassado, quando já perdia para Rui Palmeira.

COMENTÁRIO: O dito pelo não dito

Por RICARDO NOBLAT - Do blog do NOBLAT

No início de 2006, quando o deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), da CPI dos Correios, divulgou seu relatório final sobre o caso do mensalão denunciado por Roberto Jefferson em meados do ano anterior, jornalistas de Brasília procuraram Lula para ouvi-lo a respeito.
Diante de assunto incômodo, como é do seu feitio, Lula se esquivou. E disse: "Não vou ler. Aguardarei o pronunciamento final da Justiça".
Alguns meses antes, Lula ocupara rede nacional de televisão para, aparentemente constrangido, pedir desculpas aos brasileiros. Lamentou tudo o que tinha ocorrido numa admissão velada de que algo muito grave ocorrera de fato.
Ora olhando para a câmara, ora para o teto, se disse traído. E apunhalado pelas costas. Não revelou o nome dos traidores. Nem de quem o apunhalara.
Se o tivesse feito daria margem para que seus desafetos alardeassem: "Estão vendo? Tanto ele sabia da existência do mensalão que não teve dificuldade em identificar os mensaleiros".
De lá para cá, Lula tratou o caso de duas maneiras. A primeira: garantindo que tudo seria apurado pela Justiça, e os culpados punidos. A segunda: afirmando que o mensalão não passara de uma farsa. De uma grande farsa.
A primeira maneira serviu para que Lula atravessasse como um coitadinho os meses que faltavam para a eleição de 2006.
Reeleito, adotou a segunda maneira. O que existira, o que fora chamado de Caixa 2, o que resultaria em punições, cedeu lugar à teoria da farsa. E se fora uma farsa...
Bem, nada mais lógico do que deduzir que ninguém pagaria por ela. Sem crime, sem culpados.
Lula bateu na porta de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) empenhado em convencê-los a adiar o julgamento do processo do mensalão. Não porque temesse a punição dos seus comparsas. Como eles poderiam ser punidos se Lula e Dilma juntos haviam nomeado sete dos atuais 10 ministros?
Nada mais republicano do que esperar que tais ministros votassem para poupar seus padrinhos de constrangimentos.
O adiamento pretendido por Lula tinha a ver com o fato de que o julgamento poderia correr paralelamente à campanha eleitoral. Lula temia que o PT perdesse com isso.
O PT perdeu com a atitude de Lula de interferir no calendário da Justiça. E deve ter perdido em São Paulo com a contaminação do debate político sobre o julgamento.
Lula até que tinha razões para se preocupar. Mas nenhuma para se meter.
Agora, às vésperas de o STF confirmar o nome dos que o traíram, Lula elogiou o voto do ministro Ricardo Lewandowski que absolveu o ex-ministro José Dirceu.
Para ele, Lewandowski foi claro e abordou “questões centrais” durante sua exposição, segundo Gustavo Uribe, repórter de O GLOBO.
Lula tem repetido que não existem provas capazes de mandar para cadeia o acusado de ter chefiado o esquema do mensalão.
Cadê o Lula que se recusou a ler o relatório da CPI dos Correios por que preferia aguardar o pronunciamento da Justiça? E cadê o Lula que garantia estar convencido que a Justiça apuraria o caso e puniria os culpados? O gato comeu?
Não comeu. O Lula que disse tudo aquilo era apenas um farsante. Confiram o que ele dirá tão logo termine o julgamento.
O comportamento de Lula em relação aos mensaleiros é típico de quem se sabe culpado pelo crime que os outros pagarão sozinhos.
De resto, é típico também de quem se sente refém de segredos.
Marcos Valério espera receber em dobro a atenção e o carinho que mereceu do PT até aqui. Do contrário...

POLÍTICA: Dilma deve subir em palanques aliados em São Paulo, Manaus e Salvador no 2º turno

De OGLOBO.COM.BR

Presidente evitará se posicionar em disputas entre candidatos da base
Presidente Dilma Rousseff vota em escola de Porto AlegreMARCOS NAGELSTEIN / AFP


PORTO ALEGRE e BRASÍLIA - A presidente Dilma Rousseff, que passou o primeiro turno evitando envolvimento direto nas disputas eleitorais, deverá atuar de forma mais agressiva nas eleições municipais. Além de gravar depoimentos para os aliados, a presidente deverá subir nos palanques dos candidatos governistas Fernando Haddad, em São Paulo, Vanessa Grazziotin (PCdoB), em Manaus, e Nelson Pellegrino (PT), em Salvador, que disputam o segundo turno com a oposição.
Mas, como fez no primeiro turno, Dilma está decidida a evitar palanques que dividem a base governista, para não deixar mágoas e ter respostas desagradáveis aos interesses do Palácio do Planalto. A presidente vai resistir a eventuais pressões do PT para participar, por exemplo, da campanha em Fortaleza, onde Elmano de Freitas (PT) concorrerá com Roberto Cláudio (PSB).
No primeiro turno, a presidente acabou participando das campanhas de Haddad, em São Paulo, depois que a candidatura ganhou força e deu indicações de que iria ao segundo turno, e de Patrus Ananias, em Belo Horizonte. Na capital mineira, embora o PT disputasse com o PSB, Dilma foi a um comício de Patrus, em resposta ao apoio do PSDB a Márcio Lacerda.
No RS, Dilma não declara voto
Neste domingo, após votar em Porto Alegre, fez questão de destacar que as eleições municipais reforçam a democracia. Para não gerar atrito numa cidade onde três candidatos eram de partidos aliados ao governo federal, Dilma preferiu defender o voto em Fernando Haddad.
— Vamos combinar, né, gente, o voto é secreto. Eu sou presidente, mas aqui estou exercendo minha condição de cidadã. Vocês têm que entender uma coisa: aqui os três candidatos são da minha base. Em São Paulo, eu não votei lá, mas votaria no Haddad — disse a presidente, que também relembrou a importância do direito de escolha do eleitor: — Sou da geração que não votou e é importante (lembrar), mesmo quando a memória individual das pessoas vai se dissolvendo, porque muita gente no Brasil já nasceu na democracia. Nós reiteramos que esse país é uma democracia estável, com regras, respeito aos direitos das pessoas, especialmente com essa imensa festa que é escolher quem vai dirigir sua própria cidade, escolher quem vai dirigir Porto Alegre.
Sob forte calor, Dilma deixou sua residência na Zona Sul da capital gaúcha e foi votar às 09h30 da manhã, no Colégio Estadual Santos Dumont.
A presidente barrou a participação dos candidatos à prefeitura de Porto Alegre na comitiva que a acompanhou durante a votação. A presidente quis evitar constrangimentos. A maior insistência se deu por parte do PT, que solicitou até o último minuto que o candidato Adão Villaverde pudesse acompanhar o grupo que participou do ato com a presidente. Apesar de ter permitido a companhia do governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, do ex-governador Olívio Dutra e do ex-prefeito da capital Raul Pont (PT), Dilma foi clara em seu recado: se um candidato fosse acompanhá-la, então todos teriam o direito de fazê-lo.
A calculada distância que Dilma manteve da disputa na capital gaúcha se justifica: havia um candidato petista, a presidente é amiga do prefeito reeleito José Fortunati (PDT) e tem simpatia por Manuela D'Ávila (PCdoB).

MUNDO: Reeleito, Chávez convida a oposição a trabalhar junto

Presidente venceu com 54,42% dos votos, enquanto Capriles obteve 44,97%
Hugo Chávez cumprimenta milhares de pessoas no balcão do Palácio Miraflores, em Caracas - REUTERS

CARACAS - A Venezuela viveu no domingo uma eleição que mobilizou como poucas os cerca de 19 milhões de eleitores do país e que, com 90% dos votos apurados, segundo o Conselho Nacional Eleitoral (CNE), abriu as portas para a terceira reeleição consecutiva do presidente Hugo Chávez, com 54,42% dos votos. O candidato da oposição, Henrique Capriles, protagonista da melhor campanha realizada pelos opositores do Palácio Miraflores na era Chávez, na opinião de analistas locais, obteve 44,97%, abaixo das expectativas dos antichavistas, mas o melhor resultado já obtido pelos adversários numa eleição presidencial. Em 2006, Chávez derrotou seu rival na época, Manuel Rosales, por cerca de 25 pontos percentuais.
No Palácio Miraflores, Chávez foi saudado por milhares de pessoas, agradeceu a Deus, aos eleitores e aos opositores por terem reconhecido o resultado:
- Um reconhecimento especial a todos que votaram contra nós por sua demonstração cívica. (...) Aos que andam promovendo o ódio, os convido para o diálogo, o debate e o trabalho conjunto pela Venezuela bolivariana.
Mas com o resultado, alcançado numa eleição com altíssima participação popular (80,94%), ficou claro que o chavismo deixará de ser a única força política do país e deverá aprender a conviver com uma oposição fortalecida, organizada e com profundos vínculos com grande parte da sociedade.
- Para saber vencer devemos saber perder. O que o povo diz é sagrado - declarou Capriles, vestindo um casaco com as cores da bandeira nacional. - Começamos a construção de um caminho que aí está, mais de seis milhões de pessoas buscando um futuro melhor. Vocês contam comigo.
Distribuição de comida
Capriles pediu a Chávez “que leia com grandeza o resultado eleitoral”, lembrando que é preciso trabalhar por todos os venezuelanos. Antes do anúncio da vitória e em clima de empate técnico, Chávez recomendou calma ao comando de campanha:
- Vamos reconhecer o resultado, seja qual for. O triunfo será da democracia - disse.
Durante a tarde, entre os chavistas, o clima era de nervosismo. A possibilidade de derrota nunca foi cogitada publicamente, mas, em conversas informais, representantes do governo admitiam que era uma possibilidade. Ainda com longas filas nos centros de votação, o canal estatal Venezolana de Televisión (VTV) pediu aos telespectadores: “Votem! Você ainda tem tempo!”. Nas ruas de Caracas, chavistas circulavam pela cidade de moto, gritando o nome do presidente. A cena se repetiu em vários bairros da capital. A meta estava clara: era necessário mobilizar o máximo de eleitores para evitar derrota inédita do presidente, eleito em 1998 e reeleito em 2000 e 2006, com ampla maioria.
A polarização política do país alcançou seu auge ontem, o que obrigou chavistas a realizarem um trabalho intenso para mobilizar sua tropa. Em bairros humildes como Petare, considerada a maior favela do mundo, seguidores do presidente distribuíram comida e ajudaram eleitores a encontrarem as seções onde deviam votar. Em alguns centros de votação, os presidentes de mesa entraram na cabine com os eleitores para ensinar-lhes o processo, criando um clima de intimidação.
Meios de comunicação locais confirmaram quatro assassinatos em Caracas e no estado de Miranda, perto de centros de votação. A princípio, não ficou claro se houve uma relação entre as mortes e a eleição. No entanto, o medo de que a disputa entre Chávez e Capriles terminasse em guerra campal pairou sobre a Venezuela durante todo o dia. O chefe do Comando Estratégico de Operações (CEO), general Wilmer Barrientos, percorreu escolas da capital, tentando transmitir tranquilidade à população.
Chavistas e opositores usaram e abusaram das redes sociais para pedir a todos que votassem. As filas foram quilométricas em alguns lugares e a demora podia durar até seis horas. A maioria aguentou até o fim, ciente de que estava diante de batalha decisiva. Chávez aproveitou para defender a democracia do país e mencionar colegas como o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva:
- Lula me disse uma vez que este é o país mais democrático porque todos os anos há uma eleição.
Com o resultado já oficializado, colaboradores de Capriles tentaram explicar o revés sofrido nas urnas:
- Os programas sociais, o poder do Estado, é difícil derrotar um governo que controla tantos recursos - disse um assessor do candidato opositor.

ECONOMIA: Mercado eleva inflação pela 13º vez no ano e mantém juros a 7,5%

De OGLOBO.COM.BR
REUTERS

Expectativa de um corte de 0,25 ponto percentual na Selic havia ganhado força durante a semana passada
SÃO PAULO — O mercado bateu o martelo sobre a manutenção da Selic na quarta-feira, quando o Comitê de Política Monetária (Copom) se reúne novamente, prevendo que a taxa básica de juros encerrará o ano a 7,50%, e aumentou a previsão da inflação para 5,42%, mostrou a pesquisa Focus, do Banco Central, divulgada nesta segunda-feira.
A expectativa de um corte de 0,25 ponto percentual na Selic havia ganhado força durante a semana passada no mercado futuro de juros, diante de dados da produção industrial de agosto abaixo do esperado.
Ajudou ainda para a expectativa de corte, a avaliação do BC de que a recuperação econômica de países emergentes está lenta, elevando na sexta-feira as apostas para quase 100% em mais uma redução de 0,25 ponto percentual.
Também o grupo das instituições que mais acertam os dados no Focus (Top-5) prevê um corte na Selic este ano, terminando 2012 a 7,25%.
Tudo isso mesmo com os recorrentes sinais de inflação maior. O IPCA, por exemplo, acelerou a alta para 0,57 por cento em setembro, afastando-se cada vez mais do centro da meta do governo, de 4,5%.
Pesquisa da Reuters apontou, na semana passada, que a maioria dos especialistas consultados acreditava na manutenção da taxa básica de juros em 7,5%, com o objetivo de evitar uma inflação ainda maior em 2013.
Para 2013, a expectativa do mercado é de que a Selic termine a 8%, inalterado ante a semana anterior.
Perspectiva para inflação aumenta puxada por alimentos
Diante da persistente alta da inflação impulsionada pelos alimentos, os analistas consultados na pesquisa do BC elevaram pela 13º a perspectiva para o IPCA neste ano, a 5,42% ante 5,36% anteriormente.
Para 2013, a estimativa para o IPCA foi levemente reduzida para 5,44%, ante 5,48% na semana anterior.
Em seu Relatório de Inflação, o BC calculou o IPCA em 2013 em 4,9%, abaixo das contas anteriores de 5,0%. Mas para 2012, a autoridade monetária elevou a projeção para a inflação a 5,2% pelo cenário de referência, ante previsão anterior de 4,7%.
Já a expectativa para a expansão do Produto Interno Bruto (PIB) em 2012 foi mantida no Focus em 1,57%. Para 2013, a perspectiva também ficou inalterada em 4%.
A pesquisa Focus desta segunda-feira mostrou também que o mercado manteve a previsão de que o dólar encerrará este ano a R$ 2.

ECONOMIA: Receita libera consulta ao 5º lote do IR 2012

De OGLOBO.COM.BR

São mais de 1,5 milhão de contribuintes que vão receber R$ 1,4 bi
BRASÍLIA — A Receita Federal libera hoje a consulta ao quinto lote de restituições do Imposto de Renda Pessoa Física 2012. No lote, também há restituições que caíram na malha fina em 2011, 2010, 2009 e 2008. O dinheiro será depositado no banco no próximo dia 15. Para saber se teve a declaração liberada, o contribuinte deverá acessar o site da Receita ou ligar para o Receitafone (146).
Neste lote estão incluídos 1.542.538 contribuintes , totalizando R$ 1.437.871.318,41, já acrescidos da taxa selic de 4,29 %. Para o exercício de 2011, serão creditadas restituições para um total de 17.759 contribuintes, totalizando R$ 33.454.770,75, já acrescidos de 15,04 %.
Do lote residual de 2010, serão creditadas restituições para um total de 5.799 contribuintes, totalizando R$ 13.478.344,40, já acrescidos de 25,19%, e do lote residual de 2009, serão creditadas restituições para um total de 4.196 contribuintes, totalizando R$ 8.632.720,42, e atualização de 33,65% . Quanto ao lote residual de 2008, serão creditadas restituições para um total de 3.927 contribuintes, totalizando de R$ 6.562.846,02, com autalização 45,72%.
Até o quarto lote, foram liberadas 8.492.723 restituições. O valor total chegou a R$ 8.795.901.209,17. Os contribuintes que não foram incluídos nos lotes anteriores de restituições do imposto de renda devem ficar atentos e verificar se não caíram na malha fina. Até o final do ano, além do lote regular de outubro, serão liberados um em novembro e outro em dezembro.
Caso a restituição não seja creditada no banco, o contribuinte poderá entrar em contato com qualquer agência do Banco do Brasil ou ligar para a Central de Atendimento da instituição por meio do telefone 4004-0001 (capitais), 0800-729-0001 (demais localidades) e 0800-729-0088 (pessoas com deficientes auditivos), para agendar o crédito em conta-corrente ou poupança, em seu nome, em qualquer banco.

POLÍTICA: Boca de urna do Ibope erra em oito de 11 capitais

Do CONGRESSO EM FOCO
por Edson Sardinha

Os erros foram maiores em Curitiba, Salvador e Manaus. Instituto inverteu colocações na capital baiana, não viu avanço de Fruet no Paraná e superestimou votação de senadora no Amazonas 
O Ibope antecipou com precisão o resultado mais aguardado destas eleições municipais: a definição dos dois adversários que se enfrentarão no segundo turno em São Paulo. Em pesquisa divulgada às 17h pela TV Globo, o Ibope já anunciava que José Serra (PSDB) e Fernando Haddad (PT) haviam deixado para trás Celso Russomanno (PRB). Os índices obtidos pelos três candidatos paulistanos ficaram dentro da margem de erro, de dois pontos percentuais, estabelecida pelo instituto. O acerto na capital paulista não esconde, porém, os erros da boca de urna do Ibope em outras capitais. 
Houve divergência acentuada entre os resultados previstos pelo instituto e os números apontados pelas urnas em três das 11 cidades pesquisadas: Curitiba, Salvador e Manaus. Em outras cinco, a votação ficou fora da margem de erro, embora os desvios tenham sido menos gritantes: Porto Alegre, Rio de Janeiro, Goiânia, Recife e Fortaleza. 
Os principais erros 
Na capital paranaense, a boca de urna foi precisa ao dar a primeira colocação ao deputado Ratinho Júnior (PSC), que avançou para o segundo turno com 34% dos votos válidos. Mas errou ao identificar o adversário dele: apontou o prefeito Luciano Ducci (PSB) em vez do deputado Gustavo Fruet (PDT). 
Fruet, que aparecia em terceiro lugar com 24% dos votos na pesquisa realizada hoje (7), terminou com 27,23%. Ducci, que figurava com 29% na boca de urna, ficou com 26,76%. Ou seja, o pedetista terminou à frente com 4.402 votos. 
Em Salvador, o Ibope errou ao apontar uma vantagem de sete pontos percentuais para Nelson Pelegrino (PT) sobre ACM Neto (DEM). O líder do DEM na Câmara terminou a votação ligeiramente à frente do deputado petista, diferença de menos de um ponto percentual. 
Na capital de Manaus, a boca de urna superestimou a votação dada à senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB), segunda colocada. A diferença entre ela e o primeiro colocado, Arthur Virgílio (PSDB), que era de 11 pontos, de acordo com o instituto, acabou chegando a 20 pontos. Arthur Virgílio vai ao segundo turno com 40,56% dos votos válidos. 
Outros candidatos acabaram tendo menos votos do que os estimados pela boca de urna do Ibope, aplicada a margem de erro, como Manoela D’Ávila (PCdoB) em Porto Alegre, Jovair Arantes (PTB) em Goiânia e o próprio prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSDB). No caso de Paes, a diferença não o impediu de ser reeleito em primeiro turno com uma das maiores votações proporcionais do país. 

POLÍTICA: 'Eu falei para o povo que eles teriam uma surpresa e ela de fato veio', declara ACM Neto


Do BAHIA NOTÍCIAS
por Mariele Góes/ Simone Melo'Eu falei para o povo que eles teriam uma surpresa e ela de fato veio', declara ACM Neto
Foto: Betto Jr. / Ag. Haack/ Bahia Notícias
O candidato à prefeitura de Salvador pelo DEM, ACM Neto, reclamou da “agressividade” com que o PT movimentou a campanha de Nelson Pelegrino, durante a entrevista coletiva no comitê central do partido, na Vasco da Gama, neste domingo (7). Neto afirmou que as apurações revelaram que essa estratégia não funcionou na cidade. “Fui o candidato mais agredido, mas Salvador deu um recado ao PT”, declarou. O candidato criticou a pesquisa Ibope que apontava o postulante petista à frente nas intenções de voto no primeiro turno. “Eu falei para o povo que eles teriam uma surpresa e ela de fato veio”, disse. Ele ressaltou que a sua candidatura representa uma proposta de mudança para a cidade. “O PT vinha apostando no medo e na ameaça de que para governar todos precisavam ser do mesmo partido”. O democrata revelou também que ainda esta semana irá ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para acompanhar melhor o que tem acontecido em Salvador. “Não quero confrontar a Justiça Eleitoral baiana, mas vou procurar um acompanhamento maior da Justiça Federal”, explicou. Convicto de que passará por uma disputa acirrada no segundo turno, ele disse que se for eleito não governará para uma população com interesses divididos, governará para todos. Questionado sobre as alianças que formará com os demais candidatos, afirmou: “Vou fazer aliança com o povo”.

POLÍTICA: 'O PSDB e o DEM não têm autoridade para falar sobre corrupção’, afirma Nelson Pelegrino

Do BAHIA NOTÍCIAS
por Rodrigo Aguiar/ Simone Melo
'O PSDB e o DEM não têm autoridade para falar sobre corrupção’, afirma Nelson Pelegrino
O candidato à prefeitura de Salvador pelo PT, Nelson Pelegrino, disse, na noite deste domingo (7), estar emocionado por disputar pela primeira vez o segundo turno das eleições municipais da cidade. O postulante lembrou que nas eleições de 2000 e de 2004 não conseguiu por uma pequena porcentagem chegar ao segundo turno, e declarou ter sido “roubado na apuração” de 1996. “Considero que a campanha foi vitoriosa, vamos para o segundo turno crescendo. Eles [os adversários] já tiveram a oportunidade de governar Salvador. Vamos mostrar que nós somos a mudança”, afirmou. O petista afirmou não temer uma possível repercussão do julgamento do mensalão, que acontece no Supremo Tribunal Federal, na campanha de Salvador. “O PSDB e o DEM não têm autoridade para falar sobre corrupção. Aqui na Bahia, todo mundo sabe quem primou pela moralidade”. Pelegrino reconheceu que as greves de policiais e professores estaduais deixaram “fissuras”, mas garantiu que vai continuar a utilizar a imagem do governador Jaques Wagner na sua campanha. O candidato ainda alfinetou o adversário no segundo turno, ACM Neto, que segundo ele, estaria escondendo o apoio do prefeito João Henrique. “Não sou eu que estou escondendo apoio. Não vi o prefeito na campanha dele”. Pelegrino disse que vai buscar o apoio dos outros candidatos e que está aberto a conversas. Depois da coletiva, o petista segue para o bairro Rio Vermelho para acompanhar os militantes.

POLÍTICA: Haverá 2º turno em 50 cidades em 2012


Do UOL, em Brasília

Fábio Brandt


A eleição municipal terá segundo turno em 50 das 5.568 cidades que devem eleger prefeitos em 2012, mostram dados divulgados neste domingo (7) pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Apesar de serem poucas, essas 50 localidades concentram 31.014.101 eleitores (22% do total do país).
O grupo do segundo turno inclui 17 capitais e 33 grandes municípios do interior. A maioria dessas cidades fica na região Sudeste: 26. Em seguida vêm Sul (9), Nordeste (8), Norte (5) e Centro-Oeste (2).
No Brasil, um município só pode ter segundo turno se possuir, pelo menos, 200 mil eleitores.

Além disso, para ter a segunda etapa da votação, é necessário que nenhum candidato obtenha, no primeiro turno, mais da metade dos votos válidos (que são os votos dados aos candidatos, excluídos brancos e nulos).
Em 2012, além das 50 cidades que farão segundo turno, outras 33 também tinham eleitores suficientes para realizar a segunda etapa caso necessário, mas elegeram seus prefeitos já no primeiro turno.

A eleição municipal continuará até 28 de outubro para 61% dos eleitores das maiores cidades do país.
Capitais
Dos oito prefeitos das capitais brasileiras que tentaram a reeleição, quatro conseguiram ganhar já no primeiro turno. Outros três foram para o segundo turno e um deles já foi derrotado no primeiro turno mesmo.
Os prefeitos de Rio de Janeiro (Eduardo Paes, PMDB), Belo Horizonte (Márcio Lacerda, PSB), Porto Alegre (José Fortunati, PDT) e Goiânia (Paulo Garcia, PT) foram os quatro reeleitos no primeiro turno.
Os três que vão decidir a sorte no segundo turno são Antônio Roberto Rodrigues Góes da Silva, o Roberto (PDT), de Macapá (AP); João Castelo (PSDB), de São Luís (MA); e Elmano Férrer (PTB), de Teresina (PI).
Eleições pelo Brasil
Desses três que passaram para o segundo turno, só um deles ficou à frente na primeira fase da eleição: Roberto, de Macapá. Castelo e Férrer ficaram atrás de seus adversários.
O prefeito atual de Curitiba, Luciano Ducci (PR), foi o único candidato a reeleição das capitais brasileiras que não conseguiu nem passar para o segundo turno. A eleição na capital paranaense vai ser decidida no dia 28 deste mês pelos candidatos Ratinho Jr. (PSC), que teve 34,09% dos votos válidos, e Gustavo Fruet (PDT), que ficou com 27,22% dos votos.
Ducci ficou em terceiro, encostado em Fruet, com 26,77%.
PREFEITOS QUE TENTARAM REELEIÇÃO
CANDIDATO SITUAÇÃO
Eduardo Paes (PMDB), Rio de Janeiro (RJ) Eleito no 1º turno
Márcio Lacerda (PSB), Belo Horizonte (MG) Eleito no 1º turno
José Fortunati (PDT), Porto Alegre (RS) Eleito no 1º turno
Paulo Garcia (PT), Goiânia (GO) Eleito no 1º turno
Roberto (PDT), Macapá (AP) Disputa 2º turno
João Castelo (PSDB), São Luís (MA) Disputa 2º turno
Elmano Férrer (PTB), Teresina (PI) Disputa 2º turno
Luciano Ducci (PR), Curitiba (PR) Não vai nem ao 2º turno

POLÍTICA: Veja quem se elegeu à Câmara Municipal de Salvador


Do POLÍTICA LIVRE
Foto: Blog À queima roupa
Hilton Coelho está entre os campeões de voto à Câmara de Salvador

Abaixo está a lista dos candidatos, partido, votos que receberam e porcentagem dos votos válidos. A lista segue o cálculo feito pelo coeficiente eleitoral.

Carlos Muniz PTN 16.932 (1,31%)
Hilton Coelho PSOL 16.392 (1,27%)
Tia Eron PRB 15.572 (1,21%)
Soldado Prisco PSDB 14.800 (1,15%)
Dr David Rios PSD 14.502 (1,13%)
Waldir Pires PT 13.754 (1,07%)
Luiz Carlos PRB 13.453 (1,04%)
Alan Castro PTN 13.432 (1,04%)
Isnard Araujo PR 13.011 (1,01%)
Edvaldo Brito PTB 11.958 (0,93%)
Toinho Carolino PTN 11.296 (0,88%)
Geraldo Junior PTN 11.231 (0,87%)
Catia Rodrigues PMN 10.872 (0,84%)
Ana Rita Tavares PV 10.032 (0,78%)
Palhinha PP 9.799 (0,76%)
Heber Santana PSC 8.880 (0,69%)
Paulo Câmara PSDB 8.714 (0,68%)
Alberto Braga PSC 8.652 (0,67%)
Duda Sanches PSD 8.464 (0,66%)
Suica PT 8.220 (0,64%)
Pepê PMDB 8.069 (0,63%)
Marcell Moraes PV 7.969 (0,62%)
Mangueira PMDB 7.931 (0,62%)
Kiki Bispo PTN 7.600 (0,59%)
Joceval Rodrigues PPS 7.427 (0,58%)
Lessa PT 7.148 (0,56%)
Euvaldo Jorge PP 6.843 (0,53%)
Leo Prates DEM 6.773 (0,53%)
Claudio Tinoco DEM 6.672 (0,52%)
Gilmar Santiago PT 6.628 (0,51%)
Dra Fabiola Mansur PSB 6.520 (0,51%)
J. Carlos Filho PT 6.441 (0,50%)
Trindade PSL 6.429 (0,50%)
Odiosvaldo Vigas PDT 6.225 (0,48%)
Moises Rocha PT 5.897 (0,46%)
Carballal PT 5.768 (0,45%)
Tiago Correia PTN 5.396 (0,42%)
Aladilce Souza PC do B 5.004 (0,39%)
Alemão PRP 4.541 (0,35%)
Everaldo Augusto PC do B 4.475 (0,35%)
Leandro Guerrilha PSL 4.371 (0,34%)
Silvio Humberto PSB 4.118 (0,32%)
Vado DEM 4.057 (0,32%)

DIREITO: Especial STJ: quando há direito à indenização por dano moral?



Na reportagem especial desta semana, a Coordenadoria de Rádio do Superior Tribunal de Justiça (STJ) aborda o direito à indenização por danos morais. Em dois casos julgados pela Terceira Turma, que analisa matérias de direito privado, os ministros concederam indenização a cidadãos que passaram por situações, no mínimo, inusitadas. Conheça essas histórias e as dicas de um dos advogados que participaram dos processos. 
Confira agora a matéria completa, veiculada sempre aos domingos, a partir das 8h. A reportagem também é veiculada durante a programação da Rádio Justiça (FM 104.7 MHz) e pelo site www.radiojustica.jus.br. 

DIREITO: STJ - Salário pode ser penhorado para pagar dívida de pensão alimentícia acumulada


Os vencimentos, soldos e salários, entre outras verbas remuneratórias do trabalho, podem ser penhorados para o pagamento de prestação alimentícia. A execução desse crédito, mesmo que pretérito, por quantia certa, não transforma sua natureza nem afasta a exceção à impenhorabilidade daquelas verbas. A decisão é da Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ). 
O entendimento contraria posição adotada pelo Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJRS). Para os desembargadores gaúchos, a penhora deveria ser afastada porque a execução seguia o rito da quantia certa e dizia respeito a dívida não atual. 
Recalcitrância premiada 
Para a ministra Nancy Andrighi, porém, ao contrário do que entendeu o TJRS, ao se permitir o afastamento da penhora em razão da passagem do tempo de inadimplência, a situação de quem necessita de tais prestações de natureza alimentar só piora. Segundo ela, as medidas deveriam ser progressivamente mais incisivas, e não abrandadas. 
“Não admitir a constrição de verbas salariais, por efeito do lapso temporal já transcorrido desde o não pagamento da dívida de alimentos, resulta em inaceitável premiação à recalcitrância do devedor inadimplente”, afirmou a relatora. 
Quantia certa
Além disso, ela considerou “manifestamente descabida” a interpretação do TJRS quanto ao rito de execução. Conforme explicou a ministra, o dispositivo que excepciona a regra de impenhorabilidade de salário e verbas similares (art. 649, § 2°, do CPC) se situa exatamente no capítulo do Código de Processo Civil que trata dessa modalidade específica de execução: “Da execução por quantia certa contra devedor solvente.” 
“A despeito dessa disposição legal expressa, o TJRS afastou a constrição – determinada pelo juiz de primeiro grau para garantia da execução de verba alimentar – de parte do soldo percebido pelo recorrido, sob o fundamento de que, ‘sendo caso de dívida alimentar não revestida de atualidade e executada sob o rito da quantia certa, resta afastado o caráter alimentar’”. Para a ministra, não há como esse argumento subsistir.

DIREITO: STJ - Primeira Turma mantém condenação de médica que emitiu atestado para si


O Superior Tribunal de Justiça (STJ) manteve a condenação de uma médica de São Paulo que emitiu atestado de saúde em favor de si mesma, cometendo ato de improbidade administrativa. O voto do relator, ministro Benedito Gonçalves, foi acompanhado pela maioria da Turma. Os ministros entenderam que está verificado no caso o dolo, ainda que eventual, de realizar conduta que atenta contra os princípios da administração pública. A Turma, no entanto, reduziu a pena de multa, de 20 para cinco vezes o valor da remuneração da servidora. 
O Ministério Público ajuizou ação civil pública porque a médica, em 1999, teria emitido laudo em seu próprio benefício, objetivando manter-se no serviço público municipal, e aproveitou-se desse mesmo autoatestado para ser admitida no cargo de médica do programa Saúde da Família, em 2004. Para o MP, estaria configurada violação ao artigo 11 da Lei 8.429/92 (Lei de Improbidade Administrativa). 
No entanto, a defesa alega que o fato de a médica ter assinado, voluntariamente, a declaração do seu real estado de saúde físico e mental “não significa que ela agiu com dolo capaz de configurar ato de improbidade administrativa”. 
Ao analisar o caso, o ministro Benedito Gonçalves relembrou que nenhum servidor público pode atestar sobre fato ou situação que diga respeito a si mesmo, por ferir o princípio da impessoalidade e, em consequência, o da moralidade administrativa. 
Elemento subjetivo
O ministro destacou que “o elemento subjetivo necessário à configuração de improbidade administrativa previsto pelo artigo 11 da Lei 8.429 é o dolo eventual ou genérico de realizar conduta que atente contra os princípios da administração pública, não se exigindo a presença de intenção específica, pois a atuação deliberada em desrespeito às normas legais, cujo desconhecimento é inescusável, evidencia a presença do dolo”. 
Assim, o ministro constatou que a decisão condenatória do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) está em sintonia com o entendimento do STJ. “Não há como afastar o elemento subjetivo daquele que emite laudo médico de sua competência para si mesmo”, observou o ministro. 
Multa
Quanto à redução da pena, o relator explicou que a multa civil pode ser estabelecida em até cem vezes o valor da remuneração do agente. Para sua fixação, o juiz deve levar em conta a extensão do dano causado e o proveito patrimonial obtido. 
Benedito Gonçalves observou que, segundo reconhecido na decisão do TJSP, o laudo emitido pela médica em seu benefício não foi determinante para sua posse no cargo público, porque também houve laudo médico emitido por outro profissional. 
Revalorando o que foi considerado pelo TJSP, o ministro entendeu que a multa deve ser reduzida de 20 para cinco vezes o valor da remuneração, valor tido como suficiente para penalizar a médica por sua conduta. Os ministros Teori Zavascki e Arnaldo Esteves Lima seguiram o voto do relator. 
Divergência 
O ministro Napoleão Nunes Maia Filho votou em sentido contrário, para extinguir a multa. Para ele, a conduta da médica foi culposa, o que não pode dar ensejo à sua responsabilização por improbidade administrativa. “A negligência, a imprudência ou a imperícia, embora possam ser consideradas condutas irregulares e, portanto, passíveis de sanção, não são suficientes para ensejar a punição por improbidade”, afirmou. 

DIREITO: STJ - Transportadora que contratou veículo em mau estado de conservação responde solidariamente por acidente


Responde civilmente por culpa in eligendo (decorrente de má escolha) a transportadora, dona de reboque, que contrata autônomo para transporte de cargas, em rodovias movimentadas, por meio de cavalo mecânico inadequadamente conservado e conduzido pelo seu preposto. Ao permitir a circulação desse veículo, a contratante deixa de observar o dever genérico de cuidado objetivo de não lesar o próximo. O entendimento é da Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ). 
O acidente, ocorrido em 1995, causou a morte do motorista e de uma menor de 15 anos, transportada como carona. Segundo o laudo pericial, duas hipóteses teriam causado o acidente: falha mecânica no sistema de freios ou ruptura no chassi por oxidação, submetido à pressão ao efetuar curva após longo trecho de pista sinuosa em declive. O veículo capotou na rodovia entre Diamantina e Couto Magalhães (MG). 
A ação de indenização foi ajuizada pela mãe da menor contra o proprietário do cavalo mecânico e a transportadora, dona do reboque acoplado ao automóvel. As instâncias ordinárias condenaram os réus a arcar solidariamente com a indenização, majorada pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) para 200 salários mínimos, acrescidos dos danos materiais pelas despesas com o funeral. 
Contrato complexo
A transportadora contratou o dono do cavalo mecânico para realização de frete. O proprietário do cavalo mecânico, por sua vez, alugou o reboque da própria transportadora, visando cumprir um contrato de entrega de cargas celebrado entre a transportadora e outra empresa. 
Para o relator, ministro Villas Bôas Cueva, existe estreito relacionamento comercial entre as partes envolvidas no processo: transportadora e autônomo. 
A transportadora alegou que não era responsável, por não ter participado do acidente. Afirmou nunca ter sido dona do veículo automotor e que seu reboque, desprovido de força motriz, jamais poderia ter causado o acidente. Além disso, o motorista era preposto do contratado, autônomo que trabalhava para várias empresas, por conta e riscos próprios. Ao final, sustentou não haver vínculo de subordinação com o condutor. 
Por sua vez, o proprietário do cavalo mecânico alegou que não agiu diretamente para a realização do evento danoso. Disse que não poderia ser responsabilizado por culpa in eligendo por ato de terceiro, no caso o motorista do cavalo mecânico, e que o fato de o veículo estar registrado em seu nome não seria suficiente para lhe imputar a responsabilidade civil. 
Conjunto único
O ministro Villas Bôas Cueva afirmou que, conforme dispôs a sentença, apesar de o reboque não possuir força motriz própria, tanto a sua finalidade quanto a do cavalo mecânico só são alcançadas com o funcionamento conjunto de ambos. Desse modo, não seria plausível a análise isolada desses dois elementos. 
Segundo o relator, o reboque estava sendo usado em favor de interesse comercial da transportadora responsabilizada. Assim, o pessoal usado, por sua determinação, para o cumprimento do contrato, deve ser considerado extensão de sua própria pessoa. 
Dever de cuidado
“Há culpa in eligendo da transportadora que contrata transportador autônomo, dono de automóvel inadequadamente conservado, cujas deficiências foram detectadas no sistema de freios (falha mecânica) e em ruptura de chassi com a presença de rachadura e oxidação”, afirmou o relator. 
Para o ministro, a empresa, “ao permitir a circulação desse veículo, que, inclusive, tracionava reboque da sua propriedade (alugado para o cumprimento do transporte de cargas em rodovias movimentadas), não observou o dever de cuidado objetivo de não lesar o próximo (neminem laedere)”. 
Tal dever, segundo o relator, corresponde à diligência exigível do agente que deve ser observada em todas as condutas capazes de provocar dano a terceiros, em especial, quando extrai proveito econômico da atividade arriscada desenvolvida rotineiramente. 
O ministro também ressaltou que o caso não se equiparava a precedentes do STJ que afastam a responsabilidade do proprietário do reboque no caso de acidentes. 
É que, no caso desses paradigmas, não havia vínculo de preposição ou subordinação entre os partícipes do evento. 
No caso julgado, ao contrário, ficou expressamente consignado pelas instâncias ordinárias que o reboque estava sendo utilizado em prol do interesse comercial da própria transportadora que se fazia “substituir nas múltiplas funções” e “precisamente porque seu pessoal”, no caso o proprietário do cavalo mecânico, “se considera extensão da pessoa ou órgão principal". 
Subordinação 
O recurso do proprietário do cavalo mecânico também foi rejeitado. Para o ministro, o dono do veículo efetivamente empregava o motorista, que no momento do acidente se encontrava trabalhando, no exercício de sua função habitual. 
A relação de preposição, que se caracteriza pela subordinação hierárquica, implica a responsabilidade indireta, conforme previsto no artigo 1.521, inciso III, do Código Civil de 1916 e na Súmula 341 do Supremo Tribunal Federal (“é presumida a culpa do patrão ou comitente pelo ato culposo do empregado ou preposto”). 
“Como regra geral, a responsabilidade limita-se à pessoa cuja conduta contribuiu direta e imediatamente para o dano. Contudo, nosso ordenamento admite que a responsabilidade ultrapasse o autor material do ato para atingir outro indiretamente envolvido, desde que existente um vínculo jurídico, que se extrai do dever de guarda, vigilância e cuidado objetivo”, concluiu o relator.

DIREITO: TRF1 - Transportadora não responde objetivamente por assalto ocorrido em veículo de sua propriedade



Por unanimidade, a 6.ª Turma do Tribunal Regional Federal da 1.ª Região deu provimento a recurso formulado pela Empresa Auto Viação Progresso S/A contra sentença que a condenou ao pagamento de indenização por danos materiais e de pensão mensal a um passageiro até que este complete 65 anos. Consta dos autos que o passageiro ficou tetraplégico por assalto ocorrido no interior de ônibus de propriedade da empresa.
Na apelação, a empresa alega, entre outros argumentos, que a sentença merece reforma, pois “não há que se falar em responsabilidade objetiva do transportador nas hipóteses em que configura caso fortuito ou força maior”. Aduz, ainda, que eventual responsabilidade pelo ocorrido deve ser imputada à União, “responsável pela conservação e segurança da rodovia em que ocorrido o assalto”.
Para o relator, desembargador federal Jirair Aram Meguerian, os argumentos apresentados pela empresa são pertinentes. Segundo o magistrado, há jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ) no sentido de que “assalto ocorrido no interior de veículo coletivo constitui causa excludente da responsabilidade da empresa transportadora, por configurar fato estranho ao contrato de transporte”.
O relator, contudo, citou em seu voto reportagem jornalística, produzida à época do ocorrido, que destacou os constantes assaltos na rodovia onde o fato aconteceu. “Estão se tornando a cada dia que passa mais insuportáveis as viagens de ônibus nas rodovias federais que cortam o Maranhão, principalmente nas BRs 222, 135 e 315”, diz a reportagem.
Dessa forma, salientou o desembargador Jirair Aram Meguerian, “apesar de previsível o assalto, exclui-se a responsabilidade da empresa transportadora em face da mecânica fatal e triste da ocorrência”.
Com tais fundamentos, a Turma, nos termos do voto do relator, deu provimento à apelação proposta pela Empresa Auto Viação Progresso S/A.
Processo n.º 0000404-31.2006.4.01.3701

Template Rounders modificado por ::Power By Tony Miranda - Pesmarketing - [71] 9978 5050::
| 2010 |