segunda-feira, 6 de novembro de 2017

ECONOMIA: Bolsa fecha em alta pelo 2º dia; Petrobras e Vale sobem mais de 2%

UOL

O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, fechou esta segunda-feira (6) em alta de 0,53%, a 74.310,79 pontos. É a segunda alta seguida. Na sexta-feira (3), a Bolsa subiu 0,12%. (Com Reuters) 


Petróleo bate maior valor em quase 2 anos após prisão de príncipes sauditas
O barril de petróleo atingiu máximas de quase dois anos nesta segunda-feira (6), depois de Mohammed bin Salman, príncipe herdeiro da Arábia Saudita, ter constituído um novo comitê de combate à corrupção que resultou na detenção de pelo menos 11 príncipes, quatro governantes e dezenas de antigos ministros sauditas no último sábado. (Com Público) 


Dólar cai 1,45%, e fecha a R$ 3,259, na maior queda em mais de 5 meses
O dólar comercial fechou esta segunda-feira (6) com queda de 1,45%, cotado a R$ 3,259 na venda. Foi a maior queda percentual diária desde 19 de maio (-3,89%). Na última sexta-feira (3), o dólar subiu 1,32%, a R$ 3,307. (Com Reuters) 

POLÍTICA: Governo já admite que hoje não consegue aprovar reforma da Previdência

OGLOBO.COM.BR
POR CATARINA ALENCASTRO

Líder do PMDB diz que, se tucanos já sabem que deixarão governo, não há por que esperar

O deputado federal Baleia Rossi, líder do PMDB na Câmara, no gabinete da liderança - Ailton de Freitas / Ailton de Freitas/Agência O Globo/19-09-2016

BRASÍLIA — O governo já admite abertamente que não dá para contar com a aprovação da reforma da Previdência. Antes de entrar para a reunião de líderes da base com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), quando serão definidos os próximos projetos a serem votados, o líder do PMDB, deputado Baleia Rossi (SP), disse que a Previdência não é pauta única do governo. E que o objetivo do ajuste fiscal pode ser alcançado por meio da aprovação de outros projetos. Baleia também comentou sobre o movimento que ganha força dentro do PSDB de abandonar o governo. Para ele, caso os tucanos já estejam decididos pelo rompimento, não há por que esperar até dezembro, quando ocorrerá a convenção nacional do partido.
— Se a decisão política do PSDB de sair do governo já está tomada não vejo sentido em esperar até dezembro — disse.
Baleia foi perguntado sobre uma eventual reforma ministerial, na eventualidade de os tucanos desalojarem as quatro pastas que ocupam no governo. E disse que uma troca de comando dos ministérios não fará o governo ganhar mais votos no Congresso para aprovar pautas de seu interesse.
O Palácio do Planalto tenta reconstruir apoios dentro dos partidos da base aliada após as desgastantes votações das duas denúncias enviadas à Câmara pelo Ministério Público contra o presidente Michel Temer. Ambas foram arquivadas. A última, na qual o presidente era acusado de organização criminosa e obstrução à Justiça, foram dados 251 votos a favor de Temer, menos do que a metade da Câmara, composta por 513 deputados.
Por ser uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC), a reforma da Previdência, que sempre foi apresentada como prioridade número um do governo, precisa de pelo menos 308 votos para ser aprovada.
— Não acho que uma reforma ministerial possa fazer com que o governo ganhe votos. O assunto (reforma da Previdência) tem que ser tratado de maneira mais didática, de mostrar para os parlamentares que o país tem a necessidade da aprovação de projetos que vão de encontro ao ajuste fiscal — disse, complementando: — A Previdência não é uma pauta única, há outros projetos que caminham nesse sentido de mostrar que o ajuste é uma pauta tratada com seriedade pelo governo. Não acho que o governo dependa única e exclusivamente da aprovação da reforma da Previdência. Hoje o governo não tem os votos necessários para aprovar uma PEC.

POLÍTICA: Corrente petista contesta negociações para aliança com PMDB

OGLOBO.COM.BR
POR SÉRGIO ROXO

Para Democracia Socialista, o partido não pode se reaproximar de ‘golpistas’

O ex-presidente Lula ao lado do senador Renan Calheiros e do governador Renan Filho - RICARDO STUCKERT / Divulgação

SÃO PAULO - A corrente petista Democracia Socialista (DS) divulgou nota nesta segunda-feira com contestação às negociações que são sendo feitas pela cúpula do partido para firmar alianças com o PMDB nos estados para a eleição de 2018. O foco principal do grupo são as tratativas com o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) e com o seu filho, o governador de Alagoas, Renan Filho.
“Em Alagoas, assim como em outros estados, é preciso reconstruir o PT com independência de classe, ao lado dos movimentos sindicais e populares, com programa e alianças de esquerda. Para a DS, petista não vota em golpista, não apoia governos golpistas e não participa de governos golpistas”, afirma a nota. A Democracia Socialista, que tem como integrantes, entre outros, os ex-ministros Miguel Rossetto e Pepe Vargas, integra a Mensagem ao Partido, segunda força interna do PT.
O PT negocia alianças com o PMDB em pelo menos seis estados para o próximo ano: além de Alagoas, Ceará, Minas, Piauí, Paraná e Sergipe. Dirigentes petistas, como o presidente do diretório de São Paulo da legenda, Luiz Marinho, próximo do ex-presidente Lula, tem defendido uma revisão da proibição de alianças com políticos que apoiaram o impeachment da presidente Dilma Rousseff.
No ano passado, Renan votou a favor do afastamento de Dilma no Senado. Na época, o PT rompeu com o governo de Renan Filho, mas agora definiu que voltará à participar da gestão estadual em Alagoas.
Outro político que defendeu o impeachment e deve receber o apoio do PT no ano que vem é o presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE). Eunício planeja tentar um novo mandato de senador na mesma chapa que o governador do Ceará, o petista Camilo Santana.
Lula tem se movimentado para se reaproximar de políticos até recentemente classificava como “golpistas”. Ele argumenta que, caso seja eleito presidente, precisará contar com o apoio de diversos partidos para ter uma base sólida no Congresso Nacional.

LAVA-JATO: ‘Compra do meu silêncio foi forjada para derrubar Temer’, diz Eduardo Cunha

ESTADAO.COM.BR
Fábio Serapião/BRASÍLIA

Ex-presidente da Câmara, preso na Operação Lava Jato, é interrogado na 10.ª Vara Federal de Brasília no âmbito da Operação Sépsis e nega ter recebido dinheiro do empresário Joesley Batista JBS para não fazer delação

Michel Temer e Eduardo Cunha. Foto: André Dusek/Estadão

O ex-deputado Eduardo Cunha negou ter recebido dinheiro do empresário Joesley Batista para não fazer delação e afirmou que a suposta compra do seu silêncio foi ‘forjada para derrubar o mandato do presidente Michel Temer‘.
A declaração de Cunha foi em resposta a uma pergunta do juiz Vallisney de Souza Oliveira, da 10.ª Vara Federal em Brasília, no âmbito dos interrogatórios da ação penal derivada da Operação Sépsis.
“Deram uma forjada e Joesley foi cúmplice e agora está pagando o preço por isso”, afirmou Cunha.
A suposta compra do silêncio de Cunha apareceu pela primeira vez após divulgação do áudio da conversa gravada entre Temer e Joesley no Palácio do Jaburu, ocorrida na noite de 7 de março.
Em seu acordo de colaboração, Joesley Batista disse ter efetuado pagamentos para Cunha e seu operador, Lúcio Bolonha Funaro, com o objetivo de manter os dois em silêncio na prisão.
A informação embasou a abertura de investigação e posterior oferecimento de denúncia contra Temer pelo procurador-geral da República Rodrigo Janot. A acusação de Janot foi barrada pela Câmara.
Ainda em seu depoimento, Eduardo Cunha afirmou ter participado de um encontro entre Joesley e Michel, em 2012.
A revelação de Cunha sobre a reunião foi no momento em que o juiz Vallisney de Souza elencava perguntas sobre possíveis irregularidades no aporte do FI-FGTS na empresa Eldorado Celulose, do grupo J&F.

ENTREVISTA: É preciso flexibilizar direitos sociais para haver emprego, diz chefe do TST

FOLHA.COM
LAÍS ALEGRETTI, DE BRASÍLIA

Mateus Bonomi/Folhapress 
O presidente do TST, ministro Ives Gandra da Silva Martins Filho

Ocupante do mais importante cargo da Justiça do Trabalho, o presidente do TST (Tribunal Superior do Trabalho), ministro Ives Gandra da Silva Martins Filho, diz que é necessário reduzir direitos para garantir empregos.
"Nunca vou conseguir combater desemprego só aumentando direito."
Gandra afirma ainda não ver problema em trecho polêmico da reforma trabalhista que estabelece indenização por dano moral com valor proporcional ao salário.
"Não é possível dar a uma pessoa que recebia um salário mínimo o mesmo tratamento, no pagamento por dano moral, que dou para quem recebe salário de R$ 50 mil. É como se o fulano tivesse ganhado na loteria."
Para ele, a reforma quebra a rigidez da legislação e dá segurança jurídica às empresas em um ambiente de novas tecnologias.
*
Folha - A reforma entra em vigor dia 11. Quais as principais mudanças no curto prazo?
Ives Gandra - A espinha dorsal da reforma foi o prestígio à negociação coletiva. É importante porque quebra a rigidez da legislação. Tem a possibilidade de, em crise econômica, trocar um direito por outra vantagem. Por exemplo, um reajuste salarial menor, mas com uma vantagem compensatória: eu garanto por um ano seu emprego ou vou te dar um reajuste do auxílio-alimentação superior à inflação.
O senhor falou em crise. A mesma reforma seria feita em outro contexto?
Modernizar a legislação já era uma necessidade. Você vê novas formas de contratação e novas tecnologias. Não havia normativo. A reforma deu segurança jurídica. Em época de crise, se não estiverem claras as regras, o investidor não investe no Brasil.
Se o juiz não tem regras claras, aplica princípios para conceder direito. Se for somando esses encargos, chega uma hora em que o empregador não tem como assimilar.
O senhor quer dizer que isso colaborou com a crise?
Colaborou. Um pouco da crise veio exatamente do crescimento de encargos trabalhistas. Para você ter uma reforma que o governo manda dez artigos e sai do Congresso com cem alterados, é porque havia demanda reprimida.
A grande alteração do texto na Câmara é apontada como uma demanda do lado das empresas. O sr. concorda?
Sim e não. Por um lado, muitas súmulas ampliaram direitos sem que tivesse uma base legal clara. Volta e meia recebíamos pedidos do setor patronal para rever súmulas. O Congresso reviu e agora temos que fazer revisão das nossas súmulas.
Por um lado, foi a demanda das empresas, insatisfeitas com a ampliação de direitos. Por outro, muitos direitos foram criados pela reforma.
Quais direitos?
Tinha uma súmula do TST que disciplinava a terceirização. Agora, há uma lei. A reforma, para os terceirizados, não precarizou condições.
Com novas regras, ficará mais fácil ser empregador?
Sim. Quando você prestigia a negociação coletiva, em que posso contratar rapidamente e demitir sem tanta burocracia, o empregador que pensaria dez vezes em contratar mais um funcionário contrata dois, três. Isso está sendo feito em toda Europa.
Fica pior ser empregado?
Não. Fica mais fácil. Por exemplo, a regulamentação do trabalho intermitente. A pessoa não teria um emprego se fosse com jornada semanal.
O garçom, por exemplo, vai trabalhar em fim de semana, determinadas horas. Eu te pago a jornada conforme a demanda que eu tiver. Quando eu precisar, eu te aviso. Com o trabalho intermitente, você consegue ajeitar a sua vida do jeito que quer. As novas modalidades permitem compaginar outras prioridades com uma fonte de renda laboral.
A reforma é inconstitucional?
Afronta literal à Constituição não vi nenhuma. Até os pontos que haveria maior discussão, como parametrizar os danos morais... Precisamos de um parâmetro.
A nova lei coloca o salário como parâmetro.
O que se tem discutido: pode ser o salário? Não faria uma mesma ofensa, dependendo do salário, ter tratamento desigual? Ora, o que você ganha mostra sua condição social.
Não é possível dar a uma pessoa que recebia um mínimo o mesmo tratamento, no pagamento por dano moral, que dou para quem recebe salário de R$ 50 mil. É como se o fulano tivesse ganhado na loteria.
É justo que duas pessoas que sofreram o mesmo dano recebam indenizações diferentes?
Isso serve de parâmetro. O juiz é que vai estabelecer a dosagem. Se a ofensa é a mesma, a tendência será, para o trabalhador que ganha muito, jogar o mínimo, e o que ganha pouco, jogar para o máximo. Você mais ou menos equaliza.
Sem parâmetro, há uma margem de discricionariedade que você pode jogar um valor que, se trabalhasse a vida inteira naquele trabalho, não ganharia o que está ganhando porque fizeram uma brincadeira de mau gosto contigo. Às vezes, é por uma brincadeira de mau gosto que se aplica a indenização por dano moral.
Por que a reforma gerou tantas reações negativas?
Para muitos juízes, procuradores, advogados, negociação só existe para aumentar direito do trabalhador. Esquecem que a Constituição diz que é possível reduzir salário e jornada por negociação coletiva. Se você passa 50 anos crescendo salário e direito, termina ganhando R$ 50 mil por jornada de cinco horas. Não há empresa ou país que suporte.
O governo anterior editou uma medida principalmente para o setor automotivo, criando o programa de proteção ao emprego. Os dois pilares eram reduzir jornada e salário para evitar o desemprego. Posso querer dar direitos aos funcionários, mas tenho que competir no mercado.
O sr. falou de outros países...
A reforma na Espanha também foi contestada do ponto de vista constitucional. O começo da sentença diz: nossa Constituição tem valores que são colocados como centrais e, às vezes, podem conflitar. Queremos garantir direito trabalhista e, ao mesmo tempo, pleno emprego.
Esses dois valores, em determinados momentos, e é o momento que a Espanha estava atravessando, de 25% de desemprego... Se eu não admitir que isso aqui [direitos] não pode crescer, nunca vou atingir o pleno emprego.
Nunca vou conseguir combater desemprego só aumentando direito. Vou ter que admitir que, para garantia de emprego, tenho que reduzir um pouquinho, flexibilizar um pouquinho os direitos sociais.
É o que está ocorrendo aqui?
É o que está acontecendo.
A Justiça do Trabalho é muito benéfica para o trabalhador?
Não é privilégio da Justiça do Trabalho. Há um ativismo geral. Desde o Supremo. Quando você amplia direito com base em princípios, alguém tem que pagar a conta.
Qual será o impacto da reforma para os magistrados?
Simplificar processo e racionalizar a prestação jurisdicional. Vamos julgar só causas mais relevantes. O advogado do empregado terá de pensar muito antes de entrar com ação, o do empregador terá de pensar muito antes de recorrer.
A reforma vai diminuir a demanda no Judiciário?
Hoje o trabalhador pode acionar e depois se descobrir que ele já tinha recebido e simplesmente dizer: tudo bem, não vai receber nada porque já recebeu? Ué, fica elas por elas? Está fazendo com que o empregador contrate advogado, o juiz gaste tempo para julgar.
Por outro lado, temos o acordo extrajudicial, que pode ser homologado na Justiça. Isso pode aumentar [demanda] no primeiro momento. Uma vai compensar a outra.
O pagamento das custas (que passam a ser do trabalhador em caso de perda parcial ou integral de ação) pode valer para quem entrou na Justiça antes da reforma?
As normas legais se aplicam imediatamente a todos os contratos. Os processos antigos são regidos pela lei anterior.
O fim do imposto sindical obrigatório é boa medida?
Ótima. Foi um milagre ter acontecido. Haverá um sindicalismo muito mais realista, não monopólio. Hoje, quem está aí ganhando imposto obrigatório não precisa fazer maior esforço.
*
RAIO-X
Nome
Ives Gandra da Silva Martins Filho, 58
Cargo
Presidente do TST (Tribunal Superior do Trabalho) até fevereiro de 2018
Carreira
Ministro do TST desde 1999
Formação
doutor em direito pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul
-
O QUE MUDA
Os principais pontos da reforma trabalhista
Negociação vai prevalecer sobre a CLT quando tratar de temas como jornada, intervalo para almoço e plano de cargos, salários e funções
Amplia a jornada parcial (de 25 horas para 30 sem hora extra, ou 26 horas com 6 horas extras) estende o uso da jornada 12 x 36 (12 horas de trabalho por 36 de descanso)
Regulamenta o teletrabalho, o trabalho intermitente (descontinuado por horas, dias ou meses) e o serviço autônomo sem vínculo
Acaba com a obrigatoriedade do imposto sindical

POLÍTICA: Serra avisa PSDB que pensa em concorrer ao governo de SP em 2018

OGLOBO.COM.BR
POR SILVIA AMORIM

Senador tem se reunido com prefeitos e líderes; nesta segunda, vai jantar com deputados

O senador José Serra (PSDB-SP) deixou o Ministério das Relações Exteriores em fevereiro - Edilson Dantas / Agência O Globo (25/07/2017)

SÃO PAULO - Apontado como carta fora do baralho após ser atingido pela Lava-Jato, o senador José Serra (PSDB-SP) está de volta ao jogo eleitoral de 2018. O tucano comunicou há cerca de dez dias a algumas lideranças do partido em São Paulo que vai tentar viabilizar sua candidatura a governador. Na noite desta segunda-feira ele será o convidado de honra de um jantar organizado por deputados estaduais de diversas legendas.
A articulação de uma candidatura do senador ganhou terreno nas últimas semanas com o enfraquecimento político do prefeito João Doria (PSDB), que está às voltas com sua queda de popularidade, inimigos no partido e medidas erráticas na prefeitura. Com a vaga de presidenciável ameaçada, Doria começou a cogitar lançar-se para o governo paulista. Mas a má fase do prefeito passou a ser vista por entusiastas de uma candidatura de Serra como oportunidade de recuperação de espaço político.
Para sondar a receptividade de sua postulação, Serra tem se reunido com prefeitos paulistas e lideranças partidárias. Um dos encontros foi organizado em outubro pelo ministro da Ciência Gilberto Kassab, presidente do PSD e amigo do senador desde quando foi vice dele na prefeitura paulistana, entre 2005 e 2006. Kassab vê numa ascensão do tucano a chance de retornar ao poder em São Paulo, como vice-governador ou até mesmo senador.
Nessas sondagens, Serra não se apresenta como candidato, mas analisa cenários para a sucessão estadual e sinaliza estar aberto à disputa. Antes de começar a se movimentar, o tucano foi até o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso comunicá-lo do novo plano.
— Ele está andando por aí e fazendo reuniões para tentar ser candidato. É um dos gestores mais preparados do Brasil e tem tudo para ser candidato. Se tiver mais de um interessado, fazemos prévia — afirmou o presidente do PSDB de São Paulo, deputado Pedro Tobias, também procurado por Serra.
O PSDB tem hoje quatro nomes para a vaga de candidato a governador: Serra, Doria (caso seja preterido para presidenciável), o secretário estadual de Desenvolvimento Social, Floriano Pesaro, e o cientista político Luiz Felipe D'Avila, genro do empresário Abílio Diniz.
ALTOS E BAIXOS DE UMA CANDIDATURA DE SERRA
Se a construção de um arco de alianças não é motivo de preocupação para os articuladores de Serra, o mesmo não pode ser dito da situação dele na Lava-Jato. O senador é alvo de dois inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF) por suspeita de recebimento de caixa 2 da Odebrecht e do grupo JBS. Ele nega as acusações.
Serra tem emitido sinais contrários sobre o tema. Há cerca de dois meses, ele colocou essa questão a alguns interlocutores como impeditiva para uma candidatura, alegando que, na condição de investigado, poderia passar a eleição toda tendo que se explicar das acusações. Já outros aliados relataram ao GLOBO que o senador ficou abalado com as investigações logo no início, mas que ultimamente não tem manifestado preocupação.
— A gente sabe que esses casos tramitam muito lentamente no Supremo. Dificilmente esses inquéritos vão avançar a ponto de inviabilizá-lo na eleição — avaliou um tucano do círculo político do senador.
Lideranças de outros partidos que estão sendo procuradas pelo grupo de Serra apontam uma segunda fragilidade do tucano:
— Há uma preocupação com a viabilidade eleitoral dele. Ele está muito associado ao político tradicional. Não sabemos até que ponto esse perfil será rejeitado nas urnas no ano que vem — ponderou um presidente de partido no estado.
Há tucanos que acreditam que Serra esteja usando uma pré-candidatura ao governo para negociar espaço político no partido:
— Acho que ele ainda não desistiu de ser candidato à Presidência da República — disse um ex-secretário de Serra na prefeitura.
Antes de eleger-se senador em 2014, Serra perdeu a eleição para a prefeitura de São Paulo em 2012, para Fernando Haddad (PT). Também disputou duas vezes para presidente (2002 e 2010) e perdeu. Ganhou as disputas para prefeito, em 2004, e governador, em 2006.
Sem precisar se afastar do Senado para concorrer a governador — ele ainda tem quatro anos de mandato — Serra tem o tempo a seu favor. Isso é uma vantagem porque não precisará tomar uma decisão tão cedo sobre uma candidatura. Já Doria terá que deixar a prefeitura até abril, se quiser concorrer a eleição.
Serra deixou em fevereiro o ministério das Relações Exteriores, alegando problemas de saúde. Isso aconteceu meses antes da abertura de inquéritos contra ele na Lava-Jato. Amigos dizem hoje que ele está bem e disposto para encarar uma maratona eleitoral. As queixas de dores nas costas sumiram e, para a perda progressiva de audição, passou a usar um aparelho no ouvido.
O que não tem solução, dizem aliados, é a relação entre ele e Doria. Um arranjo político entre os dois para a sucessão estadual é considerado quase impossível. O prefeito é inimigo declarado de Serra.
É uma incógnita quem seria o candidato preferencial do governador Geraldo Alckmin, que tenta se lançar à Presidência, para a sua sucessão no Palácio dos Bandeirantes.
SAÍDA DO PSDB
Há tempos Serra anda desgostoso com os rumos do PSDB nacional. Ele chegou a dizer num encontro com amigos recentemente que, se o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) for eleito para a presidência do partido em dezembro, ele deixaria o PSDB.
— Não sabemos se dá para levar isso a sério porque o que é dito no calor do momento nem sempre se cumpre. Mas que ele disse, ele disse — confidenciou um amigo do senador.
Serra recebeu convite de filiação do PSD e do PMDB. Aliados avaliam ser uma decisão difícil uma saída do PSDB porque nenhuma das duas siglas garantem estabilidade ao senador. No PSD, Serra teme ser rifado em nome de uma aliança de última hora mais conveniente ao partido, seja para disputar a Presidência como o governo paulista. No PMDB, a desconfiança é com os demais caciques da sigla. Por duas vezes Temer convidou Serra para ser candidato ao Planalto em 2018.
— Se Temer mandasse sozinho no partido, ele já teria ido. Mas o PMDB é um partido com muitos donos, não há garantia de que teria a legenda para disputar — contou um integrante do grupo de Serra no PSDB.
O GLOBO procurou o senador, mas ele não quis falar sobre sua pré-candidatura.

LAVA-JATO: Governadores se livram de investigações no STJ

ESTADAO.COM.BR
Beatriz Bulla, O Estado de S. Paulo

Cinco de 11 apurações envolvendo chefes de executivos estaduais foram arquivadas no Superior Tribunal de Justiça por falta de indícios concretos em delações

BRASÍLIA - Cinco das 11 investigações que envolvem governadores no âmbito da Operação Lava Jato já foram arquivadas e uma tem pedido de arquivamento feito pela Procuradoria-Geral da República. O levantamento, apurado pelo Estado, inclui casos mantidos em segredo de Justiça. Os governadores detêm prerrogativa de foro privilegiado na Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que analisa as acusações.
Os arquivamentos foram feitos a pedido da própria Procuradoria, que não encontrou indícios concretos para dar prosseguimento às investigações. Os primeiros casos chegaram ao STJ em 2015 e tinham como alvo os governadores do Rio, Luiz Fernando Pezão (PMDB), e do Acre, Tião Viana (PT). 
Nos dois casos, a delação do ex-diretor da Petrobrás Paulo Roberto Costa não foi suficiente para convencer os investigadores. Sobre Pezão, Costa afirmou ter arrecadado R$ 30 milhões em caixa 2 da campanha de 2010 do ex-governador do Rio Sérgio Cabral (PMDB).

Luiz Fernando Pezão (PMDB), um dos alvos do STJ Foto: Marcos de Paula/Estadão

O atual governador do Rio era vice de Cabral na época e teria se beneficiado. No caso do governador do Acre, Paulo Roberto Costa afirmou que R$ 300 mil foram dados como “auxílio” à campanha eleitoral de Viana para o Senado em 2010.
A Procuradoria pediu o arquivamento do caso do peemedebista, mas o ministro-relator, Luís Felipe Salomão, aguarda desdobramentos de outras investigações, com base em delação da Odebrecht, para avaliar se aceita ou não o pedido. No STJ, os inquéritos da Lava Jato inicialmente foram distribuídos a Salomão. Com a chegada dos casos relacionados à delação da Odebrecht a partir de junho, no entanto, houve uma dispersão das peças. Os 11 casos ligados à Lava Jato apurados pelo Estado estão distribuídos em gabinetes de cinco ministros.
Foram arquivados ainda casos envolvendo os governadores do Espírito Santo, Paulo Hartung (PMDB), duas apurações sobre o mineiro Fernando Pimentel (PT) e a citação ao governador do Maranhão, Flávio Dino (PC do B). Todas investigações com base na Lava Jato. 
No caso de Dino, por exemplo, a Procuradoria não viu elementos suficientes para sustentar uma acusação de um executivo da Odebrecht que afirmou ter recebido pedido de R$ 200 mil do governador para defender, na Câmara, um projeto de lei que beneficiaria a empreiteira. O arquivamento foi autorizado pelo ministro-relator do caso, Félix Fischer, em agosto.
Ainda estão diligências de investigação pendentes ou aguardando análise procedimentos que envolvem os governadores do Tocantins, Marcelo Miranda (PMDB); de Santa Catarina, Raimundo Colombo (PSD); de Goiás, Marconi Perillo (PSDB); do Paraná, Beto Richa (PSDB); e mais um caso sobre Pezão.
A única denúncia enviada ao Superior Tribunal de Justiça pela Lava Jato que não atinge um governador, mas o ex-ministro Mário Negromonte – que tem prerrogativa de foro na Corte em razão do cargo de conselheiro de tribunal de contas –, foi oferecida denúncia em setembro.
Fontes com acesso aos casos do STJ apontam que a investigação relacionada ao governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), ainda não chegou à Corte. O tucano foi citado na delação da Odebrecht. Apesar de haver uma petição com a menção feita pelos executivos da empreiteira ao seu nome, não há pedido de abertura de investigação nem solicitação de arquivamento até o momento.
O Supremo Tribunal Federal retirou o sigilo das investigações relacionadas à delação da Odebrecht em abril. A partir daí, coube à Procuradoria enviar ao STJ os pedidos de arquivamento ou investigação com relação aos governadores. A assessoria do STJ disse que não localizou inquérito, ação penal ou sindicância relacionada a Alckmin, mas que “também não é possível afirmar que não exista, em razão do segredo de Justiça”.
OUTROS CASOS
Há denúncias contra governadores já elaboradas pela Procuradoria, mas relacionadas a casos diferentes das investigações da Lava Jato. É o caso de Pimentel, também alvo de duas denúncias relacionadas à Operação Acrônimo.
O STJ contabiliza um total de 60 procedimentos – entre ações penais, inquéritos e sindicâncias – abertos contra um total de 18 governadores. Há casos antigos, sem relação com os desdobramentos da Lava Jato. O levantamento da corte não detalha os casos, já que mais de 40 estão em sigilo.
CITADOS NEGAM PARTICIPAÇÃO EM IRREGULARIDADES
O advogado Eugênio Pacelli, defensor de Fernando Pimentel, afirmou ter confiança na Justiça. “Vender culpados é tarefa das mais simples, não importa separar inocentes de culpados. Confiamos que a Justiça continuará fazendo essa distinção.” Beto Richa disse não ter “envolvimento com qualquer irregularidade”.
Luiz Fernando Pezão reiterou que “nunca recebeu recursos ilícitos”. Marconi Perillo informou que “vai prestar todos os esclarecimentos”. Paulo Hartung disse não ter “qualquer relação com ilegalidades”. Em nota, Raimundo Colombo declarou que a Odebrecht “não participou de qualquer licitação” do atual governo. Tião Viana disse que, com a decisão do STJ, teve a “inocência devolvida”. Flávio Dino afirmou não ter “o que acrescentar” após arquivamento de seu caso.
O governo do Tocantins informou que “aguardará a citação da ação para apresentar defesa”. O advogado Carlos Fauaze, defensor de Mário Negromonte, disse que a denúncia baseia-se em “ouvir dizer”. O Palácio dos Bandeirantes não respondeu ao Estado. / RAFAEL MORAES MOURA

LAVA-JATO: Pezão recebeu R$ 5 milhões em caixa 2, diz delator

OGLOBO.COM.BR
POR THIAGO HERDY

Renato Pereira diz que Andrade Gutierrez repassou o valor à campanha do governador

Pezão nega ter tratado de pagamento ou recebimento de recursos ilícitos em sua campanha; marqueteiro diz ter sido informado dos repasses que seriam feitos pela empreiteira pelo próprio governador, no apartamento dele - Custódio Coimbra / Agência O Globo

BRASÍLIA - O marqueteiro Renato Pereira contou, em acordo de colaboração premiada assinado com a Procuradoria-Geral da República (PGR), que a empreiteira Andrade Gutierrez usou duas das principais agências de publicidade brasileiras — Propeg e NBS — para repassar R$ 5 milhões à campanha do governador Luiz Fernando Pezão. Os valores não foram declarados à Justiça Eleitoral. A delação ainda aguarda homologação do Supremo Tribunal Federal (STF).
Pereira afirmou que o próprio Pezão o chamou, em setembro de 2014, a seu apartamento, em Laranjeiras, para informá-lo que havia conversado com Sérgio Andrade, um dos donos da Andrade Gutierrez. Na ocasião, o então candidato disse a ele que a empreiteira faria um repasse de R$ 10 milhões à campanha, valor que acabaria sendo reduzido, nos dias seguintes, para R$ 5 milhões, segundo o relato.
A operacionalização do pagamento coube a Alberto Quintaes, então diretor comercial da Andrade Gutierrez e delator da Lava-Jato. Como O GLOBO mostrou ontem, Pereira contou em sua delação que o marketing da campanha de Pezão custou R$ 40 milhões, quase o dobro do que foi oficialmente declarado (R$ 21,8 milhões).
De acordo com o delator, Quintaes se reuniu com um de seus sócios, Eduardo Villela, para acertar detalhes do pagamento à campanha de Pezão via agências de publicidade que prestavam serviços a empresas ligadas à empreiteira. O marqueteiro diz ter recebido R$ 3 milhões por meio da agência NBS, que detinha desde 2002 a conta de publicidade da operadora Oi, controlada por grupo do qual fazia parte a Andrade Gutierrez.
Na época do pagamento, a NBS pertencia ao Grupo PPR, que tinha uma parceria operacional com a Prole, agência de Renato Pereira. De acordo com o delator, a NBS simulou o pagamento de uma indenização à Prole para viabilizar o repasse, na ocasião em que o grupo PPR foi dissolvido. Com 317 funcionários, a NBS tem entre seus clientes empresas como Petrobras, Banco de Brasília e Iguatemi.
O marqueteiro disse que outros R$ 2 milhões foram pagos pela Andrade Gutierrez à agência Propeg. Por sua vez, coube à agência contratar a Prole para produzir um guia com relação de personalidades influentes no Rio, que Pereira diz ter sido “claramente superfaturado”. Segundo ele, o caderno consistia em fotos e citações dos nomes mencionados, “sem maior valor”.
Por meio de sua assessoria, Pezão negou o teor do relato de seu marqueteiro. O governador disse que “jamais tratou de pagamento ou recebimento de recursos ilícitos com qualquer pessoa” e que “todas as doações de campanha foram feitas de acordo com a Justiça eleitoral”.
Andrade Gutierrez e a Oi não quiseram responder a perguntas relacionadas ao caso. Em nota, a empreiteira informou que “segue colaborando com as investigações em curso” e que “reforça seu compromisso de esclarecer e corrigir todos os fatos irregulares ocorridos no passado”.
A assessoria da Propeg confirmou ter contratado a Prole, mas negou tratar-se de operação simulada para repassar caixa 2 à campanha de Pezão. A empresa alega ter produzido “um estudo sobre os Jogos Olímpicos do Rio, com planejamento, pesquisas e documentários”. Segundo a assessoria, “alguns insumos para esse estudo foram fornecidos pela Prole, pagos mediante comprovação de relatórios e nota fiscal”.
A Propeg também negou ter sido beneficiada com repasses da Andrade Gutierrez sem comprovação. “Todos os valores recebidos sempre decorrem de efetiva prestação de serviços aos seus clientes, cujos demonstrativos estão à disposição dos órgãos competentes”, afirmou.
AGÊNCIA NEGA CAIXA 2
Em nota, a assessoria da NBS confirmou parte do relato de Pereira, mas negou ter sido usada para repasse de caixa 2. O texto lembra que a empresa esteve sob o mesmo guarda-chuva da Prole, entre 2008 e 2014, como parte do Grupo PPR, marca atualmente extinta. “NBS e Prole sempre tiveram operações independentes, com sócios, gestão, áreas de atuação e carteira de clientes completamente distintos”, afirma a empresa.
Segundo a NBS, em 2014 o grupo PPR vendeu 70% do seu capital para a multinacional Dentsu Inc., “encerrando o acordo operacional com a Prole que, nessa ocasião, recebeu uma indenização”, que Pereira alega ter sido fraudulenta.
A NBS informou que, na condição de “responsável por campanhas e estratégias de marketing das maiores empresas do país, segue rígidos padrões éticos, tendo regularmente todos os processos internos auditados”.
Sócios de Renato Pereira não comentaram as alegações do delator. Os advogados de Alberto Quintaes não foram localizados.

LAVA-JATO: “Funaro nunca teve acesso a Michel Temer”, diz Cunha

ESTADAO.COM.BR
Fabio Serapião / BRASÍLIA

Ex-presidente da Câmara, réu da Operação Sépsis, é interrogado nesta segunda-feira, 6, na Justiça Federal em Brasília
Michel Temer. Foto: Beto Barata/PR

Em depoimento ao juiz Vallisney de Souza Oliveira, o ex-deputado Eduardo Cunhaafirmou que o corretor Lúcio Bolonha Funaro mentiu em sua delação ao dizer que esteve três vezes com o presidente Michel Temer.
“Esses três que ele cita, ele nunca teve. Na minha frente ele nunca cumprimentou o Michel Temer”, disse Cunha. No acordo, Funaro citou um encontro na base aérea de São Paulo, outro durante comício em Uberaba (MG), nas eleições municipais de 2012 e uma terceira numa reunião de apoio à candidatura de Gabriel Chalita à Prefeitura de São Paulo, também em 2012. Na época, Temer era vice-presidente.
O depoimento de Cunha é mais uma etapa da fase de interrogatórios dos réus na ação penal derivada da operação Sépsis, que investiga o pagamento de propina por grandes empresas para liberação de aportes do Fundo de investimento do FGTS.
Já foram ouvidos o ex-vice-presidente de Fundos e Loteria da Caixa, Fábio Cleto, o empresário Alexandre Margotto e o corretor Lúcio Bolonha Funaro. Após o ex-deputado, será a vez do ex-presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves, ser interrogado pelo juiz Vallisney de Souza Oliveira.

LAVA-JATO: Funaro retirou joias e obras de arte de casa antes de a PF chegar, diz Cunha

FOHA.COM
FÁBIO FABRINI e REYNALDO TUROLLO JR., DE BRASÍLIA

Lula Marques - 28.abr.2010/Folhapress 
O corretor de valores Lúcio Funaro em depoimento a CPI em 2010

O ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ) disse nesta segunda-feira (6) que o doleiro Lúcio Funaro, com quem mantinha negócios, soube antecipadamente da Operação Catilinárias, da Polícia Federal, e retirou joias e obras de arte de sua casa para evitar a apreensão.
Cunha presta depoimento à Justiça Federal em Brasília em ação na qual ele próprio e Funaro, que é delator da Lava Jato, são réus por supostos desvios na Caixa Econômica Federal.
O ex-deputado afirmou que, em 2015, foi avisado por Funaro para que não enviasse nenhuma mensagem para ele, tendo em vista que estava sendo monitorado pela PF. "O Lúcio sabia da busca e apreensão no dia 15 de dezembro. Tanto que ele retirou as obras de arte, as joias", declarou o ex-deputado.
O peemedebista explicou que, em vez de vasculhar a casa do corretor, os policiais foram ao endereço do pai dele.
Cunha descreveu sua relação com Funaro, que remontaria a 2003, quando os dois começaram a operar conjuntamente no mercado financeiro. Ele contou que os dois chegaram a lucrar até com o primeiro escândalo do governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a partir de informação prévia sobre a denúncia.
Em 2004, Waldomiro Diniz, então assessor do ministro da Casa Civil, José Dirceu, foi exonerado por suspeitas de que recebera propinas de bicheiros para bancar campanhas do PT.
O ex-deputado relatou ter recebido informações de que o caso sairia na imprensa e acionou Funaro para que negociasse ações. "Quando saiu aquela denúncia, eu soube na véspera que a denúncia ia sair. No outro dia a Bolsa despencou. A gente teve um lucro extraordinário", contou Cunha, sem dar detalhes de como os dados lhe chegaram.
O ex-deputado depõe desde as 9h30 e dedica sua fala principalmente a desconstruir as acusações de Funaro. O delator chegou a se irritar num momento do depoimento e tentou replicar Cunha, o que não é permitido. "Ele não tem limites com a covardia dele", criticou Cunha, ao citar o que chama de mentiras do colaborador.

DIREITO: STF - Presidente do STF mantém liminar do TRF-1 que impede anulação de redação do Enem

A presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministra Cármen Lúcia, indeferiu neste sábado (4) pedidos de liminar que buscavam suspender decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) que impede a aplicação de regra do edital do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) quanto à anulação de redação desrespeitosa a direitos humanos. A decisão da ministra foi tomada na Suspensão de Tutela Antecipada (STA) 864, apresentada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), representado pela Advocacia-Geral da União, e na Suspensão de Liminar (SL) 1127, ajuizada pela Procuradoria-Geral da República (PGR). Com isso, fica mantida a determinação da Justiça Federal.
A ministra Cármen Lúcia afirmou que a decisão do TRF-1 parece garantir o exercício do direito à liberdade de expressão e de opinião, constitucionalmente assegurado. "Não se desrespeitam direitos humanos pela decisão que permite ao examinador a correção das provas e a objetivação dos critérios para qualquer nota conferida à prova. O que os desrespeitaria seria a mordaça prévia do opinar e do expressar do estudante candidato. Não se combate a intolerância social com maior intolerância estatal", ressaltou a ministra.
"O que se aspira é o eco dos direitos humanos garantidos, não o silêncio de direitos emudecidos. Não se garantem direitos fundamentais eliminando-se alguns deles para se impedir possa alguém insurgir-se pela palavra contra o que a outro parece instigação ou injúria. Há meios e modos para se questionar, administrativa ou judicialmente, eventuais excessos. E são estas formas e estes instrumentos que asseguram a compatibilidade dos direitos fundamentais e a convivência pacífica e harmoniosa dos cidadãos de uma República", concluiu.
Leia a íntegra das decisões.

DIREITO: STF - Suspensa decisão que rejeitou denúncia de lesão corporal contra mulher após retratação da vítima

O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), deferiu liminar na Reclamação (RCL) 28387 para suspender decisão do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJ-RJ) que rejeitou denúncia de crime de lesão corporal contra uma mulher em razão da retratação da vítima. Em análise preliminar do caso, o ministro verificou que o ato atacado afronta decisão do Supremo que assentou a natureza incondicionada da ação penal em casos de crime de lesão praticado contra a mulher no ambiente doméstico.
Na RCL, o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MP-RJ) narra que o TJ-RJ manteve decisão do Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, da Comarca de Petrópolis (RJ), que considerou que a ação penal estaria sujeita à representação da vítima. Segundo explicou o MP-RJ, o juízo de primeira instância aplicou, para o crime de violência doméstica, o disposto no artigo 88 da Lei 9.099/1995 (Lei dos Juizados Especiais), que condiciona a ação penal pública para os crimes de lesão corporal leve e culposa à representação.
O MP sustentou que as decisões tanto da primeira instância quanto do TJ-RJ desrespeitam o entendimento do STF no julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 4424 e da Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) 19. Pediu assim a concessão de liminar para suspender os atos atacados e, no mérito, sua cassação e o prosseguimento da ação penal na instância de origem.
O relator, ministro Dias Toffoli, concluiu ser plausível a alegação de ofensa à decisão do Supremo nas ações em questão. Lembrou que o Plenário, na ocasião, assentou não ser aplicável aos crimes tratados pela Lei 11.340/2006 (Lei Maria da Penha) as disposições da Lei 9.099/1995, “de maneira que, em se tratando de lesões corporais, mesmo que de natureza leve ou culposa, praticadas contra a mulher em âmbito doméstico, a ação penal cabível seria pública incondicionada”.
Processos relacionados

DIREITO: STF - Recurso sobre leis municipais que proíbem sacolas plásticas tem repercussão geral

O Plenário Virtual do Supremo Tribunal Federal entendeu, por unanimidade, que há repercussão geral na matéria tratada no Recurso Extraordinário (RE) 732686, que discute a constitucionalidade de lei do Município de Marília (SP) que exige a substituição de sacos e sacolas plásticas por material biodegradável. Segundo o relator do RE, ministro Luiz Fux, a questão requer um posicionamento definitivo do STF, “para pacificação das relações e, consequentemente, para trazer segurança jurídica aos jurisdicionados”, uma vez que há diversos casos em que se discute matéria análoga.
O recurso foi interposto pelo procurador-geral de Justiça de São Paulo contra acórdão do Tribunal de Justiça do estado (TJ-SP) que considerou inconstitucional a lei municipal, por ser resultante de projeto de lei de autoria de vereador, quando deveria ter sido iniciada pelo prefeito municipal. Segundo o TJ, o Estado de São Paulo já editou normas relativas à proteção ambiental sem dispor sobre a obrigação ou a proibição do uso de sacolas plásticas, nem diferenciando umas das outras, e “descabe aos municípios imiscuírem-se na edição de linha diversa, como o fez o Município de Marília”.
No recurso, o procurador-geral de Justiça alega que o município tem competência administrativa e legislativa para promover a defesa do meio ambiente e zelar pela saúde dos indivíduos, e que a lei declarada inconstitucional pelo TJ-SP visa à defesa do meio ambiente e do consumidor, não invadindo a esfera de competência reservada ao chefe do Poder Executivo. Ainda segundo o procurador, o direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado é direito constitucional fundamental, e sua proteção cabe a todos os entes da federação.
Manifestação
Ao se manifestar pela repercussão geral do tema, o ministro Luiz Fux assinalou que a questão constitucional trazida no recurso diz respeito a uma controvérsia formal – a possibilidade de município legislar sobre meio ambiente – e uma controvérsia material, por ofensa aos princípios da defesa do consumidor, da defesa do meio ambiente e do direito de todos ao meio ambiente ecologicamente equilibrado.
Para Fux, é louvável a preocupação dos municípios quanto à redução de sacos plásticos. “O descarte das sacolas plásticas é um dos principais responsáveis pelo entupimento da drenagem urbana e pela poluição hídrica, sendo encontradas até no trato digestivo de alguns animais”, afirmou. “Além disso, elas contribuem para a formação de zonas mortas de até 70 mil km² no fundo dos oceanos”.
No entanto, o ministro sustenta que a questão deve ser tratada “com a complexidade devida”, ponderando que a proibição das sacolas plásticas nocivas ao meio ambiente, cumulada com a obrigatoriedade de substituição por outro tipo de material, pode se tornar excessivamente onerosa e desproporcional ao empresário. “O pluralismo de forças políticas e sociais na sociedade contemporânea impõe que se promova uma ponderação de princípios, de modo a conciliar valores e interesses diversos e heterogêneos”, afirmou.
Com esses argumentos, o ministro concluiu que a matéria transcende os limites subjetivos da causa por apresentar questões relevantes dos pontos de vista social e econômico, relativas ao direito à consecução da política ambiental. “É que, de acordo com o recorrente, a questão subtrai relevante expediente de concretização de resultados, inviabilizando a utilização de um instrumento eficaz de conscientização e proteção ambiental e, por outro lado, a obrigatoriedade no cumprimento da norma pode violar o princípio da defesa do consumidor, caso se entenda que o município se substitui ao empresário ao delinear a forma de prestação de serviço a ser oferecido pela empresa”, assinalou.
Processos relacionados

DIREITO: STF - Ministro nega mandado de segurança a ex-subprocuradora-geral da Justiça Militar acusada de improbidade administrativa

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), cassou decisão liminar que havia suspendido os efeitos de ato do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) que puniu uma integrante do Ministério Público Militar. O órgão considera que a interrupção de férias sem retorno às atividades configura ato de improbidade administrativa. O relator negou Mandado de Segurança (MS 32722) por considerar possível a aplicação da sanção disciplinar de demissão pela Administração Pública, com a posterior conversão em pena de suspensão, condicionada à sentença com trânsito em julgado.
O CNMP aplicou à então subprocuradora-geral a pena de demissão. Posteriormente, converteu a pena de demissão em suspensão, por 45 dias, por entender que a Constituição Federal só permite a demissão de membros vitalícios do Ministério Público mediante sentença judicial transitada em julgado, nunca por decisão de natureza administrativa.
A defesa sustenta que a Constituição da República só permite a imposição de perda do cargo e de demissão aos membros vitalícios do Ministério Público mediante sentença judicial transitada em julgado, ainda que a pena de demissão seja substituída por suspensão temporária.
Em janeiro de 2014, no exercício da presidência do Supremo, o ministro Ricardo Lewandowski concedeu o pedido de liminar para suspender os efeitos da penalidade aplicada.
Relator
Ao cassar a decisão liminar, o relator confirmou que, de acordo com o regime jurídico a que estão submetidos os membros do Ministério Público (Lei Complementar 75/1993 - Lei Orgânica do Ministério Público da União), a perda definitiva do cargo está condicionada ao trânsito em julgado de sentença proferida em ação civil proposta pelo procurador-geral da República. “Isso se dá porque a Administração, ao aplicar a pena de demissão, manifesta a incompatibilidade entre a permanência do agente público no exercício de suas funções e a necessidade de garantir-se a regularidade do serviço público, em cumprimento ao regime jurídico estabelecido. No entanto, o afastamento definitivo do agente ministerial de suas funções, com a perda do cargo e as garantias a ele inerentes, só se efetiva após aquela condição específica”, esclareceu.
Em observância à garantia da vitaliciedade dos membros do Ministério Público (artigo 128, parágrafo 5º, inciso I, da Constituição), observa o relator, no caso da sanção de demissão, tanto a LC 75/93 quanto o Regimento Interno do CNMP dispõem que, embora sua aplicação decorra de processo disciplinar, sua eficácia dependerá do ajuizamento de ação civil.
Assim, o relator negou o mandado de segurança, cassando a decisão liminar antes concedida, e concluiu pela possibilidade de aplicação da sanção disciplinar.
Processos relacionados

DIREITO: STJ - Companheira de detento que tentou levar maconha ao presídio continua com visitas proibidas

A Sexta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) manteve decisão que negou a um preso, condenado por tráfico de drogas, o direito de receber visitas de sua companheira. O colegiado considerou o fato de que a mulher está cumprindo penas restritivas de direitos por ter tentado entrar no presídio com drogas escondidas no corpo.
O caso aconteceu no Distrito Federal. A companheira do apenado tentou entrar no complexo penitenciário com 91,77 gramas de maconha e foi condenada a cumprir penas restritivas de direitos.
O relator do recurso interposto pelo preso, ministro Rogerio Schietti Cruz, reconheceu que as turmas de direito penal do STJ não têm uma posição unificada sobre ser ou não justificativa idônea para obstar o direito de visita o fato de o visitante estar cumprindo pena.
Análise casuística
“As diferenças nos julgados existem porque é a análise casuística de cada processo de execução – e de suas peculiaridades – que irá definir a possibilidade, ou não, de restrição do direito de visita do preso”, afirmou o relator.
No caso apreciado, o ministro entendeu que o direito de visitação não foi restringido apenas porque a companheira cumpre penas restritivas de direitos, mas porque tentou ingressar no estabelecimento prisional com o objetivo de levar drogas ao sentenciado, o que seria prejudicial à sua ressocialização.
“Não se trata de mera presunção. A companheira do recorrente violou regulamento de ingresso em presídio e, com essa atitude, colocou em risco a reeducação do apenado, bem como a ordem e a disciplina internas, independentemente de a conduta vir a ser reconhecida como tráfico de drogas”, disse o ministro.
Segundo Schietti, mesmo comportamentos que não configuram ilícito penal, mas que são atentatórios às regras de visitação, podem ensejar restrição, suspensão ou cancelamento do direito de visita, como estar sob ação de bebida alcoólica ou substância entorpecente durante a visita, ou ainda incitar atos de indisciplina dos internos.
“Existem normas para a visitação aos custodiados nos estabelecimentos penais, as quais não podem ser violadas sem nenhuma consequência prática”, concluiu o relator.
Leia o acórdão.
Esta notícia refere-se ao(s) processo(s):REsp 1690426

DIREITO: TSE desaprova contas do PCO e aprova com ressalvas contas do PCdoB de 2012

A Corte Eleitoral determinou a suspensão por um mês da cota do Fundo Partidário do PCO e a devolução, pelo PC do B, de R$ 180.250,41 ao erário.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) desaprovou parcialmente, na sessão desta terça-feira (31), a prestação de contas do Partido da Causa Operária (PCO) e aprovou com ressalvas a prestação de contas do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), ambas de 2012.
Relatora da prestação de contas do PCO, a ministra Rosa Weber determinou a suspensão por um mês da cota do Fundo Partidário da sigla.
Na prestação de contas do PCdoB, a Corte determinou a devolução de R$ 180.250,41 ao erário, devidamente atualizados e pagos com recursos próprios.
Processos relacionados: PCs 22730 e 134915
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